Menos telemóvel, mais vida

Há uns estudos quaisquer que dizem que um hábito se perde em 21 dias – se quisermos e fizermos por isso, claro está. Mas a verdade é que me bastaram cinco dias para perder hábitos há muito enraizados – e sim, estou a falar do telemóvel (prometo que este é o último post desta “saga”). De tal modo que, neste momento (em que vos escrevo do meu novíssimo Xiaomi Pocofone, com o qual já lido há uns dias) ainda tenho o meu smartphone quase em modo de default – ainda não mudei backgrounds, ainda não instalei o Instagram ou o Feedly, ainda não abri o YouTube. Só tenho, para já, o mínimo necessário para comunicar com os outros e dar-lhes conta de que não morri – e mesmo nesse campo impus-me novas regras.

No que diz respeito às apps, tirei o som e os alertas para as notificações de conversas de grupo (algo que somos incapazes de controlar e que nos pode levar à loucura em dias menos bons), estou a todo o custo a tentar tirar o som do Messenger do Facebook (que me parece impossível, mas continuo à procura) e, quando instalar o Instagram, ainda vou pensar no que vou fazer. Deixei de levar o telemóvel para a casa de banho (não pela razão óbvia ou por estar traumatizada com o que aconteceu ao outro – deixei-o cair por tê-lo no bolso, algo que nunca faço, e que resultou de uma mudança de rotinas esporádica – mas sim pela quantidade de tempo que passava a ver porcarias) e, de uma forma geral, de o carregar de um lado para o outro – o facto do telemóvel ser grande, me cair facilmente dos bolsos e não ser tão “maneirinho” contribui muito para este facto.

Eu não estou a dizer que estas são mudanças definitivas – mas são as mudanças que me apetece fazer agora. Habituei-me a não ser incomodada. E habituei-me, acima de tudo, a não esperar que alguma coisa caia no telemóvel – e acho que é aqui que reside a grande questão. Porque a maioria das vezes que eu clicava no ecrã principal não era para “ver as horas” – era, sim, uma constante procura por novidades, por algum tipo de contacto. Para ver se era lembrada.

Criei este hábito – diria que à semelhança de 90% das pessoas – por várias razões: primeiro por culpa dos dois anos em que trabalhei no jornal. O meu e-mail era um rodopio constante, havia novidades (não necessariamente boas) a cada refresh que fazia e eu habituei-me a checkar consecutivamente o telemóvel à espera de problemas por resolver – e, durante muito tempo, não os ter foi complicado para mim. E segundo devido à questão da socialização, ainda que aparente, que as redes sociais e as apps de comunicação nos dão. Eu sou uma pessoa só e estas aplicações são uma óptima muleta para alguém cuja parte social não é muito forte; sem falarmos com ninguém parece que conhecemos as pessoas, sentimo-nos muitas vezes integrados. Tem também uma forte componente de aprovação – quando publico alguma coisa fico sempre na expectativa de quem vai gostar ou comentar; talvez porque me sinta insegura em alguns aspetos (nomeadamente físicos) e porque sou tão humana como os outros e também gosto de ter a aprovação de quem me rodeia. Mas até no blog esta constante expectativa se aplica; ainda que a questão da insegurança não seja tão pertinente porque acredito mesmo nas ideias que aqui partilho (e defendo-as com unhas e dentes, se assim for necessário), espero sempre ansiosamente por comentários e interações – no fundo, um feedback por parte de quem me lê, para confirmar também que alguém o faz. Passava a vida a abrir o site, ou a atualizar o e-mail para ver se caía qualquer coisa. E eu quero que isso acabe. Quero não precisar disso para me sentir bem. 

E por isto, todo este atraso em relação ao telemóvel é muito mais que um simples atraso. É uma tentativa de desconexação. Não completa – continuo a falar com as pessoas, a responder às mensagens, a passear no facebook enquanto estou na fila de espera de qualquer coisa. Mas para já, que ainda não atingi o equilíbrio e tenho medo de voltar aos velhos hábitos, estou a ir passo a passo. Que, é como quem diz, app a app. É o processo de perceber que não estar ao telemóvel a vasculhar a vida e as opiniões alheias é poder ler os livros que deixei de ler, é poder trabalhar as músicas de que desisti a meio no piano, é escrever mais, é dormir mais. Há, de facto, poucos “menos” nesta equação. Talvez menos dependente. E isso basta.

