Todos os santos anos passo por isto e acho que todos os santos anos também escrevo sobre o assunto: agendas. É surpreendente como é que ainda tenho matéria sobre isto, mas aparentemente as questões relativamente a isto não só se repetem como se complicam ao longo dos anos. Nunca sei que agenda escolher, nunca encontro aquela que quero, é sempre um drama.

Este ano fiz uma coisa rara: comprei uma por impulso. Ou seja, não fiz uma das coisas que faço melhor nesta vida – pensar. E como não pensei, fiz asneira. Comprei uma agenda diária (erro!), com argolas (erro!) na Rosa Com Canela, muito gira, cheia de ananases na capa, como quem diz “vais sentir como se fosse verão todo o ano!” (a única coisa boa no meio disto tudo, ainda que seja mentira). Nunca tinha tido uma agenda diária mas, depois de no ano passado ter comprado uma com vista semanal e me deparar com uma sufocante falta de espaço para escrever, este ano tive a brilhante ideia de comprar uma que tivesse uma página para cada dia da semana. Mas passada apenas uma semana de (muito pouca) utilização, percebi que não aguento este método de organização: não consigo ver a minha semana como um todo, tenho de andar com as páginas para trás e para a frente para ver o que tenho para fazer, não é nada prático. Por outro lado, as argolas – coisa que eu já sabia detestar mas, por qualquer razão, decidi ignorar – são gigantes, as folhas nem circulam com facilidade e a agenda é relativamente pesada. Resumindo e concluindo: um autêntico flop!

Para piorar as coisas, no dia em que comprei essa agenda, trouxe também para casa – com o intuito de utilizar no trabalho – um planeador mensal (ou pelo menos assim achei e a menina me disse, porque na realidade não cabe um mês inteiro naquelas divisórias, é mais concebido para um planeamento semanal). E a verdade é que fiquei rendida e as coisas estão muito confusas: uso aquilo para o trabalho (um jornal sem uma agenda não é um jornal) mas depois utilizo outras folhas para organizar a minha vida, porque fiquei muito fã de ter toda a minha semana ali escarrapachada.

Desvantagem: não posso andar com aquilo de um lado para o outro – são folhas A4, não dá jeito – e, mesmo que andasse, passado um dia dentro da minha carteira do demónio já só sobrariam vestígios da antiga folha.

Ou seja: nenhuma das soluções é brilhante. Podia comprar a agenda semanal, desistir da diária, transforma-la num bloco de notas (mais um…) e no final do ano comprar uma agenda de 2018, como as pessoas crescidas, uma vez que já não tenho necessidade de organizar a minha vida por anos lectivos (adeus anos terríficos da faculdade!).

Mas – e porque há sempre um “mas” – lembrei-me de, no ano passado, uma menina me ter falado aqui no blog sobre o Bullet Journal e estou a considerar seriamente essa hipótese. Fui pesquisar e, apesar de ser realista o suficiente para perceber que nunca vou ter um caderno tão bonitinho como aqueles que se vêm no tumblr, acho que até pode ser uma boa opção, feita à nossa medida ou sem limite de espaço.

Porque a verdade é que, no último ano, não dei muito uso à agenda – mas senti muito a sua falta. Quando, no ano passado, escrevi sobre este assunto, alguém me perguntou como é que eu mantinha a agenda “viva” – e eu, que sou uma imbecil, não respondi (e peço desde já desculpa a todos os comentários que não respondi desde então, sei que é uma falha minha). Acho que como muitas das coisas de hoje em dia, é aprender a criar essa necessidade, criar o hábito e a rotina. No meu caso é muito importante não só porque me surgem coisas muito dispersas para fazer ao longo da semana, assim como gosto de apontar ideias para textos aqui no blog mas, acima de tudo, para me definir metas e objectivos para o dia-a-dia. Se eu não fizer coisas, penso de mais. E se eu pensar demais, deprimo. Por isso preciso de fazer, fazer e fazer. Nos últimos tempos desleixei-me muito nesses aspeto e estou a colher os frutos: entrei num ciclo vicioso de preguiça e letargia do qual não estou a conseguir sair. E a agenda, nesse aspeto, ajuda muito: porque eu detesto falhar e não corresponder aos meus compromissos (mesmo que sejam comigo mesma), por isso, quando vejo que não fiz algo a que me propus, fico chateada e acabo por me obrigar a fazer.

