E assim se estraga o ritmo de escrita. Janeiro e a metade de Fevereiro foram um mimo, mas depois lá se foi tudo pelo cano. É quase paradoxal o estado de estagnação em que todos vivemos neste momento, comparando com o nosso estado de espírito; se por um lado me sinto também parada, inerte, com falta de fazer coisas, por outro estou cansada, extenuada como se andasse a mil à hora e o mundo estivesse a girar ao mesmo ritmo de há dois anos. É estranho.

E mais estranho ainda é estar a preparar um casamento neste ambiente. Apesar do processo não estar de todo parado, tudo o que é colossal está ainda em stand-by: eu não tenho vestido e ainda não fiz sequer a primeira prova com a pessoa que mo vai fazer; o noivo não tem fato (e ninguém tem coisas para vestir, de uma forma geral); ainda não voltámos à quinta depois da primeira visita, por isso ainda não decidimos nem experimentámos menus, nem conseguimos organizar a festa em si; e o casamento pelo civil, com todas as conservatórias fechadas, ainda nem sequer foi tratado. Por outro lado todos os detalhes mais pequenos já estão tratados ou escolhidos: alianças ainda não compramos mas já sabemos quais queremos, já temos cones de papel personalizados para colocar as pétalas, já temos caixinha para as alianças, alguns souvenirs, alguma decoração. Ah, e os convites! Muitos deles já foram entregues e, com a rapidez na resposta, não tarda nada e temos de nos atirar ao pesadelo de organizar as mesas.

Mas, neste momento, mais do que qualquer outra coisa, sinto-me muito preocupada com o planeamento da festa. Sinto-me uma incompetente ao tentar organizar um casamento – e uma festa – quando só assisti a dois casórios em toda a minha vida e nunca fui a festas ou entrei sequer numa discoteca. Pior: eu e o Miguel somos aqueles dois gatos pingados que ficamos sentados na mesa enquanto toda a gente faz a dança do quadrado em plena pista de dança, durante o auge da festa. Por isso a questão que se põe é: como é que esses dois seres, que neste caso são os noivos, vão realizar uma boa festa? Tenho muito medo que as pessoas saiam do meu casamento a pensar “que seca que isto foi”…

Aquilo que tenho feito é ouvir a opinião de pessoas conhecidas e que são, claramente, party people. Pessoas já calejadas em festas e casamentos, que sabem o que resulta ou que, pelo contrário, faz com que existam momentos mortos. Não sei quanto a vós, caros leitores, mas se também se encontram neste leque de pessoas que gostam de abanar o capacete (ou se simplesmente tiverem uma opinião pertinente a dar), ajudem aqui esta alma perdida.

Vou casar a um domingo. O casamento vai começar cedo, antes do almoço, de maneira a que aproveitemos bem o dia e que quem quiser sair cedo, de forma a poder estar acordado e decente para trabalhar no dia seguinte, o possa fazer. Isto não quer dizer que o casamento tenha de acabar à 1 da manhã obrigatoriamente; o que quero é que as pessoas que têm que sair a essa hora sintam que se divertiram e que aproveitaram todas as fases do casamento devidamente. Que partilharam um momento feliz connosco, que comeram, beberam e se divertiram à fartazana, mesmo que a festa não se alongue pela noite dentro. 

O plano é: casar – acepipes e fotos – almoço – corte de bolo – abertura de pista – jantar – continuar a dançar. A questão aqui é que a abertura da pista, a correr como planeado, vai ser durante a tarde – e aquilo que me parece é que as pessoas acham estranho dançar de tarde. Eu nunca fui de dançar – e, como tal, é-me indiferente fazê-lo de manhã, à tarde ou à noite. Mas há uma mística qualquer em relação à noite que eu desconheço e que deve também ter que ver com a bebida (que, só por acaso, eu também não consumo). 

