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Comprei este livro online, sem nunca o ter folheado; sigo há relativamente pouco tempo esta família e achei que o livro “viajaria” por alguns destinos que tinha na minha lista a curto prazo, pelo que achei que seria uma boa ajuda e que poderia seguir de guia. Não aconteceu.

A qualidade física da edição é evidente, entre papel e capa. Mas mal abri o livro e olhei para a fonte escolhida (e o tamanho e o espaçamento), não gostei do que vi; o meu primeiro pensamento, ainda que um pouco exagerado, foi que se parecia a um livro de crianças.

Não costumo ler livros sobre viagens (sejam crónicas ou relatos simples) – embora seja um estilo que aprecie e que tendo a fazer muito -, mas infelizmente não acho que este seja um bom exemplo. Primeiro porque, sendo um livro, esperava relatos extensos, descritivos, que acrescentassem algo; percebo que nas redes sociais não haja espaço para grandes escritos (nem paciência dos leitores) mas, com um livro, a predisposição é diferente – e, na minha perspectiva, era exigido mais. Nesta obra tudo fica pela rama. Faltam coisas simples – em que hotel ficaram, qual é o nome do santuário de elefantes a que foram, qual é a moeda usada em cada país, etc. Tanta coisa…

Para além disso, falta edição. É gritante a ausência da mão de um editor. Apontei uma frase como exemplo: ” Numa pausa rápida para almoço, tínhamos um buffet com banana assado, vários tipos de arroz, vários tipos de carnes e peixes e vários tipos de molhos”. Vários de vários de vários. Repetições constantes. Escrita muito pouco coloquial (com o uso excessivo da palavra “coisas”, por exemplo – uma muleta que é muito usada na oralidade, mas que num livro devia ser poupada) e falhas ao nível da pontuação.

Acredito que esta família tenha muito para contar – e é óbvio que, com filhos às costas e um doente renal, são uma fonte de inspiração para muita gente, que faz de pequenos pormenores autênticos obstáculos, quando não tem de ser assim. Mas um livro não é um post no Instagram ou num blog; um livro pede mais. Ou, pelo menos, devia.


4 respostas a “Chávena de Letras: “All Aboard Family””

  1. Avatar de Inês

    Gosto muito de seguir a conta de IG, mas não conhecia o livro.

  2. Avatar de Hugo Mota
    Hugo Mota

    Por isso a função de revisor é tão importante num jornal, como numa editora. 
    Contudo num mundo em alta rotação e prego a fundo, o imediato, é que conta. Não há tempo para alguém rever. Não há tempo para melhorar o banal. Não há tempo para abraçar a qualidade.
    Afinal, as férias estão quase aí, e há que tentar vender antes delas começarem. 
    Em Dezembro ninguém vai comprar livros de belas praias…

  3. Avatar de s o s
    s o s

    tem razao, absolutamente. Todavia desconhecemos o objetivo do livro, logo dos autores.
    Nao é o caso pois o livro é fisico,  mas existem “livros” mostrados na rede, mostrada uma parte para vender a outra. 
    Ainda assim  será feitio da autora ser exigente.
    Recentemente, poucos dias, um amputado de 43 anos chegou ao cume do everest. 

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