5 objetivos para 2025

Sinto que estou a escrever este texto e já a falhar. Um post sobre objetivos para o ano, que foi delineado e pensado logo nos primeiros dias de 2025, que começou a ser escrito a meio de Janeiro enquanto apanhava sol na Avenida dos Aliados e que só foi revisto no início de Fevereiro… é logo uma falta na minha caderneta imaginária. Nunca, em catorze anos deste blog, tal me aconteceu. Mas é o reflexo da minha vida, que ainda está em modo caos e de adaptação, após um 2024 muito duro e traumático, que alterou muita coisa em mim e na dinâmica do meu núcleo familiar. Já estamos em Fevereiro mas o que aqui passei por escrito está, desde Novembro, na minha cabeça. E não me fazia sentido passar à frente os tópicos que gostava que guiassem o meu ano. 

Por isso, e como já vamos tarde, vamos diretos à questão. Então aqui vão os meus cinco objetivos para 2025, para além dos óbvios (saúde, coragem e capacidade de saborear a vida):

 

Voltar a fazer bicicleta. Em 2024 perdi o hábito que me demorou quase dois anos a construir e consolidar. Foi algo consciente – simplesmente não havia tempo para tudo e eu tive de priorizar e fazer escolhas. Se treinei uma dúzia de vezes durante o ano passado, foi muito. Treinar de manhã, mais toda a higiene que isso implica, rouba-me tempo considerável; tempo que, no contexto do ano anterior, se tornou indispenável para eu dedicar à fábrica ou reforçar o cuidado àqueles que precisaram de mim naqueles meses tão duros. Para além disso faltavam-me as forças; tudo o que eu tinha era direcionado para um propósito e ao final do dia sentia-me totalmente drenada, morta de cansaço. Agora com a vida mais estabilizada preciso de voltar a encaixar este velho, bom, mas doloroso hábito. Preciso de emagrecer mas, acima de tudo, quero sentir-me bem comigo própria e estar em paz com a visão devolvida pelo espelho. Independentemente do efeito que o exercício tem na saúde física, a verdade é que o impacto psicológico é enorme: posso até nem estar mais magra mas, depois de uma semana a treinar, o espelho “diz-me” logo: “ufa, assim estás muito melhor!”. E a verdade é que a vida é muito mais feliz quando estamos bem connosco próprios.

Continuar a ler – sem constrangimentos nas linhas da história ou medo de contornos mais difíceis. Li menos em 2024 do que em 2023 – nada de surpreendente. Aliás, de admirar foi ter conseguido ler 21 livros! As noites em branco foram as que mais contribuíram para o progresso da leitura; podia dizer que o tempo de espera em hospitais também ajudou, mas a verdade é que nunca consegui ler grande coisa enquanto esperava – o “plim” das chamadas para as consultas ou exames, principalmente nos hospitais públicos, é tão constante que tolda a concentração. Mas este objetivo vai para além dos números: aquilo que eu gostava era de não estar tão balizada e limitada nas minhas escolhas de leitura, por via dos assuntos tratados em cada livro. A verdade é que me coibi de ler tudo o que envolvia mortes, doenças, perdas ou temas muito pesados, porque sentia que não precisava de mais esse peso na minha vida, com tudo o que se estava a passar à minha volta. A questão é que a grande maioria dos livros gira à volta destes assuntos ou, no limite, toca neles superficialmente, limitando-me enormemente a escolha e fazendo com que quase só tivesse lido romances de cordel que, não me fazendo mal, também não me acrescentam. 

Investir na minha formação de vida. Quem ler isto acha que quero tirar um novo curso, mestrado ou doutoramento… ou fazer crescer o meu currículo. Não estou nessa fase da vida e espero nunca lá chegar. Que deus me livre de voltar à faculdade, a não ser quando for velhota e vá para lá como mero desporto. Mas sinto falta de aprender coisas novas – e, acima de tudo, de estar focada em algo. Ter um objetivo.

Por isso é que, no final do ano passado, decidi que ia aprender a costurar. Isto já não é uma coisa nova – é uma veia que já cá anda há muitos anos (tive uma máquina de costura pequenina, comprada nos chineses, que a minha mãe me ensinou a operar quando eu tinha uns 10 anos – e fazia as minhas próprias malas, bem pirosas, cheias de coisas que comprava nas retrosarias da baixa) e que também se liga muito com a área onde trabalho e que tanto gosto. Mas a verdade, pura e dura, é que fui influenciada. Há mais de um ano que sigo uma conta que transforma roupa antiga (peças de vestuário, lençóis, mantas, cortinados, etc.), em roupa magnífica… e eu sou louca pela ideia de transformar algo pobre, velho e abandonado numa coisa nova, com brilho e magia (daí gostar tanto de indústria). E pronto: de tanto ver, decidi que queria fazer igual – ou, pelo menos, ter capacidades para tal. (Se quiserem espreitar, a página chama-se Poppy Lu).

Mesmo a nível profissional sei que esta é uma componente em que tenho várias lacunas, pois sinto que se soubesse mais sobre a parte de confeção (que costuma ser a etapa produtiva seguinte àquela em que eu trabalho) poderia potenciar mais a minha empresa do ponto de vista comercial. Por outro lado, acho que hoje em dia temos a tendência de não saber fazer nada – há sempre quem faça por nós, basta pagarmos. Antigamente, ainda que de forma muito dividida e injusta, os homens tinham um conjunto de capacidades e as mulheres outras; a verdade é que, entre um casal, normalmente quase tudo se fazia. Não que fossem auto-suficientes, mas safam-se para o básico (as mulheres cozinhavam, costuravam, limpavam; os homens reparavam coisas, entre madeiras, metais e canalizações); mas hoje nem sentido crítico para o básico temos! E, para mim, sentido crítico é pensar: “estão a cobrar-me quase dez euros por fazer uma baínha?!”. 