No meio de todo este processo dizem-nos sempre que o casamento é nosso e que devemos fazer como acharmos melhor. Mas, por outro lado, também nos dizem que apesar de sermos nós a casar, a festa é para os outros. Dá-se uma no cravo e outra na ferradura, basicamente. Eu sei bem que este é o nosso casamento e tenho feito um esforço muito grande para o fazer à minha medida, sendo que planeio ignorar à grande algumas tradições amplamente implementadas. Mas a verdade é que seria impensável fazer isto totalmente à nossa visão: se assim fosse não haveria necessidade de haver álcool envolvido nem faria sentido haver pista de dança, pois nenhum de nós tem na dança um entretenimento. Por mim organizava a festa como faço (ou idealizo) um Natal ou um ajuntamento de família e amigos: com música, muita conversa e jogos de tabuleiro à mistura. Mas cedemos a algumas coisas porque é um casamento, porque faz sentido e há coisas que para todos os efeitos são obrigatórias para que todos estejam felizes e confortáveis – acho que seríamos linchados se, em vez de champanhe para brindar, puséssemos champomy porque nenhum de nós bebe álcool, não é?

A questão aqui é: qual a linha que separa as coisas “obrigatórias” das outras em que podemos mexer? Faz-vos confusão o baile ser de dia (ou pelo menos parte dele?? Qual é a mística que se perde? O que faz de um casamento um BOM casamento? Ajudem!

 

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10 respostas a “Uma história com princípio, meio e sim 5#”

  1. Avatar de
    Anónimo

    Olá
    Opinião profundamente pessoal e com conhecimento de causa.
    O casamento é teu e do teu noivo. Serão vocês que terão que lidar com a recordação para todo o sempre (assim se deseja). Os convidados se estão lá por vocês terão que perceber que é a vossa festas. Que sentido faz serem vocês a cederem para eles, quando é o vosso momento?
    Casei está quase a fazer 11 anos, do que é que me arrependo? das cedências que fiz, só porque é de bom tom, porque os pais, os sogros, os tios e o pirquito acham que sim.
    Se fosse hoje fazia tudo a minha medida e do meu marido.
    Já fui a imensos casamentos, e o meu marido é videógrafo e vou tendo contacto com a realidade, e cada vez mais acho que um casamento é um ritual próprio. Que não há tradições, que não há protocolos serrados.
    São os noivos que devem escrever esse protocolo de acordo com o seu estilo.
    Ainda hoje sou criticada pelo ramo que levei (não o mudava por nada deste mundo,,,,,refletia tudo aquilo que sou).
    E o que mais me orgulho é poder olhar para trás, lembrar me que os meus amigos me disseram que o meu casamento na sua essência espelhava a minha forma de ser e estar, e ver isso mesmo nas fotos e nos videos.

    è mais fácil um convidado esquecer um casamento a que foi que não lhe encheu as medidas, do que aos noivos suportarem o seu dia com coisas que não fazem sentido e terem que o recordar para o resto da vida.

    É uma opinião…vale o que vale
    Mais importante é serem felizes.
    P.S.: planeei o meu casamento de 25 de fevereiro de 2010 a 28 de maio do mesmo ano. 
    Tudo se consegue 🙂

  2. Avatar de sara
    sara

    Olá Carolina, 

    Estou a planear o meu casamento para este ano também. 
    Acho que há coisas em que se pode obviamente ceder. No teu caso, por exemplo, o álcool. O facto de ofereceres aos convidados nao te obriga a beber e por isso acho que é uma cedencia aceitável.
    O resto, o que obriga a ti, nao deves ceder. Eu nao vou ceder naquilo que nao me sinto confortável a fazer  (ou ele nao se sente).
    A lista de convidados é limitada – e nao tenho cedido a comentarios da familia de abrir a este ou aquele.

    Ele nao quer fazer a dança de “abertura” e eu nao faço igualmente questao, por isso nao nos vamos por a ensaiar uma coreografia para fazer algo para mostrar aos outros, se nao nos sentimos à vontade com isso.
    Os convites, que sao tradicionalmente entregue em “papel”, vamos envia-los por whatsapp em versao digital, moramos fora, é nos quase impossível entregar a todos em mao e nao vejo razao para gastar dinheiro e recursos numa coisa que vai, na maioria dos casos, para o lixo.
    A cerimónia é nossa. Nenhum de nós é praticante. Sei perfeitamente que as minhas avós gostavam de me ver ir à Igreja, mas para mim e para ele era hipócrita da nossa parte. Queremos que seja um momento nosso e por isso seremos só nós e os padrinhos.

    Nao concordo com a festa ser para os outros. O casamento é vosso e as outras pessoas só lá estao porque as consideras importantes para presenciar um momento importante da tua vida. Deves por isso faze-lo à tua medida e como voces querem. 
    Já fui a casamentos de amigos e houve muita coisa que nao faria da mesma forma. Mas penso sempre que a festa é deles, é o dia deles e sao eles que tem de se sentir bem/felizes! 

