Isto tem sido uma viagem e tanto – muito mais emocional do que propriamente de passeio. Tem sido duro e tão bom ao mesmo tempo. Por um lado é a prova de que já sou adulta, que não preciso de álcool para me sentir crescida (desculpem, foi uma private joke para o post anterior); por outro também foi a evidência de que embora já sobreviva sozinha, estou melhor no colo dos que me querem, porque é o único sítio do mundo onde me sinto querida e amada.

Esta viagem é pura e simplesmente uma daquelas experiências a que chamamos “crescer”. Às vezes dói como o caraças, outras sabe a liberdade pura. Passei por estes dois extremos tantas vezes ao longo destes dias, em que lutava contra o cansaço, o medo, o desconhecido, que dei por mim a procurar muitas vezes o conforto na única coisa que aqui me era conhecida e confortável, porque vivo com ela há anos: a solidão. Nos momentos de aperto – e não só – escondia-me nos arrumos atrás do computador, com o trabalho como pano de fundo, e limitava-me a relaxar e a racionalizar.

Não devia e acho que esse é um dos meus grandes problemas – mas também uma das minhas virtudes, quando é feita no momento certo. Não consigo não racionalizar aquilo que sinto e que penso, o que por vezes torna as coisas mais confusas do que já são. No meio de tudo isto, foi o factor social que mais mexeu comigo: a quantidade de pessoas que tive de me relacionar, falar, privar, deu-me cabo do sistema. E, chegada ao fim da feira, mal pus os pés do metro já a caminho do hotel, dei por mim com uma necessidade imensa de escrever, com as lágrimas a quererem escorregar-me pela cara a abaixo e com uma vontade louca de ouvir as músicas que me aquecem a alma, porque só assim é que iria conseguir despir-me de tudo isto que me invadiu nos últimos dias. Adorava, a partir daquele momento, viver esta cidade, descobri-la e arquivar esta experiência e estuda-la mais tarde: mas há coisas que nos ultrapassam, que nos passam a ferro, que nos deixam sem folga para respirar. E, naquela carruagem, o que senti não era saudade, não era tristeza, não era medo: foi descompressão, foi aceitação, foi alívio e foi dor, por ter andado a remexer – ainda que de forma despropositada – em partes de mim que me doem particularmente. 

Um dia alguém me deixou aqui um comentário que me fez chorar as pedras da calçada. Não por ser um hater; pelo contrário, foi por ser alguém que, só por me ler, pareceu conhecer-me melhor do que eu própria e dizer coisas que eu não queria admitir. Um dos meus filmes preferidos é o “The perks of being a wallflower”, que fala basicamente de alguém que não se integra por problemas interiores e acaba por se meter num grupo, que viria a ser o dos seus amigos, mas que aos olhos dos outros é completamente louco. Numa das frases do filme, proferida por Emma Watson, ela diz “we accept the love we think we deserve”. E no fim desse segmento, eu chorei que me matei, porque isso foi como uma flecha que me atingiu no sítio certo. E doeu muito.

Digo muitas vezes que sou anti-social e muitos vêm dizer-me que não é verdade. Tudo bem, pode não ser: mas os problemas de socialização existem, de facto, em mim, e sempre foram o ponto fraco da minha vida. Sofri muito, com muita gente, e isso mantém-se até hoje. Sinto-me incapaz de confiar ou me entregar a alguém, mesmo que seja uma pessoa em que ache que deva investir. O medo de não sair de poços demasiado profundos como os que já caí fala demasiado alto e acabo sempre por perder quem gosto, de uma forma ou de outra.

Isto custa a escrever, mas já estou para o dizer há muito – e foi, aliás, aquilo que me deixaram um dia na minha caixa de comentários: sinto que não sei amar nem ser amada para além daqueles com quem já nasci. Num misto de falta de confiança em mim própria e também na confiança dos outros, acho sempre – e sempre, é sempre – que as pessoas não gostam de mim, não gostam da minha companhia ou de estar comigo. E sinto que aos 21 anos desisti de esperar outra coisa por parte delas; mas, de forma igualmente proporcional, faço o máximo para que gostem. É estranho, algo contraditório, mas que não consigo explicar na sua plenitude. E acima de tudo é triste.