 

(Sobre o meu novo Xiaomi: para já estou hipersatisfeita, estou a gostar do toque e do software (não me custou nada a mudança de iOS para Android) e as perspetivas, de tudo aquilo que li, são as melhores, dadas as características técnicas. É maior do que eu queria – gosto e telemóveis pequenos -, mas hoje em dia é tudo feito à grande, por isso não havia grande escolha. Não é uma marca fancy como o iPhone, mas está ligado há dois dias e ainda tem praticamente metade da bateria – algo que o iPhone nem no início de vida poderia sonhar. E não me venham com argumentos ao estilo “ah, é chinês…”. Não que não seja verdade – mas o quê que não é chinês nos dias de hoje?)


11 respostas a “Menos telemóvel, mais vida”

  1. Avatar de Nuno
    Nuno

    Xiao I 3 optimo ru sou muito fã de huawei que também é chinesa e nso sou muito fã de ipoh es embora o último me puxe a vista confesso, este teu post sobre dependências tecnológicas inspirou é um post que irei publicar em breve num estilo mais aparvalhado 

  2. Avatar de Rui Pereira

    Sensata!
    É o que tenho a dizer desta tua nova atitude na relação com o telemóvel.

  3. Avatar de gatodeloiça

    Eu acho que há que haver uma ponderação sobretudo. No início é uma novidade, caem todos, o problema é se deixam de fazer rotinas que eram saudáveis para estar o santo dia a olhar para o telemóvel ou outras aplicações. Elas estão ao meu serviço, e não ao contrário.

  4. Avatar de
    Anónimo

    Olá.
    Estás a gostar do pocophone? Estou a pensar comprar mas vi que nao ecrã não aparecem as notificações e fiquei na dúvida.
    Beijinhos

  5. Avatar de Carolina

    Olá! Estou muito satisfeita!
    As notificações aparecem – o que não aparecem são os ícones em cima. Ou seja, se o telemóvel tiver bloqueado, vês as notificações normalmente – mas quando abres não tens ícones em cima, precisas de abrir esse “menu”. Para ser sincera, eu não me importo nada! É menos “ruído” visual e não sinto aquela pressão constante para ver o que é, de forma a tirar aquilo dali… Não acho que deva ser razão para não comprares o telemóvel!
    Espero ter ajudado!
    Beijinhos

  6. Avatar de nada acontece por acaso

    Também já senti essa necessidade de me desligar. Aproveitei as férias de verão para fazer um “detox” tecnológico. E que bem que me senti, aproveitei mais, descansei mais foram férias “mais” férias, se me faço entender.

  7. Avatar de
    Anónimo

    Tirar o som das notificações foi o melhor que fiz. 
    Quanto ao messenger, é tramado, eles ligam o som cada vez que que fazem uma actualização. Na gestão das app é tirar o som das notificações, e pelo sim pelo não, se há alguém mais chato é tirar as notificações na pessoa.

  8. Avatar de
    Anónimo

    Carolina:identifico-me muito consigo. Saí do FB(messenger inclusive) em agosto e tem sido um autêntico “detox mental” … A companhia do Fb é ilusória …e sim, as redes sociais criam dependência. 

  9. Avatar de joana rita sousa / filocriatividade

    o equilíbrio é um trabalho de todos os dias!
    escrevi há pouco tempo sobre a mesma temática: 
    https://shifter.sapo.pt/2018/11/bem-estar-online-offline/

  10. Avatar de P. P.
    P. P.

    Há muita verdade naquilo que dizes. Tal como tu, não sei precisar a data, levei a cabo a mesma iniciativa. Apenas, e por gostar muito de fotografia, o IG ainda me prende. 
    Relativamente ao Xiaomi, as minhas únicas reservas são ao nível da fotografia (tinha que ser). De resto… E é tão bom ter bateria para mais de um dia!

  11. Avatar de Hugo Maciel
    Hugo Maciel

    Xiaomi é o melhor que há em relação qualidade/preço. Excelente escolha!!!

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