Estamos em pleno século XXI. Há casais de homens a andar de mão dada na rua; há pessoas que não comem peixe, carne, lacticínios e derivados; há quem diga que não tem género, que não é homem nem mulher; há mulheres que deixam totalmente de depilar o corpo; há muitos países onde a venda de marijuana já é legal; há um Trump na presidência da América; há todo um movimento para acabar com as touradas; acho que até o papa já deu o seu amén ao preservativo!

Vivemos numa época em que supostamente as individualidades são cada vez mais aceites; a época das mentes abertas, da liberdade individual. Aceitam-se coisas que há cem anos atrás davam um diagnóstico de loucura, totalmente impensáveis para os dias de hoje. Desafia-se a cultura, a religião, a moral, os costumes, as regras básicas da igreja – e até a inteligência dos humanos, se quisermos falar do Trump. 

Com mais ou menos opiniões, tudo é aceite. Cada um é como cada qual.

No entanto, de cada vez que me tentam servir um copo de vinho e eu tapo educadamente o copo com a mão, passando a vez ao próximo, sou sujeita a um interrogatório. “Mas não gostas de vinho branco, preferes tinto?”. “Mas não bebes álcool de todo?”. “Mas já experimentaste?”. 

Há tantas coisas aparentemente estranhas a acontecer no mundo e o facto de eu não beber álcool é, e continua a ser, uma questão. Não falha um almoço com quem ainda não me conhece. Nunca. Assim como o remate final: “ainda mudas”.

Se não fosse tão bem educada, dizia aqui umas quantas coisas. Se não fosse tão reservada, dizia outras. Se não estivesse tão cansada de explicar o que não tenho de explicar, até explicava. Como tal, tudo o que me resta é pedir uma água. Fresca, por favor. Sim, porque eu não bebo álcool. Será que isso ainda é permitido?


6 respostas a “O drama de uma pessoa não beber álcool”

  1. Avatar de V.

    Este texto sou eu em todos as refeições onde servem bebidas. Ou até mesmo em família.

  2. Avatar de Ana
    Ana

    Também sofro com esse não-problema. 
    Se eu respeito quem bebe por que motivo é que quem bebe não respeita os meus gostos?
    Tenho que andar sempre com justificações, explicar que já experimentei mas que não consigo gostar. 
    Quando vou sair, volta e meia dizem que “é hoje que vais apanhar uma bebedeira” ao que tenho que dizer que não e o meu “não” nunca se tornou mentira.

    Enfim… Sorte a destas pessoas porque ainda vamos tendo alguma paciência e não reagimos como dá vontade de reagir…

    Beijinhos 😊

  3. Avatar de Sara
    Sara

    Percebo perfeitamente. Ainda só tenho 18 anos, logo ainda não há essa “obrigação” de eu beber vinho nas refeições fora de casa. Mas eu não bebo alcoól. Ponto. Não gosto, já provei várias vezes e não consigo gostar de alcoól. Gosto do sabor da somersby, bebo 2 golos e já fica aquele sabor a alcoól (o mesmo acontece com gin, que gosto muito, e só consigo beber se for mesmo fraquinho). Nunca fiquei bêbeda. Não sou melhor nem pior do que os que bebem, sou assim, pronto. Lamento queridos, mas não vou beber uma coisa que detesto só para ser fixe e aceitada. Não está nos meus valores, mas mesmo se não estivesse, não faria sentido.

    O cúmulo foi há uns meses quando passei uns dias fora numa associação onde participo. Jantar fora, beber e tal, imensa gente a pressionar-me mesmo a sério a dizer para eu beber. Pressionaram-me à vontade durante uns 20 min e acabei por ter de inventar uma tanga qql que tinha uma doença em que o estômago fica inflamado com facilidade e o alcoól é uma das coisas que despoleta isso (como chocolate, picante e etc). No dia seguinte, almoçámos também fora e chegou a hora de pedir os cafés. A tal pessoa que me pressionou para beber disse: “Então e também não bebes café? Epah vá lá tens de beber café” como se se eu não bebesse café fosse menos fixe, menos adulta, sei lá. Por acaso bebo porque gosto, e pedi o café. Mas é parvo e estúpido, cada um tem as suas opções alimentares e neste caso nem é opção, não gosto simplesmente.

  4. Avatar de Daniela S.

    Sendo bastante honesta, já fui assim. Não te vou dizer que vás mudar, ninguém muda. E até sei bem o que é isso.
    Só não posso dizer que não bebo álcool, porque bebo raramente, quando o Rei faz anos, por norma em brindes. Mas gosto tão pouco de álcool que sou extremamente picuinhas – champanhe e bebidas brancas, e faço um olho torto a mais de metade delas. A questão é que, como não bebo álcool à mesa nem consumo álcool quando saio com outras pessoas e, portanto, me recuso várias vezes a beber vinho, whisky, moscatel, todas aquelas típicas bebidas digestivas e de mesa/convívio, levo aquele famoso olhar do “ai que ela é franzina, não sabe o que é bom”.
    Ninguém precisa de álcool para se divertir, ou para ajudar na digestão, e de facto é a atitude da sociedade perante quem escolhe não o fazer – ou fazer doutra forma quiçá mais formal – que me deixa os cabelos em pé.
    Portanto assim é que é. Há que respeitar os nossos valores pessoais.
    Beijinhos ♥

  5. Avatar de Ana

    Amen! Sinto o mesmo! 😅 

  6. Avatar de Mamã Tranquila

    Tal e qual, sofro do mesmo ou não, porque já nem ligo e tenho  45 anitos bem vividos, todos mas todos, família, amigos, conhecidos, desconhecidos… fazem a mesma pergunta – Porque não bebes um bocadinho, vais aprender a gostar.
    Ora já provei de tudo e não gosto. Ora e agora…. paciência 

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