Nesta semana que tive fora, esta realidade embateu contra mim como se de um camião se tratasse. O contacto com pessoas novas, as exigências, as diferentes formas de ser e, acima de tudo, a necessidade de me agarrar a alguém para não me sentir abandonada, fez-me perceber que tenho uma série de barreiras na minha vida que me causam imensa dor, mas que eu vivo com elas há tantos anos que já nem noto. Tenho pensado muito, colocado muitas das minhas teorias à prova e tantas outras coisas em perspetiva.

Esta não foi uma viagem de lazer, e por muitos mais dias que ficasse, nunca seria. E para além de ter sido de muito trabalho, muito cansaço e muitas olheiras, esta foi acima de tudo uma viagem de auto-descoberta, tão dolorosa como produtiva. Por um lado sei que foi valiosa, mas por outro só quero voltar ao ninho, e reorganizar todas estas gavetas dolorosas que abri e tornar a fecha-las a sete chaves durante tempo indeterminado. Porque este exercício, apesar de bom, cansa-me a alma.


19 respostas a “Este post é sobre uma viagem, mas não é um diário de bordo”

  1. Avatar de C.S.

    Ainda bem que fizeste essa viagem. Posso só dar-te um conselho,  (não lhe queria chamar assim, desculpa, longe de mim querer parecer presunçosa), não feches as gavetas novamente a sete chaves. Encosta-as, mas assim que te sintas confortável volta a abri-las. Deste um grande passo é, pelo que descreves, conseguiste fazê-lo sozinha e com sucesso, pensa nisso para que te possas tornar mais forte e valoriza-te não dando tanta importância ao que os outros possam opinar sobre ti. 

  2. Avatar de vanita

    Vais ficar bem, minha Sweet Caroline. Tenho a certeza disso. Não fosses tu tão parecida comigo. É muito bonito ver-te crescer deste lado. Dói, mas vai passar. Aproveita ao máximo esta experiência 🙂

  3. Avatar de Torcato

    Ora bem, apesar de ensonado não posso deixar para amanhã o que estou a sentir agora, pois certamente não iria sair um rabisco igual.
    Quero começar por dizer que isto foi, no mínimo, corajoso. Mesmo “à mulher do Norte, carago!” E sim, esta é a forma como vou abordar a temática que, apesar de séria, precisa de um salteado de palermice. Aliás, as minhas limitadas capacidades não permitem outra maneira. Lamento.


    Não conheço o teu blogue há anos nem o li de uma ponta à outra. Contudo, sinto-me minimamente dentro dos assuntos mais recentes. Neste período mais actual (que é como quem diz no último ano), tenho-me apercebido do teu crescente “à vontade” em expor assuntos mais pessoais. Porque sim, os blogues podem perfeitamente ser filtros de felicidade e existe sempre a opção de escrever apenas em momentos positivos. Aplaudo-te por rasgares esse contrato. Aliás, e tal como dizes, não é fácil mandar essas coisas cá para fora. Despires-te dessa maneira.

    Além de seres uma movie crier, característica que a meu ver diz muito das pessoas, ficou-me na cabeça a parte em que falas da contradição do “já não esperas nada Vs tentar agradar”.
    Eu creio que, de uma forma geral, todos nós tentamos agradar aos outros, independentemente do quão restrito é esse grupo de outras pessoas. Até podemos só tentar/querer agradar a uma pessoa. Mas queremos. Faz parte da nossa natureza. Se assim não fosse, nunca estaríamos tristes ou desiludidos ou desmotivados porque, queiramos ou não, a vida é esta interacção constante com outras pessoas e, em maior ou menor grau, são elas quem influenciam o nosso estado emocional. Se a solidão existe e se a sentimos, é porque conhecemos o outro lado. Caso contrário, a solidão não seria solidão. Não é necessariamente má. É má se for sempre, porque acredito que haverá uma altura em que precisamos de alguém. Talvez seja essa a sensação que leva ao grande número de casamentos/junções dos dias de hoje e que terminam como bem sabemos. O velho medo da solidão.

