Eu admiro profundamente quem vai ao ginásio e gosta. Porque ter a força de vontade de ir ao ginásio de forma regular já é algo louvável, mas gostar de lá ir é todo um outro nível. E sim, fala-vos a voz da inveja. Porque embora eu não tenha grande vontade de ir ao ginásio, lá vou aparecendo… mas gostar de lá ir é algo que eu queria mesmo ser capaz. Queria tanto, tanto, tanto sair de lá e dizer “uf, mal posso esperar por cá vir amanhã!”. Mas não é isso que acontece.

Não é possível explicar os meus sentimentos em relação a este espaço de uma forma sucinta. Numa só hora eu passo por uma série de estados emocionais, que não fazem de mim uma bipolar mas sim algo parecido com uma tripolar, quadripolar ou, até talvez, pentapolar. Quando entro, apesar de ter pouca vontade, vou esperançosa; quando começa a aula e eu percebo que até consigo fazer os exercícios e estou cheia de energia, sobe em mim todo um entusiasmo exagerado e durante vinte e dois segundos passam pela minha cabeça coisas utópicas como “é este ano que eu vou ficar em forma!” ou “isto está a correr mesmo muito bem”; depois as minhas pernas começam a tremer como varas verdes e eu começo a vacilar, a sentir que não sou capaz, e na escala emocional eu já estou num seis em dez, algo pouco positivo; entretanto chega aquele exercício que já repetimos quatro vezes, que tem vindo a aumentar de dificuldade, e eu já não consigo mesmo mais e sou obrigada a parar – e eu detesto parar, mostrar parte fraca – e a escala emocional começa a subir por ali acima e eu só quero chorar por não conseguir; a cinco minutos do fim, quando o professor diz “só faltam mais duas séries!”, todo entusiasmado enquanto eu já escorro suor pelas orelhas e estou mais vermelha que um tomate maduro, só quero atirar-me para o chão como uma criança birrenta e perguntar “porquê que o tempo não passa? como é que eu me meti nisto? porquê que eu voltei a fazer esta aula?!”; só quando saio do ginásio, ainda com as hormonas e as emoções aos saltos, é que penso “ao menos já posso comer mais um bocadinho” e a coisa ameniza. 

Sei que o que me dá força para continuar é, de facto, a ideia de poder comer e não me sentir balofa – e ter um gym buddy, a minha tia, que me dá força para ir a estas aulas do demónio, que eu só faria uma vez na vida se alguém não me convencesse a voltar. Para além de que eu tenho uma característica que detesto – e que até me assusta – bastante: se me olhar ao espelho depois de ir ao ginásio, acho que a imagem que vejo é muito mais simpática do que num dia que não vá ou, pior, em que tenha feito não sei quantas asneiras alimentares ao longo do dia. E eu sei que isto é psicológico, porque as diferenças não são imediatas, e porque eu sou relativamente estável a todos os níveis: peso (mais do que queria), flacidez (claramente demasiada) e forma física (de uma fora geral: lontra).

Mas enfim, fico sinceramente orgulhosa de mim por, apesar desta autêntica montanha russa de sentimentos, continuar a ir. Acho que ainda não tinha dado a boa nova sobre o meu retorno (ou, pelo menos, tentativa) à vida saudável – que, para além do ginásio, inclui até marmitas ao lanche, a minha maçã cozida, proteínas sem hidratos ao jantar e essas coisas todas -, e estou a empenhar-me seriamente para fazer disto a rotina e não a excepção. Lembro-me perfeitamente de que o ano em que me senti melhor, a todos os níveis (tanto físico como psicológico), foi quando fazia exercício e tinha mão na minha alimentação, por isso estou a fazer um esforço para voltar – tendo em conta que a minha tentativa o ano passado, no ginásio perto do trabalho, foi um flop mais do que gigante (ao ponto de eu até ter vergonha de o mencionar ou sequer de o lembrar…).

Entretanto, ter o bullet journal também tem sido um incentivo: uma das minhas métricas é a contabilidade das idas ao ginásio, por isso é giro (e bom) monitorizar quando lá vou. É fácil perceber quando me baldei (e recriminar-me por isso) ou então ver semanas onde me empenhei (e ficar feliz). Acho que para quem é como eu, é uma boa dica para não faltarem. E pronto, vamos ver até quando dura a boa vontade e a vida de lontra não vem ao de cima. Se isto sobreviver ao Natal, sou uma mulher feliz.


4 respostas a “Ir ao ginásio é uma autêntica montanha-russa”

  1. Avatar de
    Anónimo

    Nunca deste tempo suficiente para passar da obrigação (sacrifício) a um forma agradável de passar o tempo. Não é fácil, mas chega-se lá. Paciência e calma 🙂

  2. Avatar de
    Anónimo

    Escreveste a minha vida no ginásio! 
    1. Não me apetece ir mas vou sentir remorsos se não for
    2. Vá, é desta. Vai ser rápido 
    3. Isto até está a ser fixe. Vamos lá
    4. Preciso de um terceiro pulmão
    5. Desespero, desespero
    6. Vou embora, a rastejar mas satisfeita 
    Ginásio em 6 fases :b também tens vontade de comer uma guloseima porque foste (ou vais) ao ginásio, ou controlas? 

  3. Avatar de Maria Santos Leite

    O anónimo tem toda a razão. Tens que ir direitinho, pelo menos 3x por semana, durante sei lá.. 1 ano.. aí passa a ser hábito, e já consegues ignorar tudo o que há de mau. Até porque todos os sentimentos negativos que descreveste não existiriam se te sentisses mais à vontade naquele meio. Ninguém quer saber se paras a meio! Ninguém quer saber se estás a fazer bem o exercício! Toda a gente está demasiado concentrada no seu próprio umbigo! No Crossfit temos um lema: deixa o ego lá fora! 
    E cada vez que te estiver a doer tudo e quiseres desistir, pensa: “quando acabar já vou estar um bocadinho melhor e da próxima vez vai ser um bocadinho mais fácil!”. O exercício é uma óptima forma de aprendermos a contrariar a nossa vontade mais primária. Ninguém gosta de sofrer! Aprendemos é a atribuir ao sofrimento um significado positivo. E por isso é muito importante que comemores cada evoluçãozinha, por mais pequena que seja. ****

  4. Avatar de Pedro Lopes
    Pedro Lopes

    Tenta colocar a ida ao ginásio como mais uma tarefa diária a realizar logo a seguir ao trabalho, e essencialmente antes de vislumbrares o sofá!
    Tenta descobrir as aulas que gostas mais, vai a todas e vez as quais gostas e que adquires mais empatia com os professores. Se fores 1 mês a body pump 3 vezes por semana, já vais notar bem a diferença no teu corpo (e ganhas motivação porque vez que o peso inicial, agora já não é nada e começas sempre a colocar mais um pouco).
    Tenta intercalar o dia de ginásio com outra atividade física de exterior, caminhada rápida, corrida, passeio dos bobbi´s, etc.
     
    Vais ver que o teu corpo vicia-se no exercício, e o dia em que ficas pelo sofá até achas estranho! 

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