Que noite feliz!

Não sou pessoa de acreditar. Sou pessimista, não sou nada patriota, vejo defeitos em tudo. Mas amo música e acho que, a par da escrita, é a coisa na vida que mais me conforta e mais me acompanha em todos os momentos. Sou uma entusiasta desta nova leva da música portuguesa e, independentemente de tudo o que disse no início deste texto, acreditei que o Salvador ia ganhar desde aqueles cinco segundos de música que ouvi na promo do nosso Festival da Canção.

Falei da música no dia seguinte ao Festival, tornei a fazer um post sobre ela aqui há dias e agora é impossível não o fazer outra vez, porque – acima de tudo – esta é uma vitória tão, tão justa! E não é justa porque Portugal andava a penar há cinquenta e tal anos – andávamos assim porque queríamos, porque tínhamos canções de merda quando cá fazemos coisas incríveis. É justa porque a música é fantástica, a letra é tocante – e tão nua, tão crua, tão verdadeira que pode doer -, porque o intérprete é autêntico e doesn’t give a shit e porque reflete aquilo que há tantos anos se faz bem em Portugal. Nós não somos o “quero ser tua” ou os “Homens da Luta”. Quem enche trinta coliseus são cantores nesta mesma linha de música – pura, simples, calma e linda – e não cantores de meia tigela que têm de ir vestidos com transparências para ganhar meia-dúzia de votos dos países vizinhos. Nós somos isto. E nós, quando somos nós, limpamos com tudo.

É difícil explicar (até porque eu nunca vi a Eurovisão), mas vibrei com isto como – se calhar – não vibrei com o Euro que ganhámos o ano passado. Implorei ao meu irmão emigrante para votar e festejei cada vez que tínhamos 12 pontos como se o Salvador fosse o meu clube do coração que estivesse a disputar pénaltis. Tenho uma paixão assolapada por música em geral, por música portuguesa em particular e pelos Sobral ao pormenor – a Luísa faz parte da minha playlist há vários anos e foi com ela, na Casa da Música, que ouvi o concerto mais simples e intimista da minha vida – e estou imensamente feliz por isto. Não por termos ganho – mas finalmente por mostrarmos o que somos, o que temos e por finalmente nos darem valor. E por acreditarmos que somos capazes e nos deixarmos daquele complexo de inferioridade que há séculos nos assola em vários campos. Por investirmos. E por termos conseguido.

Deito-me com o coração a transbordar de alegria e isso não tem pagamento possível. Obrigada Salvador. Vemo-nos na Casa da Música. Quero tanto bater-te palmas!

 

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2 respostas a “Que noite feliz!”

  1. Avatar de Amaria
    Amaria

    Como o Salvador ia gostar de ler este post. Em Portugal também há excelentes  bloguistas.

  2. Avatar de Joana Rôla
    Joana Rôla

    É tão isto que escreves! Também eu vibrei assim. Ainda hoje me arrepio ao ouvir os primeiros acordes desta música maravilhosa!
    Parabéns pela tua escrita Carolina :).

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