O meu objetivo é ir para além dos arranjos básicos – que quero aprender a fazer para me capacitar e não ter de os pagar, claro – mas também peças mais estruturadas. Cresci no meio de tecidos, malhas e trapos e acho que há em mim muita criatividade que tem, literalmente, pano para mangas.. e gostava de lhe dar espaço para crescer. Para além disso ando há anos atrás de um hobbie que me preencha e que tenha a capacidade de me desligar do mundo – não encontro isso na escrita, na leitura ou a tocar piano, por exemplo. E a verdade é que, nas minha primeiras aulas de costura (estou na Maria Modista), isso aconteceu: as três horas de aula passaram num ápice… e eu encantada da vida!   

Para além da costura, gostava de aprender coisas com quem sabe e ficar inspirada para fazer igual: já há mais de um ano que subscrevo os cursos da BBC Maestro (tenho a meio o curso do Ken Follett sobre a escritas de bestsellers) e gostava muito de levar dois ou três a sério e retirar algum sumo daquele projeto que me parece muito interessante. A ver vamos se tenho tempo para tudo!

Mudar o visual do blog e reaprender a escrever. Já tenho, há muito tempo, uma ideia do visual que quero para um blog mais fresco e renovado – e quando digo muito tempo são quase dois anos, o que quase torna esta ideia que ainda não se tornou realidade em algo velho. Estou destreinada no que a programação básica diz respeito, tenho menos tempo e, admita-se, paciência. Gosto muito deste tom verde seco que me acompanha há já vários anos mas acho que é tempo de mudar. Que 2025 traga a mim a inspiração!

Mas, mais importante que isso, que me traga a facilidade de escrever – porque de nada me serve ter um espaço bonito e renovado se não crescerem coisas novas cá dentro. Porque quando digo que preciso de reaprender a escrever, o que quero dizer é que preciso de “reajustar” tudo o que está à volta da escrita. A verdade é que eu não escrevo por falta de ideias (publicaria um a dois textos por semana, com facilidade) e, muitas vezes, também não é por falta de tempo. O problema está no contexto e na envolvência: desde que saí do meu quarto e de casa dos meus pais que toda a logística da escrita se modificou para mim… e dou por mim a ter dificuldade em escrever noutros computadores que não o meu. É parvo, não é? Nós somos mesmo animais de hábitos, de rituais, de rotinas. Eu gostava de escrever no meu recanto designado, com um bater de teclas muito específico, sozinha, sem horas… tinha uma forma e timings específicos para rever os textos, que publicava com uma cadência que me fazia sentido. Era tudo como eu gosto: organizado, pensado, estruturado. Mas a minha vida toda mudou.

Foi uma mudança para melhor mas que acaba por ter os seus tempos muito mais preenchidos e panos de fundo diferentes, que eu ainda hoje não consegui repor ou reproduzir neste meu dia-a-dia de adulta, trabalhadora, dona-de-casa, mulher, namorada, amante, filha, tia, etc. Tem sido difícil e triste ver cair uma parte de mim que me dizia tanto – que fez com que mudasse o rumo da minha vida! – mas, de facto, não tenho encontrado alternativas para encaixar uma atividade que me dá gozo mas que me toma muito tempo… e que só me satisfaz completamente quando é feita da forma como idealizo, o que nem sempre é possível. Já me tentei reinventar várias vezes (mudar horários de escrita, criar locais mais recatados para escrever) e, quando acho que estou num bom caminho, falho outra vez. Mas ainda não estou pronta para deitar a toalha ao chão. Vamos tentar que 2025 seja uma reviravolta. 

Talvez 2025 seja o ano em que, finalmente, crio uma marca minha. Se a vida me tem ensinado a não fazer demasiados planos, também me tem demonstrado que não há “a” altura certa e que adiar as coisas que desejamos ad eternum não é uma boa ideia. Por isso, se tudo correr bem e me sobrarem algumas forças, talvez nasça um projeto novo no segundo semestre deste ano. Fingers crossed!

 

Bom 2025 – ou, aliás, felizes restantes onze meses deste ano. Ainda é muito tempo… e ainda vale, certo?


6 respostas a “5 objetivos para 2025”

  1. Avatar de Inês

    Espero que consigas concretizar todos os teus objetivos! 

  2. Avatar de
    Anónimo

    Que tudo se concretize. Espero poder ajudar no que diz respeito á costura.❤️Amaria

  3. Avatar de almaebria

    Sim, ainda vamos a tempo 🙂
    Bons objetivos.

  4. Avatar de R

    Que 2025 suplante o teu 2024, e que tenhas múltiplos e diversos sorrisos!

  5. Avatar de s o s
    s o s

    o tempo é assim, e mesmo quando mais lento, passou, esse ja nao volta, mas nao pára, e mais tempo vem. 
    Além dos projetos, mas tambem já está envolvida noutros objetivos. 
    No caso da costura, é evidente o potencial lazer-criaçao, todavia e a par do cozinhar e outras,  tem a concorrencia celebral, indesejada em tantas situaçoes. 

  6. Avatar de s o s
    s o s

    com a mente num quadro-tipo, nao necessariamente o seu, clarifico :

    na costura-lazer, p.e., nao consegue o individuo alhear-se do fantasma  : o pensamento que persegue, tortura.    Já pedalar, a gana e as dores fisicas podem realmente expulsar o pensamento.

    Mas tenho uma sugestao, a explorar : os quebra-cabeças. Construçoes, puzzles e afins. 

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