Há uns dias recebi uma newsletter da Salsa que tinha umas calças que eu achei graça. Fui ao site e acabei por explorar mais um bocadinho – é uma marca portuguesa e, podendo, acho bem que compremos aquilo que é nosso. Nunca fiz muitas compras na Salsa e só uma vez fiz uma compra online, sobre a qual escrevi aqui, uma vez que fiquei tão surpreendida – pela positiva – pelo serviço que prestaram.

Mas bom, andava eu a ver as calças e as camisas e reparei que eles (como outros, provavelmente) têm lá uma indicação de “top seller”. E eu pus-me a pensar naquilo e em como essa indicação, que tem de certeza como objectivo vender mais (não há nada nos sites que seja feito para “não comprar”), a mim não me atrai minimamente: se há coisa que eu detesto é ver pessoas com roupas iguais às minhas – e se um artigo é dos mais vendidos, a probabilidade de ver alguém na rua com uma peça igualzinha à minha é maior, certo?

Gosto de pensar como, muitas vezes, as coisas são tão ambíguas – e a parte do marketing e de vendas é algo que, honestamente, me desperta interesse e acarreta muitos riscos, porque a mensagem pode ser interpretada de mil e uma maneiras. Suponho que quem pensou nesta medida a fez com o objectivo dos consumidores perceberem que esta é uma peça que, por exemplo, veste bem, ou tem bons materiais ou é gira e está na moda – por isso as pessoas têm ainda mais razões para a comprar. Mas, em mim, tem o efeito contrário. Não é que eu seja a amostra mais fidedigna, mas enfim. A verdade é que as estratégias de comunicação e de vendas estão por todo o lado – mesmo onde nós achamos que são coisas “naturais” e frutos do acaso – por isso é sempre interessante pensar no efeito que este tipo de técnicas surte em nós. No fundo, virar o feitiço contra o feiticeiro.


4 respostas a “As ambiguidades das estratégias de vendas”

  1. Avatar de Ana
    Ana

    A mim dá a entender que é algo do género, se os outros têm também tens de ter. É como quando usam o “must have”. 
    A mim também surte o efeito contrário, gosto de ser original e não andar vestida igual a toda a gente.

  2. Avatar de Mena

    O marketing faz-se para as maiorias. Eu também não percebo porquê, mas a verdade é que a maioria das pessoas quer o que todos têm, se não não se justificava tanta gente “igual” pelas ruas. O efeito contrário também está previsto certamente, que não é área onde se deixem coisas ao acaso.

  3. Avatar de Aninhas
    Aninhas

    Pois é, as fábricas não fazem só uma peça, fazem mtas em série! E da salsa então há pr aí aos montes! Até nas feiras! Peças únicas, tem k ir a um bom estilista k faça uma só, a seu gosto! Eu se não vejo nada igual ao k tenho, penso k tive mau gosto, e ponho de lado!

  4. Avatar de Rooibos

    Isso era a técnica que o senhor da loja da “santa terrinha” usava quando eu ia às compras com a minha mãe e eu dizia que não gostava de uma peça de roupa. “Olha que os rapazes da tua idade usam muito disto”, dizia ele.
    Nunca fui de modas (nem na roupa, nem noutras coisas), por isso nunca me convenceu com este argumento.

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