    Adiante, que sinto que já me perdi. Comecei este comentário mais com o intuito de te deixar uma das minhas passagens preferidas de sempre de uma história. É do Sputnik, meu Amor, do Murakami. Como não sei se já leste, deixo um rápido contexto:
    Um dos temas principais (talvez o principal até!) da obra é a solidão. De estarmos todos aqui tão perto uns dos outros e, ao mesmo tempo, tão mergulhados nos nossos trabalhos e “vidinhas” que nos esquecemos do básico. A história anda em torno de 3 personagens principais e o autor recorre por diversas vezes aos satélites como analogia. A passagem que te deixo:

    “Porque será que estamos condenados a ser assim tão solitários? Qual a razão de tudo isto? Há tanta, tanta gente neste mundo, todos à espera de qualquer coisa uns dos outros e, contudo, todos irremediavelmente afastados. Porquê? Continuará a Terra a girar unicamente para alimentar a solidão dos homens?

    Virei-me de costas sobre a laje de pedra, fitei o céu por cima de mim e pus-me a pensar na quantidade imensa de satélites que naquele preciso momento deviam girar à volta da Terra. No fio do horizonte era ainda possível distinguir uma réstia de luz, e as estrelas começavam a brilhar no céu de um profundo tom púrpura. Procurei com o olhar a luz de um satélite, mas havia demasiada claridade para distinguir fosse o que fosse a olho nu. As estrelas que estavam à vista permaneciam imóveis, cada uma no seu sítio, como se cravadas no céu. Fechei os olhos e prestei atenção para ver se conseguia ver os descendentes do Sputnik que continuavam a dar voltas à Terra, tendo como único elo de ligação ao planeta a gravidade. Solitários pedaços de metal que se encontram de repente nas trevas do espaço, cruzam-se no seu caminho e depois separam-se para sempre. Sem trocarem uma palavra, sem fazerem uma promessa.”

    P.S.: Por causa do “Perks”, tenho que te impingir pelo menos estes: Disconnect(2012), Short Term 12 (2013)  e Beginners (2010). Give it a try 🙂

  4. Avatar de Ana Silva
    Ana Silva

    Como costumo dizer ” Crescer custa muito.”

  5. Avatar de Margarida

    Vermos alguém crescer por trás de um computador tem tanto de bonito como de penoso. Crescer dói, tira-nos o tapete debaixo dos pés muitas vezes mas também leva as nossas certezas de outrora e faz-nos olhar para as coisas de outra maneira.
    Regressa ao teu ninho, descansa, dorme sobre essas gavetas abertas e descobre a melhor maneira de lidar com elas. Depois de uma experiência dessas, dificilmente conseguirás guardar tudo a sete chaves outras vez!
    Um beijinho grande, minha querida.