E é isto. Há por aqui alguém que faça o bullet journal e que possa dar bitaites sobre o assunto? Ou é mesmo melhor jogar pelo seguro e ir para a típica agenda semanal ou outra solução clássica – excluindo o telemóvel? Eu sei que é mais tecnológico e amigo do ambiente, mas faz-me falta riscar as tarefas, pôr um “check” ou sentir o poder e o peso – acima de tudo simbólico – da agenda passados os tais 365 dias do ano.

 

[slideshow]http://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9c123671/20641738_eH61g.jpeg,http://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B03142130/20641739_heGkj.jpeg,http://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B5c1621a4/20641740_Qn7Iv.jpeg[/slideshow]

(circulem na galeria para ver alguns exemplo de bullet journals)

 


10 respostas a “A questão: agenda ou bullet journal?”

  1. Avatar de Catarina

    Eu uso o bullet journal, mas não exactamente como é normal ver-se por ai. Não tenho index, nem símbolos, nem desenhos a não ser os que vou fazendo para me distrair. No início de cada mês, faço um plano mensal e depois crio outro semanalmente. Não é nada de complicado, nem perfeito. Conheci este sistema através do site http://bulletjournal.com/. Depois fui pesquisando e adaptando as coisas a meu gosto

  2. Avatar de David Marinho
    David Marinho

    Tive uma professora que continua desde sempre a ter uma coisa dessas. Ela desenha, faz  tabelas, põe tudo bonitinho. Adorava ser assim mas não tenho jeitinho nenhum e se não fica bonito nem quero ahah

  3. Avatar de Rita
    Rita

    Identifico-me completamente com as tuas struggles, já tive uma agenda da ambar (?) super gira, com imenso espaço (e horas!) para cada dia, mas quase não usava, por ser muito grande (apesar de ser tamanho A5, já incomoda, quando se leva mais um montão de coisas). Comprei uma este ano com esse tipo de formatação, mas mais pequena, porém, como não tem argolas (compraram por mim), é muito frustrante de usar.

    Ao longo dos anos, o que tenho feito é usar um caderno como bullet journal, mas sem tantas regras/divisórias: não costumo criar separadores de mês ou vista mensal, como já vi em alguns – isto porque o meu caderno é de linhas e não de “pontos” ou quadrados, logo também se torna mais difícil impôr a minha organização/layout, digamos. Também sempre me pareceu imprudente investir num Moleskine só por causa disto (pelo menos, para o meu orçamento, claro).

    Aponto o que tenho a fazer nos dias em que preciso de mais organização/arrumação de ideias, assim como para planear o estudo nas épocas de exames. Já aceitei que é complicado usar todos os dias. 

    Eventos e etcs, que, supostamente, é para se colocar no bullet journal, coloco numa aplicação do telemóvel. Dá para, a partir do widget, podemos pôr um check nas tarefas e etc – também sinto aquela necessidade de pôr um check, como referiste, e, digitalmente, foi o que se encontrou de mais semelhante, ahah – para me ajudar a lembrar que tenho que ir a algum lugar. Escrever só, pouco ajuda, no meu caso.

    Espero que encontres rapidamente uma solução que te satisfaça!

  4. Avatar de Felícia
    Felícia

    Eu usei durante o ano passado e é algo super prático. Tive um ano caótico e precisava mesmo de um sitio onde pudesse apontar tudo o que precisasse, sem espaços definidos e de formas diferentes dependendo do conteúdo. Baseei-me neste setup https://youtu.be/EgA33PwqAPM e acabei por me desviar pouco, criei a rotina de ao domingo à noite preparar a semana seguinte e acabei por só parar no verão. 

  5. Avatar de Descontos

    http://diariodasminhasfinancaspessoais.blogs.sapo.pt/a-minha-agenda-66855
    http://descontos.blogs.sapo.pt/cadernos-estilosos-feitos-por-mim-2794209

    Neste momento tenho um fauxdori + 4 cadernos que fiz eu própria. 
    Caderno 1 – agenda (http://diariodasminhasfinancaspessoais.blogs.sapo.pt/a-minha-agenda-66855)

    Caderno 2  – profissional
    (tudo relacionado com trabalho, contactos, notas de reuniões, listas de tarefas; os poucos eventos, anoto na agenda)
    Caderno 3  – diário de leituras, listas de livros, citações, etc…
    Caderno 4 – referências permanentes como aniversários, contactos telefónicos, referências de tinteiros ou os sacos do aspirador. 