    Eu, pelo menos, só pretendo casar uma vez e quero muito que seja uma coisa à nossa medida.

  3. Avatar de Angela

    Olá!
    Eu e o meu marido também não somos pessoas de festas ou de estar no centro das atenções. Era coisa que também me preocupava.
    Na altura escolhemos um sítio em que nos sugeriram dois animadores. Iriam pôr música e fazer o pessoal mexer. E tenho a dizer que foi a melhor coisinha! Fizeram jogos, danças, com ou sem coreografias, as músicas totalmente escolhidas por eles, animaram toda a tarde (também era de tarde e estávamos a dançar)!
    Tenho fotos e vídeos das coreografias e dos jogos. E muito boas recordações!
    https://angies.blogs.sapo.pt/ja-faz-um-ano-111605

  4. Avatar de MissangaAzul

    Ora bem, comentário de uma pessoa que já perdeu a conta a quantos casamentos foi ao longo da vida (foram bem mais de 30, assim à vontade, entre familia e amigos. Comecei bem nova, ok?!?)
    Acima de tudo, o casamento é VOSSO e vocês devem fazer aquilo que VOS apetecer. Não há nada obrigatório a não ser aquilo que vocês querem
    Querem ter jogos de tabuleiro? Siga! Não querem ter bolo? Não há problema. Agora álcool, desculpem lá, a malta tem que ter que a vida não anda fácil e todos precisamos de nos animar um pouco…
    Dica nº 1: escolhe um BOM DJ! Pode ser o mais caro, mas garanto-te que faz a diferença. Sim, tu e o Miguel não são do género de dançar, mas garanto-te que no calor do momento até tu fazes um comboínho. Escolhe um DJ que comece com música ambiente durante o jantar, depois passe por clássicos dos anos 80, um pouco de dance música, sim malta adora de música pimba (Quim Barreiro é bom!), e no fim que acabe com dance music para abanar o capacete.
    Dica2: não exageres na comida. Acepipes + Entrada + sopa + prato de carne + limpa palatos + prato de peixe + sobremesa + mesa de doces + mesa de queijos + mesa com leitão e rissois + sushi e marisco + cascata de chocolate é simplesmente demais. Uma pessoa rebola ao final de uma hora e já não come mais nada e no fim é desperdício da certa. Aposta em pouca quantidade mas em qualidade. Aposta em coisas típicas da tua zona, que possas dar a conhecer aos teus convidados (porque não teres pão com chouriço quentinho a meio da tarde como lanche para os teus convidados? Tu que gostas tanto de pão com chouriço!). E pensa seriamente em vez de teres almoço/jantar sentado, ter um buffet. Assim cada um serve o que quer, e poupas dinheiro na quantidade de empregados que tens de servir. E servires o bolo da noiva como sobremesa (até pode ser acompanhado com uma bola de gelado). Assim garantes que todos comem o bolo e poupas na sobremesa.
    Dica3: não vale a pena investires muito nos souvenires, porque com quase toda a certeza, vão acabar no fundo de uma gaveta esquecidos. E quanto muito, dá uma coisa por casal/familia, não vale a pena ser 1 para o homem + 1 para mulher + outro para criança. Que tal uma aguarela do Porto para as pessoal emoldurarem e colocarem em casa?
    Dica 4: se achas que vais ter muitas crianças no casamento, investe em animação para eles. Os pais agradecem e tu também, para não teres crianças aos gritos e a correr por todos os lados.
    Dica5: poupa na decoração. Sim, podes e deves personalizar, mas vale mesmo a pena teres centros de mesa com 24 rosas brancas e 73 orquídeas em cada mesa? O que é que fazes a tanta flor no final do casamento?
    Dica5: organiza momentos que são a vossa cara. Poder ser passarem fotos vossas, pode ser uma largada de balões, pode ser alguém a declamar poesia, pode ser um mini concerto de um pianista. Não queres ter fogo de artificio? Óptimo! Mas personaliza as coisas ao VOSSO gosto.
    (continua)

