Oito bebés. A Molly deu à luz oito bebés.
Sabíamos que ela estava grávida há algumas semanas mas eu decidi não contar nada até os ver cá fora e digerir toda a informação necessária. Porque não tínhamos a certeza de quem seria o pai das crias – tendo em conta a relação extra-conjugal que minha cadela vive com o vizinho – e porque eu, como qualquer “mãe”, projetei nela os meus próprios medos: acima de tudo, um pânico enorme de que lhe acontecesse algo terrível durante o parto e eu a perdesse; depois medo pelos pequenos, medo que ela sofresse; e pena que ela não soubesse racionalmente aquilo em que se estava a meter. E, claro, já estava a sofrer antecipadamente por aquilo que irá acontecer: a procura de alguém que os queira, a preocupação de que cuidem deles e os amem e, claro, a dor de um dia deixar de os ter debaixo da minha asa.
Lidei com isso até quinta-feira, dia em que percebi nitidamente que ela tinha entrado em trabalho de parto. Só às 17h é que nasceu o primeiro bebé – mas eu estive com ela desde as 9h da manhã, à espera que tudo evoluísse. Não tenho problemas com o que estão a pensar neste momento: “és louca!”. Eu sei que é só uma cadela para a maioria das pessoas. Para mim é “a” cadela e eu tinha de estar lá para ela como ela está lá para mim, em todos os momentos. Eu precisava de ter a certeza de que nada lhe acontecia (li muita coisa durante aquelas horas para já estar prevenida de antemão), de que os bebés nasciam bem – e porque queria testemunhar aquele momento. Porque eu queria estar lá e porque eu sabia que ela queria que eu lá estivesse – caso contrário não me perseguia pela casa nos breves minutos em que eu me ausentava.
Foi um dia longo e cansativo, com o rabo alapado à tijoleira, até ao momento em que ela quase se atirou para cima de mim e eu vi o primeiro a sair. Valeu todos os minutos de espera. Ao todo, entre as 17h de quinta-feira e a 1h da manhã de sexta, saíram cá para fora oito cãezinhos pretos, quatro meninas e quatro meninos – claramente filhos do vizinho, um labrador preto (uma prova evidente do adultério da minha cadela).
Ontem, infelizmente, chorei (literalmente) a morte de um menino. Agora a contagem de um a sete é uma constante sempre que os vejo, na ânsia de não perder mais nenhum. Tem sido um namoro e uma preocupação sem igual. Passo a maior quantidade de tempo possível com eles, e é a primeira coisa que faço quando acordo e a última antes de me deitar. Não quero ir trabalhar, não quero ir às aulas, não quero sair de casa – quero ficar ali, com eles, e aproveitar estes momentos em que eles parecem uns ratinhos, porque sei que daqui a nada já me estão a morder com os seus dentinhos afiados e a correr pela casa inteira. Tenho aproveitado muito, tirado muitas fotos e pretendo guardar estes momentos para sempre no meu coração. São filhos da Molly, mas é quase como se fossem “meus”.







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