  6. Avatar de captain

    Carolina, ao ler este texto lembrei-me imediatamente do comentário que te deixei há algum tempo atrás e é inevitável não pensar que foi o meu comentário que te “abalou” assim tanto. Mas também não é isso que importa, de todo, para o que te quero dizer.
    Quando escrevi aquele comentário (e sei que entendeste isto), foi com a melhor intenção: foi mostrar-te que, apesar dos teus medos e receios, tinhas e tens todo um rol de características fantásticas que contrabalançam com as tuas inseguranças. Acima de tudo, quis mostrar-te que te entendia, que compreendia os teus medos e que conseguia compreender a tua forma de estar na vida e no mundo. Que essa forma de estar era mais do que natural tendo em conta a tua história de vida. Queria que sentisses empatia, compaixão, porque era mesmo o que eu queria passar-te: era força, amor, compreensão, ajuda, amizade, tudo! Ainda por cima porque te leio há tanto tempo e sei que tens tantas coisas incríveis dentro de ti, que me irrito só de pensar que tu não as consegues reconhecer!
    Admiro tanto a tua força, a tua coragem, a tua determinação, porque ok, tens medos, inseguranças, dúvidas, mas tu pegas nisso tudo e mesmo assim sais da tua zona de conforto, desafias-te! Isso é tão incrível, Carolina! Isso é o processo de mudança a ocorrer! Mudar custa, traz sofrimento, dói como o caraças e às vezes sentimos que não temos em nós a força necessária, temos medo de falhar, de desiludir os outros, de sermos um fracasso, de não conseguirmos recuperar do embate. Mas são pessoas como tu que me inspiram, que me fazem pensar e sentir que vale tão a pena arriscarmos e darmos um passo em frente mesmo que todas as células do nosso corpo se encolham de medo 🙂
    Olha esta viagem, Carolina. É como tu própria disseste: mais do que uma viagem de negócios, ou lazer, foi uma viagem de auto-conhecimento. E é uma viagem que tu estás a percorrer há tanto tempo que nem te dás conta; mas estás a avançar, a dar cada vez mais passos na direcção certa e quem te lê sente isso. E depois há outra coisa: a capacidade que tens em ler os significados dos teus sentimentos e pensamentos; a forma como consegues conectar-te a eles e compreende-los. Eu sei que talvez aches que isso é banal, mas não imaginas a quantidade de pessoas que têm tanta dificuldade em aceder aos significados verdadeiros das suas emoções. Essa forma de inteligência, a emocional, está em ti e na libertação que a escrita te proporciona 🙂
    Em relação aos teus medos específicos, podíamos todos dizer-te mil coisas, mas não precisamos. Sabes porquê? Tu estás a lidar com eles da forma correta, enfrentando-os, e estás a conseguir 🙂 Só precisas de feedback positivo! E mais: todos temos inseguranças. Fazem parte do crescimento, ainda bem que existem, sabes? Preparam-nos, colocam-nos alerta. E convivermos com eles faz parte do processo de nos conhecermos, de nos aceitarmos.
    O que li hoje neste texto foi aceitação. Aceitares que ok, eu tenho dificuldade em dar-me aos outros e eu aceito isso. É o teu obstáculo, a tua pedra grande no teu desenvolvimento, mas tu és capaz e estás a dar cabo dele 🙂 Eu sei que te traz sofrimento, mas a dor, por vezes, é necessária para que possamos resignificar as experiências e o nosso olhar para o mundo.
     Força, confiança e continua a inspirar-nos a todos. Porque, acredita, para mim, és uma referência, um modelo de coragem.
    Beijinho muito grande minha querida (e desculpa este testamento!) 🙂

  7. Avatar de Nuvem

    Ao ler o teu texto fiquei com uma vontade enorme de te abraçar!
    Crescer dói. E ai de quem diga que não. Dói muito, até. Mas também nos ensina. E acredita, vais começar a aprender muita coisa, nomeadamente a lidares com essas situações.
    Não sei se vais conseguir fechar tudo outra vez..mas o teu coração há-de ajudar-te! agora, desfruta desse teu cantinho!*

  8. Avatar de Carolina

    C.S., longe de mim achar-te presunçosa. Estou-te simplesmente grata pelos conselhos. Por muito que queira, acho que as gavetas nunca mais se fecham por completo.
    Beijinho e obrigada mais uma vez*

  9. Avatar de Carolina

    Bem sei que sim  Aproveitei ao máximo e nada como umas horas valentes de sono para sarar as feridas que ficaram ao ar. Tudo vai lá com calma!
    Beijinhos, querida Vanita

  10. Avatar de Carolina

    Às vezes custa mesmo. Mas é a vida. Traz-nos também muitas coisas boas. 

