Comecei a escrever diariamente em 2009, em blogs que hoje em dia já não andam por aí e cujos textos só moram na cabeça de alguns. Acho que ainda sou uma miúda, mas na altura era MESMO miúda – não tinha sequer feito o 9º ano. Não fazia ideia que a escrita ia ser uma parte essencial da minha vida e do que estava para vir; e muito menos esperava que fosse isso a mudar o rumo da minha formação e vida profissional (uma vez que tinha ideias muito fixas relativamente aquilo que queria fazer no futuro).

Lembro-me de ir ver os rankings dos blogs mais visitados do país – numa altura em que o “meu” Twilight Portugal estava nos lugares cimeiros, ao lado d’”A Pipoca Mais Doce” e outros blogs de futebol, se a memória não me falha – e de estar lá o nome do Delito de Opinião. Eu era miúda, não lia esse tipo de blogs. O Delito era (e é) um blog adulto. Tem opiniões de quem já teve uns anos para pensar sobre muitos assuntos e sabe apresentar argumentos de acordo com aquilo que acha, já para não falar do traquejo e da experiência de escrita que a maioria dos autores tem no lombo. Fala sobre política, livros, filmes e coisas do dia a dia – mas, pá, de forma adulta. Com algumas palavras difíceis, com uma aura de quem sabe o que diz – mesmo que não concordemos com o que está lá escrito.

Leio pontualmente alguns posts deste espaço que, para mim, é uma das bandeiras do Sapo – em grande parte por se ter aguentado durante todos estes anos, pela frequência de posts e diversidade – e foi mesmo com enorme espanto que, aqui há dias, recebi um convite para escrever lá um texto. Disse logo que sim, mas depois vi-me grega para saber o que escrever. “O quê que eu vou escrever no Delito? O quê que se escreve para pessoas adultas? O quê que se diz num blog sério?”. Pensei durante uns dias e decidi dissertar sobre um tema que, mais tarde ou mais cedo, iria discutir aqui: a série Casa do Cais. Mete youtubers, dinheiro público, adolescentes e comportamentos fora do padrão/cada vez mais no padrão: um mix perfeito para uma boa troca de ideias e para um post completo. Sério. Adulto, talvez.

 

“Foi com enorme surpresa que, aqui há uns tempos, vi um anúncio na RTP a uma série que claramente pretendia chamar a atenção de um público mais jovem: chamava-se Casa do Cais e tinha como “actores” vários youtubers portugueses, com um guião inspirado na história real acerca da vinda de um desses youtubers para Lisboa, após ter saído da sua terra natal, o Entroncamento (detalhe que só vim a descobrir mais tarde).”

 

Hoje convido-vos, por isso, a ler o meu post do costume, mas num estaminé diferente. Hoje escrevi no Delito. Caraças, hoje percebi que cresci. Talvez esteja a ficar adulta como os outros.

 

Casa do Cais: retrato real ou forçado de uma geração?

(clicar para ler)


3 respostas a “Um post um tanto ao quanto adulto no Delito de Opinião”

  1. Avatar de Pedro

    Olá Carolina,
    tenho uma perspetiva ligeiramente diferente sobre o tema do teu texto no Delito, mas estás de parabéns pelo convite. É uma forma de reconhecimento e, neste caso, merecida 🙂

  2. Avatar de Uma Indecisa Qualquer

    Comento por aqui, porque não sei se os comentários feitos diretamente no post chegaram a ti.
    Também já vi os episódios que estão disponíveis e confesso-te que provavelmente irei vê-los todos. Não por me identificar com o que acontece, mas porque achei que lá pelo meio até tem cenas que metem graça – e porque tenho alguma esperança de que termine a mostrar as consequências do que é levar-se uma vida assim.
    Tal como tu, pergunto-me várias vezes se aquilo será a minha geração, se será o grupo onde me deveria integrar, porque nunca me embebedei, nunca consumi substâncias ilícitas e  – surpresa! – sou uma estudante universitária que vive numa residência mas não gosta de sair à noite. 
    Sei que estás integrada no mercado de trabalho, e talvez isso acabe por fazer com que não tenhas grande contacto com pessoas que atualmente estão a estudar, já na universidade, e digo-te: a série exagera um bocado, mas a realidade é que a maior parte das pessoas que observo leva a vida assim. Sem objetivos para o futuro, a querer ir a festas frequentemente, a beber, a fumar, a envolver-se com pessoas aleatórias… Sem rumo. E pergunto-me… Será que os pais não veem? É que eu vejo miúdas de 15 anos a começar este tipo de vidas e assusto-me… Os pais permitem.
    Em relação à comunidade LGBT, nem metade está representada ali. Óbvio que há homens homossexuais que se maquilham, mas também os há heterossexuais que o fazeme mais… A grande parte dos homens homossexuais têm uma vida completamente normal e não agem como se tivessem escrito na testa “sou gay”. Tal como nem todas as mulheres homossexuais têm um comportamento masculino.
    E é como tu dizes, “há quem seja assim, há quem não seja” e o importante é que se respeite, mas assusta-me tanto que se generalize como o exemplo que se está a dar para a geração seguinte…

  3. Avatar de Maria Araújo

    Parabéns.
    Gostei de ler o seu post no Delito de Opinião.
    Quero dizer que, há dias, em conversa com uma jovem universitária, ela contava-me exactamente que não se identifica com a vida de muitos jovens universitários. Tem amigos que bebem, que experimentaram charros, ela e mantém-se  firme, porque isso não lhe diz nada,  acha que, provavelmente,  está desfasada dos outros.
    Depois de a ouvir, disse que não, que ela vive o que entende ser melhor para si, que não tem de fazer o que os outros fazem, que um dia não vai arrepender-se de nada que não fez e que os outros fizeram.
    Não conheço a séria, mas vendo o trailer, dá que pensar.
    Um bom fim-de-semana.

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