Tenho a sorte de trabalhar num sítio super livre e aberto a novas ideias. Aliás, tem muito mais vantagens, estas são apenas duas delas, de um rol muito grande de coisas boas que podia apontar. A minha sorte aqui é indiscutível mas, como sempre, não há nada perfeito neste mundo e, para todos os efeitos, eu trabalho num jornal e aquilo que mais me custa fazer é o papel de jornalista (embora faça muito mais que isso). Eu sempre tive uma veia anti-social acentuada, acho que vou sempre ter, e falar com pessoas é algo que me sai das entranhas, custa-me mesmo muito; e já aprendi que embora tenda a melhorar, isto vai muito por fases e do meu estado de espírito e humor. Nos últimos tempos, em que fui abaixo, senti-me a regredir imenso: voltou a custar-me muito ligar para as pessoas, fazer perguntas, “chatear”. Enfim, parvoíces minhas.

Mas vamos ao que interessa: antes de ir para as feiras, onde já sabia que ia fazer muitos contactos, pedi para fazer cartões que me identificassem, para poder trocar endereços de email, números de telemóvel e essas coisas todas. Na altura aquilo que me passou pela cabeça foi aquela coisa básica com o logótipo do jornal, o meu nome e os meus contactos, mas entretanto vieram-me com uma ideia fora da caixa e eu não consegui dizer que não. Então e o que é? Pôr uma foto minha, em criança, na frente do cartão. Para além de ficar giro – não sei quanto a agora, mas quando era miúda tinha uma cara muito fofa -, é um ice-breaker. E, meus amigos, tudo o que eu preciso neste mundo é de algo para começar a conversas!

E assim foi – os meus colegas todos fizeram os cartões clássicos e eu, a miúda lá do sítio, fiquei com cartões com a minha cara lá estampada. Sei que sou suspeita, porque até fui eu que escolhi a foto, mas adorei-os mal lhes pus a vista em cima. Achei-os diferentes e cativantes – e numa altura em que nós estamos com as cabeças sempre ocupadas, com mil e um emails por ler, com o telemóvel sempre a apitar e com a capacidade de concentração cada vez mais a assemelhar-se à de um peixe, tudo o que é preciso é algo que cative e que lembre às pessoas de quem somos. Se calhar não se vão lembrar do meu nome, mas vão-se lembrar da rapariga com o cartão fofo. 

Ou não, não sei. Tive várias reações, enquanto fui distribuindo cartões pelas feiras e mesmo aqui. A família adorou, claro, fez-lhes lembrar o tempo em que eu ainda era uma querida em vez de ser uma chata; relativamente a desconhecidos houve quem simplesmente ignorasse e metesse ao bolso e outros que me perguntaram se era eu, alguns acrescentando que a ideia era muito boa e que a foto era muito querida. É claro que não tenho como saber se é verdade, mas de um modo geral o feedback foi positivo. Curiosamente, da malta mais nova e conhecida, que devia ter uma mente mais aberta, é que às vezes recebi alguns comentários que roçaram a brincadeira mas que não sei até que ponto eram a sério – algumas pessoas disseram, inclusive, ser pouco “profissional”.

Mais uma vez reafirmo: o jornal onde trabalho é super aberto e a imagem e o design são portos fortes, que prevalecem e nos distinguem. Falamos sobre moda e têxtil e queremos passar uma imagem renovada daquilo que é, hoje em dia, este setor: que já deixou de ser aquela coisa pesada e “monocromática” de há uns anos. Por isso, a meu ver (e para além de adorar o cartão), penso que é até é coerente com aquilo que somos. Mas fica a questão: divertido e cativante ou pouco profissional?

 

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8 respostas a “Um cartão de visita diferente: sim ou não?”

  1. Avatar de Nuvem

    adoro o teu cartão! também queríamos fazer um de casal mas ainda não tivemos “a ideia”.

  2. Avatar de Charneca em flor

    Vou confessar que também comecei a pensar que tinham um ar pouco profissional mas depois de explicar o conceito do jornal faz todo o sentido. Tudo depende da área em que se trabalhe. Por exemplo, na minha área (saúde) acho que não tinha lógica esse tipo de cartões . Faz-me lembrar um delegado comercial que tinha no tlm aquelas músicas que se ouvem enquanto não atendia. Era “o leaozinho” do Caetano Veloso. Boa música mas pouco professional. Mas que sei eu?! Eu sou uma quadrada 😂

  3. Avatar de Charneca em flor

    Vou confessar que também comecei a pensar que tinham um ar pouco profissional mas depois de explicar o conceito do jornal faz todo o sentido. Tudo depende da área em que se trabalhe. Por exemplo, na minha área (saúde) acho que não tinha lógica esse tipo de cartões . Faz-me lembrar um delegado comercial que tinha no tlm aquelas músicas que se ouvem enquanto não atendia. Era “o leaozinho” do Caetano Veloso. Boa música mas pouco professional. Mas que sei eu?! Eu sou uma quadrada 😂

  4. Avatar de Tita Vicente

    Achei a ideia tão fofa!!! Mais depressa guardava o teu cartão do que um “normal” acho muito mais apelativo assim 🙂 

  5. Avatar de Happy

    Também acho que na tua área de trabalho, faz todo o sentido um cartão personalizado, “out of the box”.

  6. Avatar de
    Anónimo

    Para mim, é divertido e cativante ou muito profissional, e dou-te já os meus parabéns por teres pensado fora da caixa e teres arriscado em fazer algo assim. Já chega de cartões cinzentos e “quadradões”, é bom ver algo diferente!
    Muito bem!

  7. Avatar de hope

    Acho sinceramente pouco profissional, pelo simples facto de ser uma foto tua em criança, não deixa de ser super hiper mega fofo (porque estás aí numa querida!) mas a meu ver dá pouca credibilidade, pessoalmente acho que seria muito mais eficaz uma foto tua em adulta 🙂

  8. Avatar de Ana Silva
    Ana Silva

    Se alguem um dia me desse um cartao como o seu, o meu primeiro pensamento era ” Ora aqui esta um cartao original, descomplexado e sobretudo divertido. ”  Um cartao que marca a diferenca. Parabens pela originalidade.

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