  11. Avatar de Carolina

    Obrigada pela companhia constante, Margarida. Como sabe bem termos pessoas sempre do nosso lado, embora longe e mesmo sem nunca lhes termos posto a vista em cima 🙂
    Já estou em processo de descanso e a calmia já está de volta. Foi simplesmente muita coisa para processar. Mas, como é óbvio, há coisas que não voltam a ser como eram – as gavetas podem fechar-se, mas a disposição delas é obrigatoriamente diferente.
    Obrigada por tudo. Grande beijinho 

  12. Avatar de Carolina

    Obrigada Nuvem! Ainda que longe, senti o quentinho de um abraço virtual!
    Com calma, tudo volta ao seu caminho normal 🙂
    Beijinhos

  13. Avatar de Carolina

    Obrigada Torcato 🙂

    Este blog vai fazer seis anos mas já há oito que escrevo e posso garantir que a única coisa comum em todos os textos que escrevi é a verdade. Que ninguém conte comigo para posts de fachada ou de felicidade falsificada – eu sou aqui feliz quando estou feliz, e triste quando estou triste. Lendo o blog há um ano não acompanhaste fases anteriores, mas posso dizer-te que este blog já teve muito mais de negro do que de colorido – e mesmo aí, ainda que sabendo que não é fácil as pessoas lerem coisas constantemente negativas, escrevia-as, porque para além de toda a “comercialidade” aqui patente, este blog é acima de tudo meu.

    Também achei curioso o facto de achares que me tenho aberto mais. Acho que é algo que também vai por fases – hoje em dia há muitos campos que não me exponho tanto, há outros que se calhar o faço mais (se calhar, nem eu tenho bem noção e vocês é que estão certos). Às vezes, por certos comentários ou reações, apercebo-me que não devia ter dito isto ou aquilo e é mais uma porta que fecho – portanto a ideia que tenho é que gradualmente a minha exposição vai sendo cada vez menor, para evitar danos colaterais. Mas há assuntos – como a minha anti-sociabilidade – que sempre estiveram na ordem do dia. E a sorte é que me vou esquecendo de algumas coisas e, passado uns tempos, volto a escrever sobre elas.

    Mas bem: quando li este comentário, estava tão KO que quando li o que escreveste sobre ser uma movie crier… fui ver o que isso era ao Google. Acho que o cansaço me tira a capacidade de perceber inglês, ahahahahahah! Fiquei chocada com a minha própria totózisse. Mas, já agora, que características atribuis a uma movie crier? Nunca tinha pensado nisso.

    Quanto ao livro, já o tive aqui em casa e nunca o li. Tentei ler Haruki quando era muito nova e aquilo marcou-me pela negativa, nunca mais tentei lê-lo desde aí. Talvez um dia. E obrigada pela citação. É de facto muito bonita. Sei que ele é um escritor incrível e tem uma beleza na escrita muito particular. Está em lista de espera para quando tiver inspirada.

    Quanto aos filmes, “Begginers” já cá canta! Faltam os outros dois, vou pesquisar.

    Obrigada pela força de comentar às tantas da manhã e pelo elogio da mulher do norte, ahah. Beijinhos!

  14. Avatar de Nuvem

    Ainda bem que sentiste, é verdadeiro! Beijinhos enormes ❤️

  15. Avatar de Carolina

    Acho que a identificação não era difícil. Recebo muitos comentários, mas não são tantos assim os que me marcam. E, na altura, disse-to que me tinha tocado muito. E este também tocou – li-o quando estava a falar escala do voo entre Munique e Lisboa. Abri-o quando aterrei em Lisboa, depois fui a correr para a porta de embarque para apanhar o voo para o Porto que estava a minutos de perder, e quando cheguei ao avião li-o outra vez. 
    Às vezes é difícil acreditar-mos naquilo que nos dizem, de pessoas que nos vêem de forma tão diferente – e tão mais positiva – do que nós próprios nos vemos. A Carolina que tu descreves não é a Carolina que eu vejo e sinto – mas, num misto de vaidade e incredulidade, não posso esconder que me tocam muito as tuas palavras, e que espero mesmo que sejam verdade.
    Para além de tudo mais, dão-me muita força para continuar. Obrigada por tudo. E desculpa ter-te usado como exemplo, mas acho que era a forma mais clara que tinha para transmitir aquilo que precisava. Ao mesmo tempo, foi um agradecimento. Nem tudo o que nos faz chorar é mau – mesmo quando o choro é de dor. Às vezes resolve-nos as nossas dores interiores. Estou-te grata por isso.
    Muitos beijinhos.