  5. Avatar de MissangaAzul

    Dica6: aposta numa boa cabeleireira e num boa maquilhadora. Faz testes antes com as duas. Tira fotos a ti própria de todos os ângulos possíveis para veres se te gostas.
    Dica7: delega funções e confia nessas pessoas. Elas estão lá para te ajudar e vai tudo correr bem. Não sejas ser mulher e tentes controlar tudo. Sim, há coisas que vão correr mal no dia, faz parte, mas no final tudo vai ser maravilhoso.
    Dica8: sim, tens que ter álcool. Mas também poder ter cocktails de frutas, chocolate quente, sidra, vinho quente, o que quiseres. 
    Dica9: um bom fotografo e um bom videofotografo SÃO ESSENCIAIS! Plo´amor da Santa, não poupes neste ponto! Já vi e assisti a coisas pa-vo-ro-sas, e tu queres mesmo ter um bom registo do vosso dia.
    (coisas que + me lembro dos casamentos que fui: se o DJ era bom e a dança era animada; se a mesa de doces era boa; com quem fiquei sentada na mesa; quantas horas demoraram a servir a comida; se os acepipes foram distribuídos num sitio relvado e se os meus sapatos se enterraram; se a quinta era muito longe de casa,; se a quinta era um espaço bonito/agradável; a que horas da madrugada tive que me levantar para ir ao cabeleireiro; quão bêbado acabou o noivo (e a noiva!); eu ainda sou do tempo em que se levava latas velhas e espuma de barbear e rolos de papel higiénico para decorar/sujar o carro dos noivos ).
    Espero ter ajudado…

  6. Avatar de Catarina
    Catarina

    Se a música for boa, a qualquer hora se dança!
    O segredo é encontrar um boa banda, que imponha o ritmo da festa. Deixo-te aqui uma recomendação de uma banda genial e que sabe, melhor do que ninguém, ler o público e criar um ambiente espectacular.
    https://www.facebook.com/cheersaquelabanda/

  7. Avatar de
    Anónimo

    Olá Carolina, sempre que vou a casamentos uma das coisas que mais gosto é de dançar, aliás se há momento que gostava que tivesse durado mais no meu próprio casamento é o da dança!
    Dito isto, acho que no teu/vosso caso e até tendo em conta a situação actual, deves adaptar a algo que usufruas com prazer. Pelo que transmites no blog, adoras concertos. Se puderem (não é barato), porque não um concerto em vez de DJ?
    Gostas de ele, viajar, música… Que tal organizar um quiz? 
    Compreendo a parte de tentar agradar os convidados, eu também tive isso em condideração, mas és capaz de arranjar alternativas de os divertir, divertindo-te também.
    Como disse, adoro dançar, adoro essa parte dos casamentos, mas não me chocava nada e até era capaz de sair agradavelmente surpreendida com outras opções de entertenimento. 

  8. Avatar de
    Anónimo

    Deve conhecer melhor os seus convidados que qualquer outra pessoa, esses convidados gostam de dançar? Se sim, escolha um bom DJ que ponha essas pessoas a dançar, mas não se esqueça de incluir aquilo que também gosta de fazer.
    Se as pessoas que vão ao casamento gostam dos encontros que costuma organizar, então vão gostar do casamento se o preparar como um desses encontros. Se os jogos de tabuleiro fazem parte desses encontros, prepare momentos para fazerem jogos de tabuleiros. Costuma fazer filmes com base em fotografias, então prepare um… mas se aquilo que costumam fazer é teatros, porque é que não pode haver um teatro. O casamento ao ser de manhã deixa ali um tempo ótimo para esse tipo de atividades que vão fazer com que as pessoas nunca mais se esqueçam de um casamento que foi o vosso.
    Ah… e para não quebrar expectativas junto dos convidados, se começarem já a dizer o que querem fazer as pessoas não vão criar expectativas de que irão ter uma festa que está centrada no baile.

  9. Avatar de Carolina

    O que disse sobre os convidados potencialmente esquecerem um casamento e os noivos não o esquecerem de certeza é uma grande verdade. Como adoro ter o dedo em tudo, mudava quase tudo daquilo que é normalmente tradicional… mas é um caminho duro, tenho vindo a perceber.
    Mas farei por isso!

  10. Avatar de Carolina

    Eu também quero muito que o casamento seja à minha medida… há poucas opiniões que me importam, mas essas nem sempre são a favor de pequenas coisas que gostava de mudar. Ainda assim… a maioria vai para a frente. Quem criticar, que faça diferente e a seu gosto no seu casamento 

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