    Os cadernos 1-3 vão sendo substituídos à medida que vou gastando, já o 4, é permanente.


    Espero ter ajudado.

  6. Avatar de Margarida
    Margarida

    A vantagem do “bullet journal” é exactamente o poderes fazê-lo como bem te apetecer. Eu admito que também não o tenho assim todo bonitinho e cheio de listinhas mas o sistemas de tarefas convêm-me perfeitamente. 
    Margarida

  7. Avatar de Carolina

    UAU!
    Isso é o que eu chamo de organização! Grande organização! Obrigada pela partilha, vou ver com atenção!
    Beijinhos!

  8. Avatar de Carolina

    Pois, a primeira abordagem que tive também foi no site oficial. Entretanto já me deixaram vídeos aqui nos comentário e, damn, é tentador. Eu sou um zero à esquerda em artes, nunca conseguiria fazer coisas tão bonitinhas como as que vejo por aí mas… apetece :p 
    Eu gosto bastante da ideia do index, por exemplo, mas outras coisas acho que talvez não seja fácil manter, quando se tem pressa e assim. E outras até redundantes… o future log, o monthy log e o daily log… jeez, é muita coisa! Vou ter de me ajustar!
    Obrigada pelo feedback! Beijinhos

  9. Avatar de Babs

    Eu, eu! Não sei se encaixa na definição de bullet journal, porque nem sempre dou números às páginas, mas uso este sistema em várias versões há algum tempo.
    Já pensei em ter dois cadernos, um para o trabalho e outro pessoal, mas sou demasiado despassarada para ter a vida em dois cadernos e não tenho qualquer info confidencial que me impeça de ter tudo no mesmo caderno.
    Normalmente uso moleskine (o tamanho “grande” como eles chamam) ou a imitação da marca do continente, mas agora estou a usar um caderno A5 espiral quadriculado, capa dura para ocupar menos espaço quando está aberto.
    Tenho dividido por agenda, meses e trabalho, com marcadores.
    – Na parte da agenda, tenho normalmente dois a três meses por página. Regra geral, não ultrapasso os 2 a 3 eventos/compromissos por dia – as reuniões e afins do trabalho vão parar diretamente ao outlook e não vale a pena estarem repetidas.
    Prefiro assim porque tenho uma visão geral das semanas e faz-me sentir mais em controlo.
    – Na secção dos meses, inauguro cada mês com uma página – imagina aquelas do tumblr, mas sem o talento. Aí tenho um mini calendário para apontar o período e riscar dias e uns trackers muito básicos – há montes de ideias de trackers no pinterest e tumblr e assim, mas acho too much estar a contabilizar diariamente o número de copos de água que bebi ou o número de horas de sono. Também tenho os objetivos do mês. Nas páginas seguintes do mês vou despejando tudo. Notas, to-do lists, outras listas, ideias.
    – Finalmente, na secção do trabalho, tenho as to-do lists do trabalho e vou tirando notas à medida que vou avançando. Podes acrescentar mais secções, por ex. para o blog ou outros projetos. Defines mais ou menos quantas páginas precisas e colocas o marcador. Se acabarem as páginas da secção, fazes uma segunda parte onde encontrares folhas por escrever. É uma questão de improviso.
    – Na parte de dentro da capa tenho post-its com notas para não esquecer, na parte de dentro da contracapa tenho um envelope onde guardo o cartão da impressora do trabalho e alguns talões.
    Tenho outro bloco em tamanho bolso mais “artístico”, mas no bullet journal prefiro não ter a coisa muito folclórica para me sentir à vontade para escrevinhar em qualquer lado.
    Espero que tenha ajudado 🙂 Adoro blocos <3

  10. Avatar de M

    Já uso bullet journal há algum tempo e, pelas mesmas razões que enumeraste, acho que é a melhor opção. Podes organizar como queres e ir alterando essa organização como te der mais jeito. Por exemplo, eu faço sempre um “plano” de mês e depois planos semanais. Se for preciso, ainda acrescento páginas de listas ou gastos. Dá algum trabalho mas vale a pena 🙂

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