Se há coisa constante neste blog é a minha sinceridade. Sempre. A questão é que escolho criteriosamente o que digo. E hoje apetece-me dizer uma verdade (que eu já conheço há muito) e que acredito que seja partilhada por muitos dos meus vizinhos do aqui do charco: para mim, estar nos destaques, é esperar que pequenos haters me invadam a casa.

Não me interpretem mal, eu adoro o Sapo, adoro a ideia dos destaques e vou todos os dias lá ver o que se passa de novo – e claro que gosto que alguém ache que aquilo que eu escrevo é bom o suficiente para ser destacado e ser mostrado ao mundo – mas sempre que me apercebo que estou nos destaques vou ler o dito post 30 vezes para corrigir eventuais erros e ver se aquilo não ofende a religião, terra, clube ou crença de ninguém. Mas, ainda assim, o pessoal consegue sempre cair-me em cima. Não sei se o resto das pessoas sente a mesma coisa mas, para mim, sempre que recebo um e-mail a dizer que tenho um comentário é um momento feliz: os comentários são a melhor interação que se pode ter ao nível dos blogs e eu adoro quando os recebo. Mas nestes dias de destaques, sempre que recebo um e-mail (que normalmente começa por “Anónimo deixou um comentário ao post….” – quase sempre anónimos, porque será?!), já estou de pé atrás e sobrolho levantado à espera do pior. Pode ser a coisa mais insignificante de sempre, mas as pessoas não perdem a oportunidade de apontar o dedo; pode ser claramente a falha de uma letra ou um erro de semântica que se entenda perfeitamente, mas tudo é razão para deixar um comentário. Mas não é um comentário qualquer: é dos bons, maldosos como se quer, com aquela pinta de malícia típica de quem é incapaz de dar a cara. Corrigir não está mal, explicar porque está mal também não me apoquenta: tiram-me é do sério pessoas más!

Estou neste mundo há demasiado tempo para ainda não me ter resignado a este fenómeno, eu sei. Mas não me consigo habituar. Eu sei que existem pessoas más, mas penso sempre que aquele estilo que aparece nas novelas é um tanto ao quanto exagerado (planos, aliados, facadas nas costas dos aliados, veneno não sei onde – esse tipo de coisas). Se calhar existem mesmo, mas também não importam, porque estes pequenos atos também contam. É aquele gostinho “bom” de meter veneno numa caixa de comentários e esperar a resposta irada e magoada de quem naquele blog escreve, em busca de mais sangue e mais dentadinhas saborosas, qual vampiro sedento de mais uma vida – ou, pelo menos, de estragar o dia de mais uma vida alheia.

Como continuo a ser sincera, aqui vai disto: só dez por cento dos comentários é que me atingem tal como o seu criador queria. Diria que dentro desses dez, 99,9% são apagados e não têm resposta, porque daqui não levam nada (eu mal respondo a quem gosta de mim e merece o meu tempo, quanto mais a vampirinhos de meia tigela!).

Eu não estou a escrever um livro, um jornal ou uma revista – escrevo num blog, que pretende ser uma coisa descontraída, nos meus tempos livres. No entanto a vida evoluiu desde que o criei, o tempo livre não é tanto, a vontade de estar no computador fora das horas de expediente é cada vez menor e eu cá continuo. Porquê? Primeiro porque adoro este espaço e (apesar de tudo) continuo a adorar a blogosfera; segundo porque tenho gente que me segue e eu não consigo não corresponder às expectativas (e porque me sinto feliz e honrada e “gostada” por ter alguém que perde tempo ao ler os meus desabafos); e terceiro porque adoro escrever, é aquilo que me faz feliz. Mas há fases – esta é uma delas – em que eu tenho de me contrariar para escrever; que quero dormir e, ao invés disso, volto para a frente do computador – onde passei todo o dia – só para “matar o bicho” e não deixar os meus seguidores pendurados.

Eu não escrevo para ser famosa, para ter publicidade, para ganhar dinheiro. Escrevo por tudo menos por isso. Os meus posts raramente tocam em assuntos polémicos (agora, por exemplo, ando cheia de vontade de falar sobre isto das viagens de finalistas e em como tudo isto me deixa cheia de vergonha da minha própria geração, mas até isso evito), não têm click-baits, não representam uma vida cor-de-rosa e cheia de flores e coisas lindas. Ou seja: eu não estou aqui para vender nada a ninguém. Simplesmente escrevo, porque gosto, quero e há quem goste de me ler.