  16. Avatar de captain

    Acredita que todas as minhas palavras são verdadeiras. Ainda hoje estava a ler o resumo que fizeste da tua viagem e só conseguia pensar como tu és de aço, corajosa e consegues ultrapassar os desafios que a vida te vai colocando. Até me comecei a imaginar no teu lugar e questionei-me se teria a tua força, a tua coragem e determinação!
    Sei que às vezes (ou quase sempre, vá!) é difícil vermos as coisas boas em nós próprios e acho que somos todos uns experts em apontar os nossos maiores defeitos e falhas. Estas lentes com que nos vemos vão mudando à medida que nós próprios também mudamos e há dias em que estão focadas no positivo e outros, infelizmente, que só ampliam o que de menos bom temos. Mas para esses dias é que estamos cá nós, os outros, os que gostam de ti, os que lêem o teu blogue: para evidenciar tudo aquilo que tens de tão bom e em quantidades industriais 🙂
    Quando li o texto e percebi a magnitude que o meu comentário teve fiquei com um aperto no peito e fiquei muito triste por te ter colocado num estado emocional de sofrimento e tristeza. Mas depois compreendi que não estavas “zangada” com as minhas palavras, quanto muito estavas zangada com a possível verdade que elas pudessem conter. Ainda assim, acho que aprendi uma lição, que foi ter cuidado em dizer aquilo que penso, ainda que tenha a melhor das intenções. Porque eu não queria mesmo magoar-te e só queria colocar-te um sorriso no rosto.
    Tu és mesmo uma pessoa especial, Carolina e acho que me identifico muito contigo porque eu também sempre me senti um bocado aparte dos meus amigos e das pessoas da minha idade. Sempre me senti uma “alma velha” num corpo jovem, porque aquilo que gostava (desde as músicas aos filmes e livros, por exemplo), o que pensava era tão diferente dos outros que às vezes sentia que falava uma linguagem diferente. Mesmo a questão que falavas, do álcool, poderia ter sido eu a escrever esse texto! E revejo muito de mim em pensamentos que expressas aqui, na tua visão das coisas 🙂 Por isso é que eu ia adorar ter-te como amiga, porque ao menos íamos ser duas E.T’s mas a falar a mesma língua! E é também por isso que procurei focar tudo de bom que há em ti: porque sei que quando remamos contra a maré, contra o que é normal e esperado, nem sempre mantemos, do início ao fim, a certeza de que estamos a ir no rumo certo. E que daí surgem, muitas vezes, dúvidas sobre nós próprias e o nosso valor. Tenho aprendido que ser diferente é fantástico e seres como és, é o que te permite, por exemplo, viver estas aventuras e desafios com esta garra e maturidade, desafiando a vida como nunca vi! 🙂
    Mesmo que te custe acreditar, existe uma pessoa neste universo maluco que quando pensa em pessoas inspiradoras, pensa em ti 🙂 Já leio o que escreves há tanto tempo, já testemunhei tantas fases tuas e é tão giro ver o teu crescimento e como te estás a transformar numa pessoa cada vez mais incrível a cada dia que passa! 🙂 Força, acredita em ti e sempre que duvidares, vem aqui ler as minhas palavras: são 100% verdadeiras!
    Mil beijinhos e boa semana de trabalho 😀

  17. Avatar de Carolina

    Antes de responder, quero culpar o meu cansaço pelos erros de palmatória no comentário acima! Valha-me nossa senhora da ortografia e gramática!

    Era *quando estava a fazer escala e *às vezes é difícil acreditarmos

    (juro que bati a mim própria pelo acreditar-mos. credo!)

