Há dois fins-de-semana deu-me na realgana ir ao Summer Market Stylista, que acontecia no Estoril. Já tinha pensado ir, não por uma questão de compras, mas para conhecer novas lojas – algo que me é útil também por questões de trabalho. Mas entre o vai-não-vai, o fim-de-semana que passa a correr e dá tanto jeito para se fazer tudo o que não se fez ao longo da semana e uma preguiça do demónio que se apodera sobre nós… no sábado acabei por andar a arrumar umas tralhas e dar metade do roupeiro e no domingo tencionava jiboiar por aí (mais especificamente no meu sofá, sejamos sinceros). 

Mas mudei de ideias, levantei o rabo e já era quase domingo quando comprei os bilhetes de comboio para baixo – e lá fui eu, às nove da matina, no intercidades para Lisboa. Estive com o pessoal do costume e, à tarde, lá fomos à feirinha. Tivemos algum azar, porque a chuva decidiu dar de si e em alguns momentos foi mais do que uma “molha tolos” – aliás, no final, foi mais “molha todos”, porque saí de lá encharcadinha. Não esperava que a feira fosse tão grande, que tivesse tantas marcas e espaço (embora achasse as barracas em si um bocado apertadas). Não comprei nada, fui só ver e fazer “sourcing”, para depois espreitar as marcas que posso potencialmente “atacar” no futuro.

Mas não era sobre isso que vinha falar aqui. Como alguns de vós devem saber, aquele evento é organizado por uma blogger conhecida da praça e, naturalmente, há muitos outros que por lá andam – ora a expor, ora a visitar. Eu vi muitos e, talvez porque sou do Porto e não estou habituada a ver famosos (ou, neste caso, pseudo-famosos – não sei bem qual é a linha que separa uma coisa de outra), fez-me pensar muito sobre o assunto. Vi bloggers e vloggers e, naquele voyerismo um bocado estúpido mas praticamente impossível de evitar, pus-me a ver as diferenças entre as fotos e a realidade e a partilhar as minhas conclusões. E depois pensei: eu sei o nome dos filhos desta, o nome dos cães daquela, lembro-me de quando esta casou, “olha esta teve uma filha há pouco tempo, está em óptima forma”, “ah, mas não sabia que o namorado dela fumava”, “será que o marido dela veio para ajudar?”. No fundo, estava dentro daquelas vidas sem estar, na realidade, dentro delas. E isso foi estranho.

Nós estamos habituados a estar a par da vida dos famosos – que são, normalmente, pessoas da televisão, do cinema ou da música, que se expõem devido a uma profissão artística (em alguns casos) que escolheram. Mas estas pessoas – lá está, “pseudo-famosas” – escolheram expor-se, estar naquela situação. E talvez a mim me faça mais confusão porque eu acho que deve ser horrível ser famoso, ter os media em cima de nós e ter toda a gente a exigir-nos simpatia constante – mas por outro lado também percebo que faz parte de algumas profissões, que umas coisas não são independentes de outras e que temos de as aceitar se queremos levar avante certos projetos. Tenho pensado muito nisso até por causa do Salvador Sobral – a minha crush do momento, não sei se já deu para entender. Percebe-se que ele quer fazer música, que quer sucesso – mas que lida muito mal com todas as suas implicações, selfies e explorações dos media.

E transito isso para mim própria, porque acho que seria igual. O meu derradeiro sonho é escrever – e embora um escritor não tenha de ter metade da exposição de um ator ou de um cantor, nos dias de hoje tem de se saber mostrar para a máquina funcionar (porque ser só o menino dos olhos da crítica não basta – e, a meu ver, até vale pouco). E isso assusta-me – assim como me assusta este blog, que apesar de eu gostar que seja lido, comentado e partilhado, também gosto que seja tímido, sem grandes alvoroços. Assusta-me a fama, que hoje em dia aparece tão depressa como desaparece, por razões que às vezes nem sequer controlamos.  

Enquanto via ali alguns dos blogger e vloggers que sigo, pensei nisto tudo. Pensei que, tal como eu sabia o nome dos cães de uma rapariga que por lá passava, vocês também podem saber o nome dos meus – assim como quantos irmãos eu tenho, as cidades que visito e o tipo de trabalho que faço. Simplesmente, como não sou conhecida, não tenho de me confrontar com esse tipo de situações. Ainda assim, na viagem para casa, vim sempre a divagar em como estou e não estou dentro da vida daquelas pessoas, que gosto mas não sei quem são, que sinto que conheço mas nunca vi. No fundo, em como este mundo que vivemos é estranho.