Também escrevo enquanto profissão: e aí sim, tenho total atenção aos erros e gralhas, por pequenos que sejam. Mas aqui – e embora faça tudo o melhor possível, dentro do tempo e vontade que tenho – sempre me permito descontrair mais. Não sinto a necessidade nem a responsabilidade de ter tudo perfeito, porque embora escrever seja uma das coisas que mais gosto nesta vida, também erro (e tenho muito, muito para aprender) – e sei que quem quer perceber, percebe. E sei que quem acha que um erro é grave, avisa, de forma educada. Porque todos erramos.

Isto para dizer que não tenho pachorra para vampirinhos da treta e que embora eu leve este espaço muito a sério, não vão ser meia dúzia de chatos (e nazis da gramática, gente má e de mal com a vida) que me vai tirar o prazer ou descontração de escrever aqui. Porque xe eu dexidir escrever tudo kom “x” e “k”, também posso. Porquê? Porque o blog continua a ser meu. Com a minha sinceridade, os meus erros, as minhas manias, o meu estilo próprio. Ou seja: meu.

E, já agora, porque eu sempre preferi aqueles vampirinhos vegetarianos. Sangue não é a minha cena.

20 respostas a “Sobre os vampiros de meia tigela da blogosfera”

  1. Avatar de Mafalda
    Mafalda

    Gostei imenso do teu texto.
    No meu caso quando regressei à blogosfera, ignorei muita coisa que me disseram há 2 meses, e regressei novamente sem medos. Também porque tive o apoio dos meus amigos que disseram para avançar novamente com o projeto e ser feliz a escrever aquilo que realmente gosto de escrever, os meus pensamentos, os meus favoritos, e tudo mais.
    Continua e nao desistas!

  2. Avatar de Nuvem

     não podia estar mais de acordo Carol!!!

  3. Avatar de Amaria
    Amaria

    Que nunca te doem os dedos mulher do norte 😀

  4. Avatar de Margarida

    Clap, clap, clap! You Rock, girl 

  5. Avatar de Catarina

    O que é um vampiro vegetariano???
    Eu, por acaso, também ando com uma vontadinha de falar sobre a viagem de finalistas e da vergonha que sinto por pertencer a mesma geração que eles, mas tenho estado caladinha, porque existe demasiada gente a opinar e ninguém respeita a opinião do outro.
    Os erros servem para aprender e crescer e não devemos ter medo de os cometer. E há maneiras de informar as pessoas dos erros que cometeram, mas, não sei porquê, toda a gente o faz de forma acusatória. O mundo virtual tem sido mais cansativo que o mundo real e deveria ser o oposto 

  6. Avatar de Carolina

    Ahaha, é uma private joke. Sou uma grande fã do Twiligt, sempre fui, e o Edward (o vampiro principal) e a família, como tinham respeito pela vida humana, alimentavam-se de animais. Daí a piada 🙂

  7. Avatar de Happy

    (eu mal respondo a quem gosta de mim e merece o meu tempo, quanto mais a vampirinhos de meia tigela!) – AMEI!
    Um bom texto, como sempre aliás!

  8. Avatar de Sofia Ferreira
    Sofia Ferreira

    Eu também sou parecida contigo, revejo-me muito no que escreves e como levas a vida. Não te enervada. Jeep calma,que o povo do norte é o maior.

  9. Avatar de liz collingwood

    na ultima vez que entrei nos destaques foi sobre um tema sobre mulheres em geral, que conduzem mal. falei, sem querer, em mães particulares, que conheço muitas…e houve uma mãe suuuuuuuuper ofendida com um post sobre uma opinião pessoal, com algum humor e ironia. obviamente falei no geral das mães…depois se tiveres interessada em dar lá um salto. 
    só achei o comentário desnecessário porque foi sarcástico ao ponto de perguntar “se estava tudo bem”. 
    escrevemos o que quisermos não é verdade? então cá continuaremos! 🙂

  10. Avatar de Matilde
    Matilde

    Olá, já te leio há imenso tempo, mas cada vez gosto mais da tua escrita.Bjinhos 

  11. Avatar de Carolina

    Muito obrigada Matilde! Grande beijinho

  12. Avatar de The Travellight World

    Muito bem escrito 👏🏻👏🏻👏🏻

  13. Avatar de O Informador | Ricardo Trindade

    Sempre apareces Anónimos que por vezes até desconfiamos de quem seja que gosta de colocar a pata onde não lhes é dada permissão. Há que anular tais comentários e indiretas para se seguir em frente porque se ligarmos a todos os loucos que não dão a cara estaríamos perdidos. 

