Sempre fui fanática por jogos de tabuleiro. As tardes em que os meus primos alinhavam em jogar Cluedo eram de longe as mais felizes para mim – de tal forma que eu dava TUDO para ganhar, para desfrutar daquilo ao máximo, para não perder nenhum detalhe. Era uma festa.

Mas era coisa para acontecer uma vez por ano, se tanto. Se os ajuntamentos não aconteciam com muita frequência, conseguir que jogar fosse vontade de todos era um filme sem fim. Pelo que, na maior parte das vezes, os jogos ficavam a apanhar pó. Os meus irmãos já não alinhavam nessas coisas e só com os meus pais também não dava muito jeito. Restava-me jogar o dominó, as damas e o “Quem é Quem” com o meu pai, que sempre me matavam o bichinho (e que me criaram memórias que guardo com muito carinho).

Ao longo dos anos fui comprando um ou outro jogo, muitas vezes em conluio com a minha mãe, que também acha graça a estas coisas. Mas a verdade é que pouco os usávamos – ora no Natal, transformando a mesa de jantar num autêntico campo de batalha, ora quando o Rei faz anos.

Entretanto, quando me apercebi que o meu namorado era fã destes jogos (que foi, basicamente, logo quando começamos a dar-nos, quando ele me convidou para uma sessão de jogos de tabuleiro) agarrei logo a oportunidade. Já tinha, desde há muito tempo, uma série de jogos debaixo de olho – e esta foi a altura ideal para me fazer a eles. Como agora temos vários grupos com quem experimentar, vamos jogando e vendo o que gostamos mais e que dinâmicas funcionam melhor. Até lá em casa está a pegar o bichinho! E a minha mãe já aproveitou para investir num par de outros jogos, que também trago emprestados de vez em quando, só para lhes dar uso. É ao gosto do freguês, basicamente.

No meio desta game fever também os outros se começaram a aperceber do fenómeno e, neste Natal, uma série de prendas contribuíram para o crescimento da nossa coleção. Posto isto, ainda que não me possa considerar (para já!) uma expert na matéria, achei que podia fazer algumas reviews sobre os jogos que mais temos jogado lá em casa. Para já deixo os nossos três favoritos do momento:

 

Scattergories

Este está longe de ser um jogo novo. Foi lançado pela primeira vez em 1988 e já há mais de vinte anos que tem destaque lá em casa. Sempre foi dos que gostei mais, mas sempre achei que ao lado de colossos como o Cluedo ou o Monopólio não tinha grande projeção. Até há um ano atrás não sabia de ninguém que o conhecesse (fora da minha família), mas esta nova edição da Hasbro veio dar-lhe uma nova vida – e em português!, um pormenor que neste jogo acaba por ter alguma importância (a que tinha antes era inglesa).

Mas vamos à pergunta que se impõe: sobre que é? No fundo, o Scattergories é o jogo do stop mas em bom. Vai muito além das categorias de “nomes”, “animais”, “capitais” ou “vips”. Tem vários conjuntos de categorias (de coisas tão normais como “vegetais” a outras tão parvas como “desculpas para chegar tarde”) que têm de ser preenchidas ao rodar do dado, que contém em cada uma das suas faces cada letra do abecedário. O objetivo é completar o máximo de categorias possível (são 12), num determinado período de tempo, com respostas pertinentes e, se possível, diferentes das dos colegas. Não é jogo para quando está tudo mais para lá que para cá, mas garanto ser muito divertido. Para mim continua a ser o melhor de sempre!

 

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Tensão

No Tensão voltam as categorias. Para quem conhece ou já viu o popular concurso de televisão “family feud”, a dinâmica deste jogo vai ser familiar. Aqui ninguém joga por si: formam-se duas equipas e não pode haver batotas, pois é a equipa adversária que controla os avanços da outra. Então é assim: é lançada uma categoria e a equipa que responde tem de adivinhar quais as respostas mais típicas dessa categoria. Exemplos: na categoria “doces regionais”, dizer “pastéis de Belém”, “pampilho” ou “Dom Rodrigo”; quando o tópico é “países frios”, potenciais respostas são a Rússia, a Islândia e outros que tais. Não há limites para aquilo que dizemos nem somos prejudicados por dizer algo que não está listado – mas é preciso manter em mente que o objetivo é conseguir acertar nas respostas que estão no cartão (e que serão, supostamente, as mais respondidas). 

Como o jogo é composto por duas equipas, não há limite de participantes. No entanto, quando são muitos, torna-se difícil decifrar as respostas no meio de tantos berros (o que torna a vida da outra equipa, que está a monitorizar as respostas certas, um bocadinho difícil). Diria que o limite razoável é de 10, 12 pessoas no total. 

A pressão (e a dificuldade) acaba por ser bem menor que no Scattergories, mas é um jogo igualmente muito divertido. E tem o lado do jogo de equipa – que, dependendo do perfil de cada um, pode ou não ajudar à festa.

 

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Dixit

O Dixit tem, à partida, um entrave: parece difícil de explicar (e, consequentemente, de jogar). Mas a verdade é que não é. Primeiro estranha-se, depois entranha-se – e consegue ser muitíssimo divertido, pois demonstra que a forma como cada um vê as coisas é diferente da do outro ao lado. Dizem que uma imagem vale mais de mil palavras – e aqui se demonstra que vale mesmo!