  18. Avatar de Carolina

    Obrigada, por tudo. Para eu ficar sem palavras, tem de ser mesmo algo que me toque profundamente! Mas queria pedir-te que, pelo menos comigo, não meças a amplitude das tuas palavras – pelo menos não mais que o normal. Não te conheço, mas se calhar pelo facto de sermos assim tão parecidas como dizes é que as tuas palavras me tocam tanto. Não é fácil isso acontecer, mas quando acontece, e mesmo que doa, é por um bem maior. Costumo dizer que quando verbalizamos ou escrevemos as coisas elas passam a ser reais ou, pelo menos, têm outra tangibilidade. Podemos achar que gostamos de alguém, mas a partir do momento em que dizemos “eu gosto de ti” ou “eu gosto do X” as coisas ganham outra dimensão. E foi isso que aconteceu naquele caso. Não me refiro aos elogios – que agradeço profundamente – mas quando falaste na minha capacidade de amar/ser amada, não disseste nada que eu não soubesse ou sentisse. Disseste algo que eu simplesmente não tinha coragem de dizer – e que, passado uns meses, tive. Foi uma evolução, positiva, e devo-te isso. (Não é estranho como pessoas aparentemente desconhecidas nos podem fazer crescer, sentir e tudo mais? Estranho e maravilhoso :))
    Por isso, queria acima de tudo que soubesses que não fiquei zangada, nem contigo, nem com o teu comentário. Se ficada foi o que fiquei, esse sentimento foi somente dirigido a mim. Mas acho que “zangada” não o descreve bem. Dorida talvez seja a expressão certa. Porque, tal como dizes, às vezes remamos tanto contra a maré que nos questionamos se de facto estamos loucas e se os outros é que têm razão. O tópico daquele post – e deste, em grande parte – são as pessoas, e esse é o ponto fraco da minha vida; bem trabalhado, é a forma mais fácil de chegar a todas as minhas dores. É inevitável, em alguns momentos da minha vida, me perguntar porquê que esta e a outra pessoa já não estão aqui; porquê que estou sozinha – e porquê que quero estar sozinha, quando ninguém parece querer estar e todas as minhas poucas amigas andam sempre com namorados pelas saias ou no encalço. Ou dói por um lado, ou dói por outro. 
    Esse e estes comentários aquecem-me o coração, mas não podem deixar de doer pela verdade que transportam – e é só isso que quero que percebas. Tanto choro como sorrio quando os leio, depende para o lado em que estiver virada. E nestes dias em que a estabilidade emocional é menor, é natural que às vezes os meus olhos dêem realce a coisas que até são boas mas que custam tanto a acreditar ou que tão pouca gente percebe… que doem na mesma.
    O ser humano é complexo. E eu ainda consigo ser pior…
    Desculpa se te fiz sentir mal. A mim, só me fizeste o oposto, e estou-te mesmo grata pelas tuas palavras. Nunca mais me esqueci daquele comentário e tenho a certeza que não me esquecerei destes. Significam muito para mim.
    Obrigada. Beijinhos e uma óptima semana para ti também!

  19. Avatar de Torcato

    Que assim continue sempre: puro.

    Bem, se agora tenho a impressão que te abres mais e, na verdade, tens mais portas fechadas, então imagino há uns anos atrás! Ainda hei-de pegar nesses posts.


    Acontece, o cansaço (principalmente aliado ao pré-sono) tem dessas coisas 🙂

    Claro que nada pode generalizar-se, mas na minha cabeça os movie criers têm traços característicos. Do que tenho notado, são pessoas com tendência sentimentalista, principalmente a nível familiar. Têm um grande suporte à dor física (resistência física), mas fragilizam-se facilmente com palavras e acções. Carregam alguns fantasmas do passado, e por vezes nem dão conta que estão ainda por resolver. Gostam muito de música, ouvem vários géneros e também a música os toca com relativa facilidade.
    É isto que me ocorre agora assim mais superficialmente e que é comum à esmagadora amostra de para aí meia dúzia de movie criers que conheço (me included!).

    Devias mesmo tentar, tenho a certeza que te vai agradar 🙂
    Isto porque tu gostas de HP e de Twilight, portanto imagina uma escrita sem esse universo fantástico, mas onde paira sempre uma pincelada sublime de surrealismo. Na medida em que a história é com personagens “normais” como tu e como eu, mas o ambiente tem sempre um misticismo surreal.

    Quanto aos filmes, investiga também que vais gostar.
    Beijinhos, mulher do norte 😉

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