  14. Avatar de m-M

    Acho que, com este texto, escreves por todos nós 🙂

    (Sou só eu que vou toda ávida aos destaques, procurar blogues novos ou textos que me passaram ao lado? 😛 )

  15. Avatar de M
    M

    Aplaudo de pé! Aliás todo o post poderia ter sido escrito por mim. Sinto-o, tal e qual. Já disse o mesmo ou lá perto algumas vezes. Escrevo, também, porque gosto! Não ando a concurso ou preocupada se a minha escrita é melhor que outra. Se me engano e erro, ainda bem. Sou humana. Todos erramos. Há que alertar com educação e carinho e não empossar-se em dicionário ou professor de literatura clássica e achincalhar ou gozar porque nos distraímos, ou confundimos uma letra. Pusemos mal uma vírgula! Isto é passatempo, diversão. Partilha são com quem a quiser ter, o resto dispensa-se. Achei imensa piada ao dizer que quando está destacada vai ler tudo e reler para ver se não ofende este, ou exagera naquilo, se está tudo bem escrito, porque me acontecia a mim, quando o era. Tal como temer que viesse alguém com as suas teorias implicar. A sério! Muito obrigada por dizer tudo, tão bem e exacto, do que sinto! Todo o post está muito bom e o fim… adorei! Afinal, este pequeno espaço é nosso. Devia ser onde estamos com quem nos acha dignos de ler, ou interagir, porque os outros não fazem falta, só se realizam pela frustração do que são e querem incutir-nos! Onde nos realizamos e divertimos sem andar em sobressalto porque somos avaliados por tudo, medidos pelo resto. Bem haja e muitos parabéns pelo seu post. Aconteceu-me tanta, mas tanta vez, preferir não ser destacada do que ter que lidar com gente parva. Cheguei a escrevê-lo. Um beijinho e boa semana!

  16. Avatar de Purpurina

    Concordo muito contigo. E já estive para escrever um texto destes várias vezes mas depois… chego à conclusão que essas pessoas nem isso merecem. 🙂 
    Nem as acho más. Acho que são ignorantes mesmo. Mal formadas, inseguras, com uma vida chata, sem ter o que fazer, sem imaginação para fazer coisa realmente giras e criativas, ou coisas banais que lhes possam dar mais prazer que tentar azucrinar o próximo. Passei diretamente do estado de sentir pena dessas pessoas a ignorá-las completamente. Admiro a tua paciência. 

  17. Avatar de Fátima Bento

    Concordo, Carolina, cada um de nós protege-se como precisa… ando neste “mundo” há 12 anos, e já passei as ‘fases todas’ (eheheh); neste momento tenho os comentários “escancarados” e não apago nada. Também não tenho muitos haters, a última que tive foi no post sobre o masterchef brasil. Não lhes ligo. Quando muito deixo-os a falar sozinhos…
    No meu blogue anterior aqui no sapo tive um post com 114 comentários – e talvez 14 fossem meus. Os outros cem foram uma orgia de ódio gratuito porque fui convidada pequena participação num programa de televisão…

    Se te entendo…!

    B’jinhos 

  18. Avatar de José da Xã

    Boa tarde,
    achei este seu texto interessantíssimo porque é coincidente, em algumas coisas, com aquilo que penso.
    Vamos então por partes: este seu espaço é seu e compromete-a somente a si. Mais ninguém.
    Deste modo gostava sinceramente de entender como alguém pode vir aqui criticar… só porque sim sem argumentos convincentes?
    Cheira-me que a última palavra dos Lusíadas faz aqui sentido. Mas isto sou eu que olho para a mentalidade lusa e acho que está cada vez pior.
    Quanto a apagar os comentários eu não o faria… Porque não a compromete a si e unicamente a quem o fez. Mesmo os anónimos. Não se esqueça que somos responsáveis (porque também tenho um blogue…) por aquilo que escrevemos mas jamais por aquilo que os outros pensam que escrevemos.
    Acho que o seu texto mereceu o destaque.
    Parabéns!

  19. Avatar de Gaffe

    É indiscutivelmente verdadeiro o que acabou de escrever.
    Há, no entanto, uma forma de se ser abjecto sem se ser anónimo. Podia, se isso não se tornasse abusivo, indicar-lhe alguns links para comentários onde sou insultada de uma forma troglodita, grotesca, grosseira e difamatória, apenas porque o que escrevi não estava em consonância com aquilo que a criatura que me insultou “pensava” certa.
    Os “anónimos” falados aqui, muitas vezes assinam as suas obscenidades. 

  20. Avatar de Tutto Niente

    Been there done that! Vai sempre acontecer, se há algo que certas pessoas não conseguem controlar é o amor de perdição que têm em destilar veneno. O blog é teu, escreves o que te apetece e escreves bem por isso é seguir em frente e não ligar 😉

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