O jogo baseia-se em descrever uma imagem (de um conjunto de cartas que são distribuídas à partida por cada jogador) através de uma palavra, uma frase, uma canção, um filme… qualquer coisa. O objetivo é que essa pista não seja nem muito óbvia nem muito difícil – de forma a que, no final, algumas pessoas indiquem que aquela foi a carta descrita, mas outras sejam despistadas por outras cartas colocadas em cima da mesa pelos outros jogadores. Em cada ronda há, em cima da mesa, tantas cartas quantos jogadores (pois todos escolhem, do seu próprio baralho, uma carta que se identifique minimamente com a descrição dada pela primeira pessoa). No final, vota-se: qual é, afinal, a carta “inicial”, que recebeu aquela descrição? Quem acertou ou conseguiu enganar os outros (com a carta que entregou), ganha pontos; quem não o fez, vai ficando para trás.

Tem a grande vantagem de poder ser jogado com pessoas de todas as idades (algo que não se pode dizer dos dois jogos anteriores, que exigem alguma cultura geral) e de depender apenas da criatividade e imaginação de cada um. Para além de que se podem comprar packs de expansão (mais cartas, com mais imagens), para que o jogo nunca se torne repetitivo. É muito, muito giro ver a interpretação que cada um faz de uma imagem que é, aparentemente, simples. E é surpreendente a quantidade de referências e ideias que uma imagem transmite. 

Foi o jogo escolhido para a noite de Ano Novo e ficamos de tal forma embrenhados que as 12 badaladas estavam a passar e nós a contar os pontos. E a verdade é que, por vontade de alguns, ainda lá estávamos. É incrível!

 

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Como é: partilho mais jogos que tenho descoberto nos últimos tempos?


14 respostas a “Game fever: os meus jogos de tabuleiro favoritos”

  1. Avatar de Nala

    Olá Carolina! Gosto muito de jogos de tabuleiro, apesar de me deixar ficar pelos clássicos a maior parte das vezes. 
    Adorei o post… pessoalmente voto por muitos mais! 🙂

  2. Avatar de Inês

    Adoro o dixit. Outro de que gosto muito é o jungle speed, em que se vão virando cartas e quando estas coincidem, se disputa um totem de madeira 🙂

  3. Avatar de Triptofano!

    Adoro jogos de tabuleiro! Adoro adoro adoro adoro adoro!
    Deixo-te aqui alguns dos meus favoritos:
    Sushi Go
    Vem aí a Troika
    Ticket to Ride
    Agricola
    Picktureka (e um outro parecido com este cujo nome não me lembro onde basicamente tens um quadro cheio de imagens e tens de listar o máximo de coisas existentes começadas por uma certa letra)
    Aiiii como eu adoro jogos de tabuleiro!!!! (e obviamente cartas Magic!!!)

  4. Avatar de Carolina

    Obrigada Nala! A trabalhar nisso, pois ultimamente jogos não me faltam!

  5. Avatar de Carolina

    O Dixit está mesmo muito bem conseguido. O Jungle Speed não conheço… mas faz-me lembrar um, que era tipo “polícia e ladrão”, que também funcionava com a mesma dinâmica (cartas, quando sai uma determinada carta tira-se o totem de madeira… e toda a gente começa a discutir ). Daí as minhas memórias relacionadas com esse jogo não serem brilhantes… 

  6. Avatar de Carolina

    Já tinha visto o Sishi Go algures, os restantes nunca. E confesso que quando li “vem aí a troika” achei que estava a gozar comigo 
    Jogos ainda mais fora da caixa do que aqueles que falei. Vou pesquisar! Obrigada pelas sugestões!!

  7. Avatar de C.S.

    Adoro jogos de tabuleiro. Adoro o Risk, Já jogaste? O Dixit é maravilhoso, mesmo para jogar com miúdos, porque as cartas são lindíssimas e temos de ser criativos e usar a imaginação. 
    Fiquei curiosa com o Scattergories.

  8. Avatar de Brainstorm

    Olá Carolina! 
    Também sou uma grande fã de jogos de tabuleiro e adorei estas ideias, destas só conhecia o Scattergories.
    Por acaso consegues indicar jogos de tabuleiro que possam ser jogados apenas por 2 pessoas?
    Que venham mais posts sobre jogos de tabuleiro!

  9. Avatar de Ana Sapo
    Ana Sapo

    Junta, Agricola, Guilhotina, Tiket to Ride, Catan, Troika (mas nunca joguei), Katamino… e mais…
    Temos muitos lá em casa, depois perdemos mais tempo em escolher do que a jogar.

  10. Avatar de Ana Sapo
    Ana Sapo

    Guilhotina, Catam, Agricola…

  11. Avatar de os3manos

    Tenho o Monopoly e o Paga e Cala… 😀 que classico 😀

  12. Avatar de
    Anónimo

    Obrigada 

  13. Avatar de Daniel Domingues
    Daniel Domingues

    Existe um mundo de jogos de tabuleiro a explorar. O que aconselho é que procures grupos de jogadores que existem pelo pais a fora. Em Lisboa aconselho o Ludoclube. Em Leiria os Boardgamers de Leiria(do qual faço parte), no Porto, Coimbra, Aveiro, Braga e Évora também existem grupos. Basta fazer uma pesquisa por eles no facebook.

  14. Avatar de Sofiazita
    Sofiazita

    Eu apenas gosto de jogar ao dominó e também de jogar às cartas,são os meus jogos preferidos,de resto,nada de especial,fico contente que tu e o teu namorado sejam felizes com todos esses jogos de tabuleiro,no mínimo dos mínimos,acabam sempre por se divertirem,isso é o máximo!!

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