6 respostas a “Que mundo estranho este [sobre os pseudo-famosos desta vida]”

  1. Avatar de The Daily Miacis

    É mesmo estranho! 

    Penso que não gostaria de sair à rua e algumas pessoas olharem e me reconhecerem, mas vai daí que também tenho um blog mas o que me vale é que é muito discreto ^^

  2. Avatar de Íris Catarina Lima
    Íris Catarina Lima

    Carolina, não pude deixar de comentar este post em particular por ser tão verídico, ainda que quase nunca tenha escrito aqui nesta caixinha. Acompanho-te desde há tanto tempo que o teu blog ainda nem sequer era este – estavas tu no 9.º ano de escolaridade! – e sem tu saberes, sinto que te conheço tão bem como muitas das pessoas que me rodeiam (ou até melhor). És motivo de conversa até aqui em casa, com a minha mãe, a quem acabo por ler muitos dos teus posts, uma vez que me identifico tanto contigo em inúmeros aspetos. Foi, aliás, por isso que se tornou um hábito ler diariamente o que escreves, vir espreitar sempre a tua mais recente publicação. Já quase é uma necessidade, porque me preocupo genuinamente contigo. Por isso, neste caso específico, ainda que não deixe de ser completamente estranho, é igualmente algo bom, no que a mim me diz respeito. Independentemente dos estados depressivos em que frequentemente caio, porque, tal como tu, tenho essa tendência, é muito reconfortante perceber que desse lado está uma jovem que tem pensamentos tão semelhantes aos meus, as mesmas questões, os meus desafios, os mesmos medos. 
    E é verdade, acabo por saber o nome dos teus cães lindos de morrer, acompanhar a conta de dois deles no Instagram (para além da tua), quantos irmãos tens e tudo o mais. Até dou por mim a passar nalgum lugar e lembrar-me de algo como “Ah, a Carolina iria gostar disto”.
    Posso ter-te assustado um pouco com estas palavras, mas tinha de o dizer já que abordaste o assunto, e não foi essa a minha intenção, de todo. Da forma estranha que só o mundo de hoje permite, és como se fosses minha amiga, ainda que nunca tenhamos falado. E é curioso, porque já estudaste tão perto de mim (eu estudo na FDUP). O que escreves aqui tem muita, muita importância para mim (e tenho a certeza, para muitos mais que te acompanham): dá-me força, anima-me, faz-me viver tudo contigo. E como alguém que tem dificuldades em relacionar-se com as pessoas, sobretudo as da nossa idade, poder vivenciar tudo isso através das tuas palavras representa muito.
    Serve isto como o agradecimento que já há muito te queria fazer e para te dizer que espero mesmo que o teu sonho de seres escritora se concretize um dia. Tens um talento enorme, como claramente se percebe pela diferença que fazes na vida desta miúda de 21 anos que te acompanha há cerca de 8 anos (!).
    Beijinhos 🙂

  3. Avatar de Carolina

    Oh Íris, obrigada! Gostei tanto do teu comentário, encheu-me tanto a alma 🙂
    8 anos é mesmo muito ano – obrigada pela fidelidade! Não me assustaste nada, porque eu sei como é não conhecer alguém e, ainda assim, gostar genuinamente dela.
    Estivemos mesmo perto uma da outra – se calhar até nos cruzamos e eu nem sei. Espero que um dia os nossos destinos se cruzem e eu te possa retribuir estas palavras que aqui escreveste, todo o carinho e dedicação ao longo de quase uma década (e três blogs depois, e muitos milhares de posts – e muitos deles muito tristes).
    Obrigada mais uma vez, espero poder continuar a fazer-te companhia por muitos mais anos! Grande beijinho***

  4. Avatar de C.S.

    Olá Carolina! Tudo bem?

    Já algum tempo que não vinha cá. Tens toda a razão naquilo que dizes. Nos blogues acabamos por revelar coisas nossas e quem nos lê acaba por reconhecer partes da nossa vida.  

  5. Avatar de 1cafe2natas
    1cafe2natas

    Tem uma evolução cada vez mais estranha este mundo…é verdade.

  6. Avatar de Julia
    Julia

    Bem pelomenos é um mundo para esplorar

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