Há uns dias a minha mãe, ainda que sem maldade, disse que eu era insossa a vestir-me. A questão é que a insossisse é, para mim, das piores coisas que há. Pessoas insossas, desenxabidas, sensaboronas, amorfas ou qualquer sinónimo de tudo isto dão-me um bocadinho a volta ao estômago. Pessoas que nem sim nem sopas, onde está sempre tudo bem, que não têm uma opinião definida para nada e que têm medo de falar o que quer que seja, são difíceis de lidar. Para mim é mais fácil estar com alguém que tem personalidade, ainda que bata de frente comigo, do que alguém que se esconde por detrás do seu escudo imaginário e não diz nada.

Por isso, quando ela me disse que eu era insossa, eu não achei graça. Porque, de facto, eu sou uma pessoa simples a vestir-me – mas, caraças, insossa não! Acima de tudo, gosto de passar despercebida… e é difícil vestir um corpo onde queremos esconder mil e uma coisas e ainda assim ficarmos bem e, talvez por isso, ao longo do tempo, a minha tendência foi vestir básicos, cores sólidas e não arriscar demasiado. No inverno com malhas e calças de ganga ou pretas e no verão usando t-shirts ou camisas – sempre tudo adornado com algumas peças que, achava eu, sempre iam dando uma graça aos looks.  

A verdade é que eu vejo as coisas nas lojas e nas passarelas e até as acho engraçadas. Sou uma privilegiada porque tenho acesso a novas ideias, novos conceitos de como vestir ou, como se costuma dizer, “sei o que está na moda” (na realidade não sei, quando me perguntam isto fico toda encavacada, acho que é uma pergunta sem resposta certa – mas percebem o que quero dizer). Mas depois penso que não quero mostrar muita perna, ou a peça não tem costas e eu não gosto de dispensar o soutien, ou são calças muito curtas e eu não quero mostrar o meu tornozelo inchado, ou é cai-cai e eu sinto-me sempre sufocada com aqueles soutiens, ou as camisolas têm mangas de morcego e não dá para usar casacos, ou as calças têm cinta baixa e sinto-me com a carne toda de fora, ou as peças são muito apertadas e as minhas formas não são assim tão boas para estarem todas à vista. Enfim! Sim, sou difícil de vestir. Mas já há algum tempo que queria pôr os básicos de lado (ou pelo menos não abusar deles) e tentar coisas mais arrojadas – e a boca da minha mãe foi o rastilho para que isso acontecesse.

A primeira fase da minha investida – aquela que ainda estou neste momento – incidiu nos vestidos. A moda dos vestidos e das calças, neste momento, combina com os requisitos que tenho para o meu corpo: uns são cintados e mais compridos, outros têm a cinta alta, tal como gosto. Já aqui disse: a minha vontade é fazer uma espécie de Arca de Noé com roupas para os próximos cinco a sete anos, porque sei que um dia destes a moda muda e voltam as skinny jeans e os calções e vestidos que deixam ver a prega do rabo e eu vou ficar outra vez sem roupa para comprar. Mas bom, agora tenho é de aproveitar. E se o meu roupeiro já está recheado de calças, como não tinha desde a altura em que era miúda, o mesmo não se podia dizer dos vestidos. Acho que o ano passado vesti os que tinha meia-dúzia de vezes, já demasiado preocupada com a horribilidade das minhas pernas, e portanto é a grande mudança desta estação. Comprei uns quatro, todos abaixo do joelho mas apertados na cinta, e pode dizer-se que foi uma autêntica paixão de verão. Todos têm cores vivas, todos têm padrões e personalidade e, por isso, acho que combinam um bocadinho mais comigo. Eu, honestamente, sinto-me muito feliz com eles. Ando há dois anos a trabalhar diretamente com quem vê, faz e produz moda e a ver imagens de streetstyle e de gente gira, com um estilo que eu às vezes pensava que poderia facilmente ser o meu, só me faltava coragem e “um bocadinho assim”. E é fixe conseguirmos estar mais próximos do ideal que desejamos para nós mesmos. 

 

IMG_2473.JPG

 


4 respostas a “Apaixonada pelos meus vestido de verão”

  1. Avatar de
    Anónimo

    Bendita seja  a tua mãe .

    Amaria

  2. Avatar de Flávia

    E que bem te fica o vestido! Beijinhos

  3. Avatar de
    Anónimo

    Infelizmente só acredito que temos uma única vida, pelo que acho que devemos vivê-la de forma arrojada, cabeça no lugar, mas livres para os que nos der a real “gana”. Andarmos a inventar que não temos o corpo ideal para certo tipo de peças de vestuário (seguindo o alinhamento do título do post) é tudo desculpa para não assumirmos como somos. Se fossemos todas “gorduchinhas” ou todas “magrelas” perdia a piada, e deixávamos de olhar de lado umas para as outras J esta é a essência das mulheres terem sempre que dizer!

    Use, e abuse da oferta que existe mercado, desde que se sinta confortável, este é sobretudo o termo adequado, caso nos questionem se estamos a acompanhar a moda. Quando a mãe se refere a isonssa talvez seja para lhe dizer: filha tens um ar asiático que te permite fazer uma panóplia de outfit imensa, deixa os básicos de lado que nem para dormir devemos usar, com tanto pijama lindo de morrer que podem muito bem parecer um outfit.

     

    Parabéns pelos textos!

    Milicas

  4. Avatar de Susy
    Susy

    Posso copiar ? 😉 onde compraste? 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *