• Uma história com princípio, meio e sim! #16

    Agora que já atravessamos os tópicos mais “macro” do casamento – aquelas coisas que têm mesmo de se tratar, que se são exaustivas e por vezes chatas – passemos à parte facultativa e, para mim, mais divertida. Falemos do que é mutável, personalizável e eventualmente memorável. Já disse aqui – muitas vezes? – que tinha um medo atroz que o meu casamento fosse igual a todos os outros e queria muito fazer (e ser) diferente naquilo que conseguisse, de forma a deixar o meu (nosso, meu e do Miguel) cunho. O meu desejo era que um convidado olhasse para trás e tivesse meia-dúzia de memórias daquele dia, que retivesse algo porque notou a diferença.

    E se por um lado fizemos coisas à grande (ainda não contei, mas contarei em breve), por outro tivemos muito cuidado com todos os pormenores. Também já o referi aqui, mas repito – acredito profundamente que são os pormenores que fazem a diferença. São eles que tornam o todo melhor, mesmo que não sejam notados na sua individualidade; as coisas pequenas têm essa dinâmica infeliz, de serem notadas apenas quando falham e não quando estão presentes, mas faz parte. E embora muitas pessoas não tenham reparado em metade, nós reparamos e fizemo-lo com gosto e com propósito.

     

    A decoração da sala é das primeiras coisas que se decide, assim como a disposição primária das mesas e do local do DJ. Passa-se depois para a decoração das mesas. As quintas funcionam, na sua generalidade, por packs; normalmente existem três: um mais básico, outro de gama média e outro de gama alta. Aquilo que difere entre eles é normalmente a quantidade (e qualidade) do álcool envolvido, o número de buffets e sua diversidade, e alguns extras como fogo de artifício, champanhe à entrada, etc. A decoração, à semelhança de muitos outros serviços que as quintas oferecem, funciona por acrescento; independentemente do pack que se escolha, trabalha-se sempre com base no serviço de loiças/talheres mais básico que existe (que é branco, branco e… branco). Querem diferente? Pagam. Querem um copito com cor? Pagam. Um talher dourado? Pagam. Uma toalha azul em vez de branca? Pagam. São as regras do jogo.

    A primeira coisa que fizemos – e que para nós era imperativa – foi mudar as cadeiras. Nos últimos meses vi muitas, muitas, muitas fotos de casamentos – e segundo um estudo feito por mim (cujo rigor não consigo garantir, mas não têm outra hipótese senão confiar), 80% das quintas de todo o mundo têm exatamente as mesmas cadeiras (podem ver aqui). Como é que isto é possível? Não sei. Mas aquele fornecedor deve ter feito bom dinheiro. Azar dos azares, nós detestamo-las – e por isso o nosso maior investimento ao nível da decoração foi noutro tipo de cadeiras (as desta foto), mais amadeiradas e rústicas, tal como o tema do casamento. Acrescentamos também um marcador de palhota, um guardanapo e um copo verde, para não ter tudo um tom deslavado. As mesas dos convidados eram redondas, com atoalhados cor de linho (pack básico); a mesa dos noivos, onde nos sentamos nós e os nossos pais, era de madeira, com um arranjo floral suspenso, muito bonito, que acho honestamente que foi dinheiro bem gasto. O centro floral das mesas era adornado por um cubo, pelo qual também tivemos de pagar (e, bem… era dispensável, admito).

    As flores foram providenciadas pela quinta, sendo que só vi os arranjos no próprio dia. Disse apenas aquilo que queria – eucaliptos, gipsofilas, astromélias e tudo o que fosse na mesma onda – e, no dia, era esperar que gostasse. A ideia era que predominassem os verdes, com os pequenos apontamentos de branco, o que foi cumprido. Não queria rosas e algumas apareceram lá pelo meio – mas, confesso, foi para o lado que dormi melhor. Na verdade só vi os arranjos com “olhos de ver” no dia seguinte ao casamento, quando fui deixar uma série de coisas que  tínhamos deixado na quinta.

     

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    Cubos no centro de mesa, com arranjos florais

     

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    Suspenso da mesa dos noivos (infelizmente não tenho uma foto do conjunto mesa-suspenso)

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    Disposição da mesa e decoração

     

    Havia apontamentos florais também nas cadeiras a caminho do altar e optamos por ter um semi-arco de folhas antes das cadeiras (algo parecido com isto), que serviu à posteriori para tirar as típicas fotos de pose. Não tenho nenhuma foto onde ele se veja claramente e, honestamente, acho que não fez muita diferença (espero estar enganada, uma vez que custou um dinheiro razoável). 

    Mas não podia falar em flores sem falar das mais importates de todas: as do bouquet! Os ramos das noivas fazem parte daquela lista absurda de coisas comuns que normalmente são baratas mas que, como é para casamento, passam a custar os olhos da cara. Nunca esteve no meu plano ir a uma florista e dizer que ia casar; ia pedir um ramo normal, com as características que queria, e depois estilizava-o da forma que desejasse, caso fosse necessário. Na altura até andei a ver ramos na internet, para não ter de enganar ninguém (nem me roubarem a mim), mas entretanto falou-se da florista da minha sogra, que se disponibilizou a fazer o trabalho. Trabalho esse que eu não podia recomendar mais – por ser criativo, dedicado e feito à minha medida; por ser um negócio local, que todos devemos ajudar. 

    Dei à Verónica, da BelaDona, a ideia daquilo que queria e uma série de fotos para servirem de inspiração. Tendo em conta que o casamento seria todo em tons de castanho e verde, queria dar no bouquet um apontamento de cor. Mas, mais importante, queria muito que fosse feito com flores secas, de forma a que o ramo aguentasse uma vida sem se estragar. Passado uns tempos passei na sua loja, no Castêlo da Maia, onde tinha um monte de flores diferentes para escolher. Depois foi só deixá-la fazer a sua arte. 

    Mandei fazer o meu bouquet, um outro muito semelhante para atirar (que acabou por não acontecer), dois pequenos raminhos para colocar nas campas dos meus avós e um apontamento para o fato do Miguel. O que restou das flores foi para o bolo, que ficou com uma decoração única e que “casava” com o meu ramo. Daí ainda sobraram alguns raminhos de cada espécie, com os quais fiz – já depois do casamento – pequenos ramos para oferecer às mulheres que me acompanharam nesta jornada: mãe, irmã, cunhada, sogra e meninas das alianças. O principal, o meu bouquet, mora hoje no nosso quarto – comprei uma jarra de propósito para ele e é a peça que me lembra diariamente que aquele dia aconteceu.

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    O bouquet, ainda na florista, sem a parte do “punho”, que esteve em hipótese ser em ráfia ou corda, mas que acabou por ser um fio estilo papel kraft

     

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    No dia, já com o bouquet pronto

     

    A Verónica ficou ainda responsável por fazer os nossos souvenirs. Não queríamos dar nada que fosse para uma gaveta e nunca mais ser visto, que é o que acontece com a maioria das lembranças de casamento. Vimos várias alternativas, pensamos num íman para o frigorífico, máscaras… mas a ideia que ganhou foi mesmo a primeira: suculentas. É algo que (à partida) não vai para o lixo nem se guarda numa gaveta e que, não tendo utilidade prática, será sempre algo decorativo e que serve a maioria dos gostos (até porque havia variedade para escolha). Para além disso, no universo das plantas, faz parte daquela lista que não exige grandes cuidados ou atenção, tendo uma maior hipótese de sobrevivência mesmo em casas que não tenham este hábito. Ainda por cima seguia o nosso tema: rústico, verde e floral. Melhor era impossível! 🙂

    Não consigo dar valores de referência do serviço de florista, pois todas estas peças não foram pagas por nós. No entanto, sei seguramente que não foi nenhum balúrdio – e que o meu bouquet terá custado muito menos do que os absurdos 150, 200 ou 250 euros que muitas vezes pedem para este tipo de arranjos. Por isso o conselho é o mesmo que o dos cabeleireiros: procurem, perguntem, arranjem referências e conselhos de pessoas amigas, não menosprezando pequenos negócios como este que, no meu caso, fizeram tod a diferença.

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    Ainda na florista, o primeiro exemplar das nossas suculentas, envolvidas em ráfia e com um pequeno laço verde à frente. Havia ainda um detalhe em papel kraft com os nossos nomes – o design foi feito por mim e mandei imprimir as rodelas na 360 imprimir.

     

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    O setting do bolo (decorado com as flores do bouquet), onde estava também o nosso livro de assinaturas e as suculentas. As caixas de madeira onde elas estavam e onde as distribuímos já eram minhas – umas utilizadas na arrumação de fotos, outras em produtos de beleza – e utilizei-as no dia para não ter de comprar outras para o efeito. O rústico, mais uma vez, presente.

     

    No post seguinte falo de tudo o que é estacionário e outros detalhes – a maioria deles feitos por nós.

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  • Uma história com princípio, meio e sim! #15

    O entretenimento foi a parte do casamento que nos trouxe mais dúvidas desde o início. Não somos pessoas de festas, pelo que não conhecemos DJ’s ou músicos nem sabemos aquilo que resulta num ambiente festivo (a questão de fazer o baile durante a tarde, por exemplo, assombrou-nos durante imenso tempo e fez com que adiássemos a programação do dia até à última da hora). O facto de termos ido a poucos casamentos também não abonou a nosso favor, pelo que tivemos de seguir o nosso instinto.

    Uma das coisas más em organizar um casamento em seis meses é a urgência que se tem em arranjar fornecedores. A minha prioridade após ter a quinta, como já disse aqui, foi o fotógrafo. O vestido de noiva e o entretenimento vinham a seguir. Mas, na música, estávamos a navegar na maionese – sendo que, ainda por cima, não é algo que consigamos avaliar num vídeo ou muito menos em fotografias; é o tipo de coisa que se experencia e se aprecia (ou não) e que nem os comentários de outras pessoas ajudam muito, pois depende do estilo e gostos de cada um. Tínhamos poucas referências de nomes e zero referências de preços, pelo que optamos por um pack oferecido pela equipa de fotógrafos, que está neste momento a lançar esse serviço. 

    Olhando para trás penso que foi o maior erro que cometemos, ao nível do casamento. Não que o serviço do DJ tenha sido mau: mas porque pagamos mais do que tinha sido necessário (à posteriori soubemos de outros preços e conseguimos comparar) e porque, na verdade, usufruímos muito pouco, tendo em conta que o nosso casamento acabou cedo e teve muito pouco baile. E a verdade é que a própria vibe do DJ também não coincidia com a nossa, o que acabou por fazer com que, ao final da noite, a música resvalasse para onda muito mais rock/house que não era, de todo!, do nosso agrado. No entanto, no meio de tanta coisa a decidir, acho que “errar” num só ponto do casamento não é tão grave assim.

    Em relação à música a nossa abordagem foi simples: fizemos uma playlist de canções que gostávamos para o DJ ter uma ideia dos nossos gostos, assim como uma lista das músicas dos momentos-chave. Também dissemos aquilo que não queríamos: era proibída Beyoncé, Jerusalema, tudo o que é pimba, kuduro e outros estilos parecidos (a dança do quadrado também estava nas exclusões).

    Tirando a parte inicial – em que o DJ não pôs a versão da música que eu queria para caminhar até ao altar, e eu fiquei POSSESSA – e a parte final, mais arockalhada, a perceção que eu tenho (porque, confesso, a minha atenção raramente se dirigia para a música de fundo) é que o DJ fez um bom trabalho quando estava em livre demanda. A verdade é que não havia muito por onde errar, uma vez que era só passar música; prescindimos de toda a parte de entretenimento que normalmente está a cargo dos DJ’s: não houve jogos, desafios, cantorias nem sequer lançamento de bouquet.

    A escolha das músicas dos momentos-chave (que deixo abaixo) foi dos processos mais chatos e demorados, até porque eu e o Miguel não temos gostos iguais. Passei semanas a pensar na forma como ia entrar no altar. Acabei por fazer uma short-list e escolhemos os dois em conjunto, e o critério foi simples – a emoção. Na música escolhida, e a imaginar o momento, começamos logo os dois a chorar como madalenas, por isso a decisão ficou tomada mesmo antes de a termos racionalizado. O mesmo não aconteceu com as outras, e acabou por ser tudo escolhido à última da hora – ou era, ou era! – mas no final acho que resultou tudo muito bem e fiquei feliz com a escolha de todas elas. Gostava de ter utilizado uma música do Jamie Cullum e outra do Twilight neste mix de músicas importantes, mas acabou por não acontecer e está tudo bem 😉

    Mas a música não ficou por aí – e estamos apaziguados com esta questão porque, apesar de acharmos que não fizemos grande negócio com o DJ, temos a certeza que acertamos em cheio quando decidimos ter música ao vivo. Esta hipótese esteve muito tempo em cima da mesa (o meu irmão era o maior entusiasta desta ideia) mas, com o DJ contratado,  não sabíamos onde encaixar mais um momento musical. Mas encontramos “O” grupo e mexemos várias vezes no programa até encontrar aquela que foi a fórmula ideal para o nosso casamento e proporcionar aquele que, para mim, foi o seu momento mais alto.

    Tivemos uma sorte descomunal por o Trio Simple Sound ter a data disponível – porque se não fossem eles, provavelmente a música ao vivo ficava descartada. Eles refletiam tudo aquilo que queríamos para o nosso dia: uma vibe muito chill, descontraída, divertida mas sem ser excessiva. Gostamos logo imenso do Ricardo na primeira reunião, numa identificação perfeita de valores e de ideais, e soubemos que no dia tudo ia correr bem. E correu. O trio interpretou perfeitamente o público que tinha à frente, e ia-os “alimentando” sempre com mais música (e até discos pedidos!), fazendo com que o pessoal dançasse coisas que, à partida, não são assim tão dançáveis. E desconstruiu uma ideia de que tinha muito medo: “será que resulta o baile à tarde?”. Resulta! Mais do que isso: à tarde e ao ar livre, que foi só ouro sobre azul. Acho que é só querer, escolher bem os músicos e, acima de tudo, fazer parte do movimento. Tenho uma pena enorme de só ter assistido a metade do concerto (na outra parte estávamos a aproveitar o pôr-do-sol para tirar as típicas fotografias), porque sei que foi a parte do casamento com a qual mais me identifiquei. Foi aquele o casamento com que sonhei. Quando voltei já tinham acabado – mas toda a gente queria mais. Contratava-os de novo, num piscar de olhos, para um casamento ou qualquer outra festa. Gostei mesmo muito. 

    De fora ficou a ideia de fazer um quizz depois do almoço. Na altura  fiquei triste por não conseguir avançar com algo que achava ser original, mas no dia fiquei aliviada, pois os tempos descambaram e teria sido (ainda mais) difícil de gerir tudo o que ainda havia para acontecer. Por outro lado, acho que as pessoas não vão para um casamento para fazer um trivia; a maioria das pessoas gosta de comer, beber e conversar – e a atividade de pensar muito, num dia que supostamente deve ser descontraído, não está nos seus planos. Eu sempre vi um casamento como uma festa – e festa, para mim, inclui jogos de tabuleiro e boas conversas – mas, na verdade, um casório é visto como uma coisa diferente, com tradições distintas, que não se coadunam com muitas das ideias que tinha para mim e para esse dia. Podia fazê-las – mas sei que a adesão não seria a ideal, e que o meu entusiasmo não seria refletido nos outros. E, mais uma vez, entra aqui um mantra típico, verdadeiro mas doloroso, que é: o casamento é nosso, mas a festa é dos outros. 

    Ainda assim, diria que o balanço a nível de entretenimento foi positivo.

     

    Para memória futura, a lista das músicas que acompanharam os momentos-chave do casamento:

    Entrada do Noivo: Marcha Imperial, do Star Wars

    Entrada da Noiva: Never Enough, The Greatest Showman (devia ter sido a versão original mas a que se ouviu foi outra, infelizmente)

    Saída do Altar: I Want to Hold Your Hand, Beatles

    Brinde: Give a Little Bit, Supertramp

    Entrada na sala: Crazy Little Thing Called Love, Queen

    Corte do Bolo: Ain’t No Mountain High Enough, Marvin Gaye e Tammi Terrell

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  • Uma história com princípio, meio e sim! #14

    Num mundo idílico, o tema “cabelos e maquilhagem da noiva” não seria um dos que abordaria isoladamente aqui no blog. Mas, na verdade, é o exemplo perfeito de um flagelo que afeta a organização de um casório chamado «inflação completamente desproporcionada de tudo o que tenha “noiva/casamento/noivo” no nome».

    Casei num domingo e a cerimónia estava marcada para as 11h30. Ou seja, tinha duas questões difíceis de resolver: primeiro a maioria dos cabeleireiros estão fechados ao domingo; segundo, dada a hora do casamento, teria de começar a arranjar-me por volta das 8h (o mais tardar!) – hora a que os cabeleireiros, normalmente, ainda não estão a trabalhar.

    Por isso decidi começar a procurar serviços/profissionais que fossem a minha casa, para me arranjar não só a mim como à minha família mais próxima. E fiquei EM CHOQUE com os preços que me deram e que, aparentemente, são aceites pelo mercado em geral. Profissionais deste gênero têm normalmente packs de noivas que, desculpem-me a sinceridade, são de bradar aos céus; pedi orçamentos a quatro empresas diferentes e o mínimo que pediam para arranjar a noiva era 250€. Isto incluía maquilhagem e cabelos, assim como a prova. Sim, são dois momentos distintos e dois serviços diferentes… Mas 250 euros? 300? 350? Mas está tudo maluco?! Isto era o pacote mais pequeno, sendo que havia outros que chegavam aos 900 euros, incluindo retoques de maquilhagem ao longo do dia, pedicure e manicure.

    A questão que me assola é: uma maquilhagem de noiva não é uma maquilhagem igual às outras (aliás, a minha era bem mais simples do que muitas das convidadas)? Um penteado de noiva não é igual a qualquer penteado que vamos fazer ao cabeleireiro num outro dia de festa, tirando o facto de pendurarmos lá o véu? I

    E isto, na verdade, pode ser extrapolado para muita coisa no que diz respeito ao casamento. O bouquet não é um ramo normal? A lingerie não é igual aquela mais sexy da secção noite? A resposta é não. Porquê? Porque é para o casamento, o dia mais mágico das nossas vidas, e tudo o que implique dias mágicos pede preços mais elevados.

    Nestes casos em que se pedem preços astronómicos por coisas aparentemente normais (só por serem para o casamento, esse dia mágicooooo!), o meu conselho é procurar e não aceitar, simplesmente, que os preços são aqueles que nos dão. Não digo que regateiem – mas procurem! Falo sempre no site dos casamentos.pt, que é normalmente uma ajuda preciosa, mas aconselho-a principalmente para fotógrafos, espaços e outros serviços especializados nesta indústria; no caso de coisas “mundanas” procurem na vossa cidade, perguntem a pessoas conhecidas, peçam referências. Há sempre alguém que conhece uma pessoa com jeito de mãos, uma lojinha ou quem tenha um cabeleireiro de confiança, por exemplo.

    A mim foi o que me safou. Neste momento não tenho um cabeleireiro que frequente sempre ou onde faça serviços completos; tive uma fase onde fazia tudo o que era estética num só local mas neste momento arranjo as mãos num sítio, os pés noutro, a depilação noutro e o cabelo no sítio para onde estiver virada naquele dia. A minha mãe, neste momento, é fiel à Inês Pereira, na Maia, falou com eles e, felizmente, estavam disponíveis nesse dia!

    As guidelines eram claras: estar simples e natural! A ideia inicial era ir com o cabelo semi-apanhado, só com um “nó” para encaixar o véu e o toucado, mas mudei de ideias no dia da prova, quando fizemos vários testes e toda a gente pendeu para um penteado um bocadinho mais elaborado. Na altura concordei; hoje, levaria o cabelo mais solto, a minha ideia original. O penteado foi feito de forma a que, se quisesse, o pudesse soltar parcialmente – até levei o alisador para fazer umas ondas e etc. – mas acabei por não mexer mais. O tempo no dia do casamento é tão escasso e precioso que temos de fazer algumas escolhas – e eu preferi estar com as pessoas ou com o meu marido do que ir (re)arranjar o cabelo.

    O mesmo se aplicou à maquilhagem: uma linha super simples e clean, com cores suaves e leves; sem pestanas postiças nem grandes contornos, o essencial era mesmo parecer natural. Na semana anterior ainda tinha ido comprar um batom para poder retocar ao longo do dia… que ficou no mesmo saco que o alisador, em que não toquei. Mesmo com algumas lágrimas e depois de comer, não retoquei absolutamente nada – por isso acho que contratar um serviço de estética que acompanhe a noiva ao longo do dia é dinheiro deitado ao lixo (a menos que sejam celebridades ou vloggers e tenham de estar sempre no ponto..!).

    A equipa da Inês Pereira foi sempre impecável e tudo correu lindamente, tanto na prova (onde fiz três penteados diferentes) como no dia do casamento. Eram 6h30 da manhã e estavam quatro profissionais a chegar e a montar todo um estaminé no jardim interior lá de casa, com luz natural de fazer inveja à maioria dos cabeleireiros, para tratar de mim, da minha mãe, irmã, cunhada e sobrinhas – sempre com boa energia e com um sorriso na cara. Demorou tudo mais tempo do que estava a contar – nunca achei que demorassem uma hora e meia só a maquilhar-me – mas quem sabe, sabe, por isso deixei que fizessemo seu trabalho e meti-me na minha vida. Pelo meio ainda tomei o pequeno-almoço e orquestrei a organização dos cones das pétalas – e acho que é seguro dizer que era a pessoa mais calma cá de casa. E a verdade é que não tinha razões para tal: correu tudo lindamente e acho que ainda ganharam clientes pelo caminho. 

     

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    Para referência: para todos estes serviços e arranjar três mulheres e duas meninas (com penteados e maquilhagens várias, de complexidades diferentes), o valor rondou os 400 euros. Valeu ou não a pena, procurar? 😉

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  • Há uma década a escrever neste blog

    Faz hoje dez anos que criei este blog. Foi o terceiro na minha linha de blogs pessoais (o primeiro foi criado em 2009) – cada um com o seu nome e com um cunho diferente no que dizia respeito à forma e ao conteúdo que expunha, principalmente em tudo o que dizia respeito à minha esfera privada.

    Parei aqui, no Entre Parêntesis, com aquele que eu achei que era o equilíbrio ideal – conseguindo por um lado demonstrar os meus sentimentos, mas por outro resguardando tudo aquilo que eu considerava que não devia estar à tona da água. Tinha 16 anos, acabava de descobrir um problema no pé (que, na altura, não sabia que viria a ser crónico) e estava prestes a entrar no 11º ano, um dos anos mais atribulados da minha vida de estudante. Hoje, com 26, estou à frente de uma fábrica têxtil, casada, já com os cursos no currículo e a vida de estudante para trás das costas, sentido que agora sim, tenho uma vida pela frente, guiada pelas minhas ambições e vontades mais concretas.

    São dez anos de trabalho. Escrever num blog dá trabalho – e , mais do que isso, rouba muito tempo. Quando o criei era fácil ter motivação para escrever – vivíamos o boom destas plataformas e o feedback era rápido, quase imediato – mas os anos foram passando e a paciência das pessoas para ler textos (em vez de ver vídeos, por exemplo) foi diminuindo gradualmente. Hoje só escreve quem gosta mesmo de o fazer; quem não tem a ilusão de que o faz para influenciar, para vender ou para ganhar dinheiro. Há dez anos surgiram muitos blogs pelas razões erradas – que desapareceram igualmente rápido, ou simplesmente migraram para plataformas mais amigas da imagem e da venda fácil. Em 2011 os blogs do Sapo eram uma cidade do litoral, com vista praia; hoje, com o êxodo, somos uma vila no interior do país. E quem diz que não se está melhor na montanha? Aqui só vem quem quer, quem gosta, e não só os veraneantes.

    São dez anos de mudança – e ainda bem. Na verdade não podia ser de outra forma – seria muito mau sinal se nada tivesse mudado na minha vida desde os 16 anos. Mudei de vertente na escola secundária, mudei de turma; entrei e saí da faculdade com o curso concluído e fiz mais tarde uma pós-graduação; estagiei, arranjei emprego, despedi-me; comecei a trabalhar na fábrica, tornei-me sócia; arranjei namorado, saí de casa, casei-me. É talvez a fase mais transformadora na vida de alguém – e está aqui toda, documentada, com os seus altos e baixos, assim como os vales, alguns mais silenciosos que outros.

    São dez anos de gestão de expectativas. Escrevo acima de tudo porque gosto, porque é a minha auto-terapia, porque me faz bem. Mas também porque, ao longo dos anos, construí o sonho de, no fundo, me pedirem/pagarem para escrever. Não falo de posts patrocinados ou parcerias – eu queria escrever livros, queria que as minhas palavras estivessem nas mãos de alguém, que chegassem a mais gente. E, nisso, saí frustrada. Passou uma década e nunca consegui. Confesso: olho com alguma inveja para “miúdos” de 19 e 20 anos a escrever no Observador e no P3 e pergunto-me com frequência: mas como? Na minha cabeça trilhei o caminho certo: escrevi, escrevi, escrevi. Sobre tudo e mais alguma coisa. Li muito (hoje não o faço, porque ainda não consegui retomar todos os hobbies de que gosto). E, ainda assim, não consegui atrair a atenção de quem de direito. 

    Hoje percebo que quando defini a “linha editorial” deste blog pensei nele como “mais comercial” que os anteriores por ser de livre acesso, por eu não ter a obrigação de pensar antecipadamente se esta ou aquela pessoa podiam ler este texto ou ficar ofendidos com o outro e por, acima de tudo, haver uma distinção clara daquilo que era íntimo e privado. No entanto não olhei para as coisas do ponto de vista literalmente comercial; nunca me preocupei com números, não me ajustei nem mudei o meu estilo porque achei que assim teria mais leitores. Sou uma escritora egoísta – mas, ao mesmo tempo, genuína. Não acho que se possa ter o melhor dos dois mundos – o comercial e o puramente genuíno – e eu escolhi facilmente o lado em que queria estar. Sei que escrevo textos demasiado grandes e, muitas vezes, para nichos. Dedicar toda uma temporada de textos aos preparativos do casamento é uma jogada arriscada – mas a verdade é que escrevo estes textos para mim, para um dia mais tarde me conseguir recordar destes tempos. A única diferença para todos aqueles que registam este tipo de coisas em cadernos de apontamentos ou diários é que eu partilho, o meu diário é aberto, e o dos outros não. 

    Tal como num diário, não há aqui nenhuma linha de raciocínio lógica que eu procure seguir; navego ao sabor dos dias e escrevo quando e sobre aquilo que me apetece. Pode ser sobre o casamento, sobre o novo iogurte que descobri no supermercado, sobre as eleições ou uma simples opinião sobre um livro; podem ser dicas sobre o que escrever em fitas universitárias ou como pendurar as sardinhas da Bordallo Pinheiro. Muitos destes textos são preciosos anos depois de terem sido escritos – tenho muita gente que os encontra no Google e vem comentar – mas que, na altura em que os partilhei, são só mais uns para os arquivos, sem grande valor acrescentado. Mas a verdade é que, daqui a uns anos, talvez uma noiva desesperada venha aqui ver como é que eu fiz isto e aquilo, da mesma forma que vêm procurar dicas sobre viajar sozinho, como é fazer uma excursão ou um cruzeiro. 

    Dez anos volvidos, já não espero nada. Tudo o que vier é bom. Fico feliz com um comentário, contente com um novo like no facebook, extasiada com um destaque e radiante (e com o coração quentinho) quando recebo um email como um que recebi há dias, relembrando-me que não estava só, que era compreendida e que ainda há gente desse lado.

    Também já não estabeleço metas. Não penso em chegar aos 900 seguidores no facebook no final do ano nem em escrever cinco posts por semana. E muito menos ponho pressão em mim própria para escrever imenso com o objetivo de ser notada por alguém, para um dia me pedirem para escrever em qualquer lado. Acredito que, tal como no meu trabalho, o caminho se faz caminhando – e o que temos de fazer para algo acontecer é, simplesmente, seguir o nosso percurso e estar atentos aos sinais.

    Sinto que, principalmente nestes últimos dois anos, falhei muito para com este blog e com quem o lê; é curioso como uma coisa tão simples nos pode pesar nos ombros, apesar de não termos qualquer tipo de compromisso explícito. Porque a verdade é que eu posso não escrever todos os dias, mas todos os dias penso em escrever. Por isso estou a tentar trabalhar em rotinas para conseguir satisfazer a minha vontade e necessidade de escrever para conseguir, também, reconquistar algum território perdido – porque sei que a consistência é uma das formas mais fáceis de (re)construir uma plateia, após meses ausência a perder leitores.

    Quando festejei o 8º aniversário deste blog falei do que era, para mim, ser adulto. Ser adulto é esquecer. E escrever é um antídoto para todas as falhas de memória que o nosso futuro nos promete – não impedindo que cresçamos mas, talvez, que não envelheçamos tão rapidamente. Não sei se vou escrever aqui durante mais dez anos; não sei quem vou ser ou o que vou estar a fazer daqui a uma década. Mas gostava de continuar a fintar a memória e poder rebobinar a minha vida, como se de um filme de tratasse, simplesmente acedendo aos arquivos deste diário aberto. Pode ser que sim. Esperemos que sim – acho que seria bom sinal.

    Parabéns Entre Parêntesis! 

     

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  • Uma história com princípio, meio e sim! #13

    Se escolher e fazer o vestido foi um 31, escolher os acessórios foi um “walk in the park” (ou seja: foi fácil). Embora não soubesse ao certo as peças que queria usar tinha uma ideia já bem definida de tudo o que precisava e o estilo que queria. 

     

    Os sapatos

    Os sapatos foram a primeira coisa que tratei. O ponto fulcral era serem confortáveis – tenho há dez anos um pé cronicamente inchado e não posso ousar passar um dia em cima de alguma coisa que não seja minimamente fofa. Na verdade nem sequer precisavam de ser muito bonitos, pois iriam ficar a maior parte do tempo debaixo do vestido! Outra condicionante é que não podiam ser muito altos – primeiro porque, como todos sabemos, a altura do salto é proporcional ao desconforto e segundo porque o Miguel não é propriamente espadaúdo e eu não queria ficar mais alta que ele. 

    Mandei vir vários modelos para experimentar, entre sandálias e sapatos, mas a maioria do calçado atual – com as biqueiras quadradas – não faz nada o meu gosto. Optei por um modelo mais clássico, quase híbrido, com a parte da frente fechada e a de trás aberta. São da marca espanhola Unisa e custaram-me cerca de 50 euros, em promoção no El Corte Inglês. Seriam muito confortáveis se eu não tivesse um pé inchado; sendo assim, depende do meu estado. Mas não deixam de ser aptos para usar no dia-a-dia, quando quiser um look mais formal – o que é óptimo, pois não foi dinheiro gasto para um só dia de uso. Na verdade, de tanto os usar antes do grande dia (para os moldar aos meus pés), eles já foram para o casamento com as pontas já desbotadas e a sola bem arranhada.

     

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    O toucado

    Para o cabelo quis, desde início, um toucado – independentemente de ter véu ou não. A ideia do penteado foi mudando ao longo dos tempos – falo disso num próximo post, quando abordar o tema dos cabeleireiros – mas sempre com este elo comum: queria uma peça bonita a adornar, preferencialmente dourada e com motivos florais. Das marcas e lojas que conheço, a Cata Vassalo foi logo a primeira a surgir-me na mente (depois ainda encontrei outras empresas com peças do género, mas a Cata continua a ser a minha preferida). Quando comecei a pesquisar vi algumas peças pelas quais me apaixonei, mas quando me decidi a comprar (meses depois, demasiado em cima do acontecimento) já não havia assim tanta escolha. Por isso aprendam: escolham a peça pelo menos dois meses antes do acontecimento!

    De qualquer das formas sinto que fui muito bem servida, com uma peça linda. Importa também dizer que gostei muito do tratamento que tive por parte das meninas do atelier, sempre muito simpáticas e prestáveis. 

     

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    A lingerie

    Desta parte poupo-vos às fotos, mas vão ver que não será muito difícil de imaginar. Se nos sapatos a palavra de ordem era conforto, aqui não havia outra coisa que me passasse pela cabeça. Soutien não ia usar, pois o vestido tinha as costas abertas e copas para suportar o peito. No que diz respeito à parte inferior, não ia usar coisas com laçarotes, fitas ou rendas – ou, pior, daquelas cuecas que se metem no rabo! – quando já tinha de transportar um vestido de três quilos, puxar um véu pelo cabelo e aguentar uns sapatos um tanto ao quanto apertados durante um dia inteiro. Há limites!

    Por isso fui à Intimissimi e disse à menina: “vou casar mas quero uma daquelas cuecas de micro-fibra, cortadas a laser e de cintura alta, de cor de pele”. Ela ainda tentou impingir-me a linha de noiva, com o argumento de que até ofereciam a liga (isso é um incentivo?), mas foi claramente mal sucedida. Assim, em vez de usar a lingerie e a deitar para canto, comprei uma coisa barata, confortável e muito útil para o dia-a-dia. Ouro sobre azul.

    Partilhei isto com as pessoas à minha volta com a mesma naturalidade com que escrevo aqui e fui super gozada pela minha escolha – que, a mim, me parece muito mais natural do que usar cuecas XPTO num dia tão extenuante como um casamento. Vejamos isto com olhos de ver: a noite de núpcias já não é o que era, não há cá surpresas ou ânsias sobre o que vai acontecer. Na verdade o que me parece difícil é o noivo ainda ter energia para, sequer, olhar para a roupa interior da agora esposa. Se o casal gosta desse tipo de coisas há muitos dias para se usar lingerie diferente e arrojada – mas o dia do casamento não é um deles. Da minha parte, posso garantir uma coisa: quando cheguei a casa tinha MUITA vontade de me despir… para poder tomar banho, tirar os dois quilos de suor que tinha em cima e conseguir, finalmente, dormir. O resto? Há uma vida de casada pela frente, meus amigos.

     

    As jóias

    Como o vestido tinha uma linha um bocadinho boho-vintage, quis sempre que as jóias fossem douradas. Comprado o toucado também já não havia volta a dar e teria de seguir com essa ideia. 

    Fiz uma seleção de coisas que tinha em casa (não só minhas como da minha mãe) e só no dia, já vestida e penteada, é que decidi. Era importante para mim usar uma peça com história, tanto do lado da minha mãe como do meu pai. As jóias da minha avó paterna são para mim amuletos e eu estava quase certa de que iria usar uns brincos que dela herdei, mas no fim de contas acabei por mudar de ideias.

    Assim, usei um colar da minha mãe, uns brincos meus (oferecidos pelos meus irmãos num aniversário anterior) e uma escrava/pulseira da minha bisavó – mãe da minha avó paterna -, de quem herdei o nome Carolina. Fiquei com a minha vontade apaziguada e sossegada pois sabia que, independentemente de tudo, eles estariam comigo naquele dia (sendo que também teriam uma homenagem na própria festa, de que depois falarei).

     

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    (não tenho fotos onde seja tudo bem visível. aguardemos pelas dos fotógrafos)

     

    As alianças

    Tendo em conta que quase metade do casamento foi organizado em tempos de confinamento, optamos por comprar grande parte das coisas pela internet. Foi o caso do toucado, dos sapatos e até das alianças. 

    Já tinha comprado jóias pela internet – brincos e colares – mas nunca anéis (por serem difíceis ao nível dos tamanhos) nem algo tão sério, em ouro “puro” e com este nível de responsabilidade. Quando começamos a pensar nas alianças o Miguel disse-me para espreitar a Glamira para ter inspiração, mas a verdade é que gostei tanto dos modelos que decidimos arriscar. Antes de comprar pedimos um “medidor” – uma espécie de abraçadeira com números, que apertamos à volta do nosso anelar, concluindo assim o tamanho que devemos pedir – que chegou dentro de uma semana. Fizemos a encomenda algures em Maio, porque tínhamos medo de gravar as alianças e, à última da hora, sermos obrigados a mudar a data do casamento. Felizmente correu bem – acertamos tanto na data (que não mudou, whowoo!) como no nosso tamanho, e gostamos muito das peças em si.

    Para mim o melhor da Glamira é a capacidade de personalização. O modelo que escolhemos tem duas ligas, que podiam ser da mesma cor ou com dois tipos de ouro diferentes; eu teria arriscado em fazer uma mistura, mas o Miguel preferia o clássico, em ouro amarelo, e assim foi. Eu já tinha caprichado no facto da minha aliança ter uma zircónia, para ser diferente, por isso já estava feliz. A largura do anel também é regulável – nós, como temos mãos relativamente pequenas, escolhemos a mais fina, com 2mm – assim como a espessura/altura, em que também optamos pelo modelo mais baixo. O preço, neste caso, foi pelo pack das duas alianças – sendo que é possível devolvê-las (mesmo tendo personalização) ou pedir para redimensionar, caso seja necessário. A entrega foi feita no timing previsto. Fiquei super cliente!

     

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    Assim consegui, finalmente, cumprir uma tradição – não vá o meu casamento ser amaldiçoado por ter quebrado tudo o resto. “Something old, something new, something borrowed and something blue.” A escrava é muito antiga (mais de cem anos), o toucado era novo, o colar era emprestado e o azul… estava na liga, que usei apenas na cerimónia, mas que fiz questão de vestir por me ter sido emprestada por uma pessoa muito importante para mim.

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  • Review da semana 28#

    Para desenjoar um bocadinho do tema do casamento – que, para mal dos pecados de alguns de vós, ainda vai ter lugar durante mais uns tempos – decidi trazer hoje de volta uma das rubricas que sempre me deu mais prazer: a Review da Semana (que é como quem diz: o espaço onde me dou ao luxo de opinar sobre marcas, produtos, serviços e tudo aquilo que me apeteça). E ela volta das cinzas (sim, porque já não fazia um post destes há dois anos) com uma recomendação daquelas mesmo boas, que já ando para partilhar há meses. 

    No Natal fui influenciada por uma publicidade do Instagram (sim, às vezes funciona!) e decidi arriscar na compra de um shampô sólido. Apesar de já conhecer várias marcas que trabalhavam este tipo de cosméticos, de já ter oferecido vários shampôs deste género a outras pessoas e de até ter experimentado outras coisas sólidas e pouco usuais (como pasta dos dentes ou desodorizante), nunca me tinha aventurado em produtos para o cabelo.

    Mas vi aquela publicidade da Plume e, por alguma razão, gostei da forma como trabalhavam o conceito da marca e arrisquei. Na altura estavam com um pack muito simpático que, se a memória não me falha, continha não só o shampô como um aroma para pôr nas gavetas e um sabonete esfoliante. Tinham vários, dedicados aos diferentes tipos de cabelos. Eu sempre tive o cabelo oleoso, algo que tende a piorar com as hormonas, principalmente em alturas de grande stress – algo que, no Natal, estava num verdadeiro crescendo. Investi por isso no pack que continha o shampô sólido de jasmim e argila verde, feito especialmente para cabelos com as características do meu.

    E posso dizer-vos o seguinte: primeiro estranha-se, depois entranha-se. Tinha uma série de ideias pré-concebidas que, percebi depois, são totalmente mentira: achava que este tipo de shampôs não faziam espuma, que eram menos práticos e mais difíceis de aplicar. Na verdade é exatamente o oposto: fazem espuma quanto-baste, são super práticos – tanto ao nível da aplicação como para transporte, por serem pequeninos e compactos – e, acima de tudo, duram muito mais tempo – primeiro porque, ao contrário dos shampôs líquidos, não há o risco de acontecerem aqueles pequenos desastres em que, sem querer, pomos na mão quantidade suficiente para lavar o cabelo durante duas semanas, e depois porque funciona como um sabonete, que não se desgasta com tanta facilidade. E quanto aos resultados, não tenho razão de queixa: oleosidade controlada, o que faz com que não seja obrigada a lavar o cabelo todos os dias – e às vezes, na loucura, até aguentar dois!

    Gostei tanto que já voltei a repetir a compra e até adicionei mais produtos ao carrinho: o condicionador sólido de jasmim e lúcia-lima (óptimo e ainda mais “poupado” que o shampô – acho que tenho ali produto para ano e meio!) e o sabonete detox carvão e lima, que também gostei imenso (e, curiosamente, o Miguel também). Ainda tenho por experimentar o esfoliante com sal dos Himalaias, para tirar a pele que tenho aqui a esfolar, mas sei que dificilmente me irá desiludir. 

    Neste momento não uso outro shampô e, como tal, este veio comigo para as Maldivas. Por ser sólido pôde ir na mala de mão – o que foi óptimo, tendo em conta que a nossa mala se perdeu pelo caminho e só chegou no dia seguinte. Coloquei-o dentro da caixinha metálica (que também é vendida pela Plume) e está feito: ocupa muito menos espaço, não é preciso preocuparmo-nos com o limite dos líquidos impostos pelas companhias áreas ou com possíveis fugas de produto, que nos deixam os necessaires numa verdadeira bodega (quem nunca?!).

    Estou super fã! 

     

     

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  • Uma história com princípio, meio e sim! #12

    Uma das grandes odisseias do meu casamento foi arranjar vestidos. Não para mim – que já tinha decidido tudo, apesar de ter sido feito à pressa por força das circunstâncias – mas para as outras mulheres, nomeadamente a minha mãe, irmã (e madrinha), cunhadas e “meninas das alianças”.

    A oferta de vestidos de cerimónia já não é, à partida, muito vasta. Mas encontrar uma peça que gostemos ficou ainda mais difícil devido à pandemia, principalmente por duas razões: nos primeiros tempos de desconfinamento a procura foi imensa, pois havia muitos casamentos a acontecer dali a pouco tempo, muitos deles que já tinham sido alvo de um ou mais adiamentos. Isto correspondeu a uma procura desmesurada, que não foi acompanhada pela oferta – depois do embate que foi o confinamento, com um impacto gigante para os retalhistas, estes precaveram-se e não fizeram compras durante meses a fio. Isto resultou em pouca diversidade de modelos, muito poucos tamanhos e, no fundo, pouca escolha. 

    Depois há outra dificuldade acrescida: na roupa de cerimónia é muito difícil encontrar meios-termos, no que ao preço diz respeito. Ou é tudo estupidamente caro ou francamente barato (e, consequentemente, de fraca qualidade). Isto obrigou a que tivesse de fazer praticamente um estudo de mercado para conseguir arranjar vestidos bonitos, bons, mas cujo o preço não obrigasse à venda de um rim. Tive mais experiências más que boas – e este é o post que gostaria de ter encontrado há uns meses, quando andava de um lado para o outro à procura do vestido perfeito para cada uma das minhas pessoas. Para mim, é serviço público – e isso implica honestidade. Por isso aqui vai a minha opinião, nua e crua, sobre todos os sítios onde pus os pézinhos. Ora vamos lá:

     

    Começamos a pesquisa pela Maia, minha terra-natal:

    Encanto, loja muito popular de vestidos de noiva. Tem vestidos de cerimónia bonitos, diria que para uma faixa-etária já tipo mãe do noivo/noiva. Os preços são sempre de 300 euros para cima. Peca, muito, pelo atendimento, de que não gostei minimamente.

    Vestido Meu. Não posso opinar sobre os vestidos porque nem sequer os vi. Dois minutos depois de entrar na loja e esperar por algum tipo de atendimento, surge uma senhora que nos diz que só atendem por marcação (mesmo estando a loja vazia e eu dizendo que só queria ver os vestidos de cerimónia, que não era sequer para vestir). “Se quiserem dou-lhes o número de telemóvel para marcarem”, acrescentou. “Obrigadinha, mas sei ir ao Google”, apetecia-me responder. Batemos com a porta para não mais voltar. Se não querem vender, há quem queira. Adeus!

    SheSaid. Esta não é uma loja dedicada a roupa de cerimónia – é uma multi-marca de gama média-alta que também tem alguma oferta para ocasiões mais formais. Acima de tudo tem boas opções para vestimentas “limbo”, que tanto são para festa como para o dia-a-dia, dependendo dos acessórios e sapatos com que conjugamos. Para um público jovem-adulto. Funcionárias muito atenciosas.

    Francisco’s (Valongo). Esta loja, muito discreta, foi uma óptima surpresa. Também multi-marca, tem uma oferta maior que a SheSaid no que diz respeito a roupa de cerimónia, com preços entre os 150€ e os 400€. Fomos impecavelmente atendidas e foi por pouco que não compramos lá um dos vestidos que  procurávamos. 

     

    Seguimos para o Porto. Sei que há mais lojas do que as que vou mencionar, principalmente dedicadas a noivas na zona de Sá da Bandeira, mas não entramos porque não nos identificamos com o estilo de roupa que vendem.

    Rosa Clará. Fomos lá fazer a minha primeira prova de vestido de noiva e ficamos logo de olho em alguns vestidos de cerimónia – de tal forma que foi lá que a minha mãe comprou o seu. A coleção é muito bonita, mas não é nem para todos os tipos de corpos nem de carteiras. Há muitos vestidos acima dos 600€. O atendimento, na minha opinião, também não é um ponto forte, tendo-me desagradado em várias ocasiões. Vale só pelo produto – caso tenhamos dinheiro para ele.

    Pronovias. A visita a esta loja foi só por descargo de consciência, pois não tínhamos visto nada no site que nos encantasse. A escolha também era relativamente reduzida. O atendimento já foi muito mais atencioso, mesmo não tendo marcação e havendo provas a decorrer no interior. Os preços são semelhantes aos da Rosa Clará.

    AmourGlamour. Foi, de todas, a loja com mais escolha. É a mais eclética ao nível de estilos e de preços – há para todos os gostos, preços e feitios. E por isso é que se tem de ir para lá, acima de tudo, com paciência – porque é tanta coisa, tanta cor, tanto modelo… que fácil é desistir pelo cansaço. Das duas, uma: ou vamos de mente aberta e prontas para vestir metade da loja ou temos uma ideia muito definida e já procuramos coisas muito específicas, que reduzam a escolha. Independentemente disso, a palavra de ordem é mesmo paciência. E tempo. E mais paciência. O atendimento é simpático.

    EasyPrice. Loja com vestidos “low-cost”, com um estilo jovial. Os preços baixos da roupa (dos 50€ aos 100€) pagam-se no serviço e na qualidade. Estivemos praticamente uma hora na fila para entrar e a loja estava um autêntico C-A-O-S, com os funcionários sempre ocupados a ir buscar coisas ao armazém, completamente incapazes de arrumar tudo aquilo que as pessoas desarrumavam. Só aceitam dinheiro e não fazem trocas ou devoluções. A roupa é muito “moda”, pouco ou nada intemporal, e à base de materiais baratos (como poliéster). É uma boa solução para malta nova que não quer investir num vestido caro que, de facto, só vai usar uma ou duas vezes.

     

    Matosinhos:

    SwagStore. Loja muito semelhante à EasyPrice, mas mais organizada e com outro tipo de serviço (arranjos, inclusivamente). A base dos materiais é a mesma mas diria que serve um público mais vasto, desde teenagers até adultos, tanto com modelos mais joviais e mais “moda”, como outros mais conservadores e clássicos. Preços entre os 60 e os 130€.

     

    Vila do Conde:

    Borsini. Foi a última loja que visitamos – até porque, felizmente!, não precisamos de procurar mais. Adoramos tudo, desde o atendimento – fomos tratadas como se fossemos clientes da casa há quinze anos – até à diversidade de modelos e de preços. Se soubesse o que sei hoje teria até feito uma prova de vestidos de noiva, pois tinham uma coleção pautada por um enorme bom gosto. Tanto a minha irmã como a minha cunhada compraram lá os seus vestidos – lindos e dentro do preço que procuravam. Tudo correu bem: os prazos foram cumpridos, os arranjos impecáveis. Zero razões de queixa, 100% de recomendável.

     

    “Meninas das Alianças”

    O nome está entre aspas porque, na prática, não tive meninas das alianças. As escolhidas foram as minhas sobrinhas que já não têm idade este posto. Também não lhes quis chamar de damas de honor, por isso ficou ali num meio termo: foram atrás de mim até ao altar e ajudaram-me com o vestido/véu/cauda e levaram também as alianças e os nossos votos.

    Arranjar vestidos para meninas de 11 e 13 anos não é fácil: porque já não são crianças mas também não são adultas; porque já têm gostos e opiniões próprias, mas também têm de cumprir com os gostos dos pais. Um filme! 

    Foram dias e dias à procura e optamos por comprar os vestidos numa grande marca. Escolhemos um vestido da Mango, da secção de adulto, que servia e ficava bem a ambas (ainda que com alguns arranjos). Iam muito fofinhas!

     

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    O fato do noivo

    Nem tudo foi um mar de rosas. O Miguel comprou o seu fato no Prassa e não ficou cliente, tanto pela oferta de produtos (ou a falta dela) como pelo atendimento. Têm a fama, tiram o proveito, mas não fazem jus ao nome.

    É verdade que escolher um fato não tem o mesmo peso de um vestido de noiva – mas é o momento do noivo, do protagonista, e deve ser visto como tal. O que ele sentiu foi que aquela era uma loja para massas, sem o tratamento personalizado que se quer naquele momento (e que se devia exigir pelos preços lá praticados). Não se sentiu minimamente apoiado aquando da escolha do fato, ficando não só com a sensação de que era mais um mas também que o estavam a despachar, para entrar outro freguês e faturar mais umas centenas de euros.

    A escolha era limitada. Os funcionários foram explícitos, dizendo que só se podia comprar o que estava exposto e com conjuntos definidos – não havia hipótese de mandar vir tamanhos ou outros modelos assim como não era possível escolher um colete diferente daquele que vinha originalmente com o fato (que era, por regra, da cor do mesmo). Quando, dois meses depois, foi buscar aquilo que tinha comprado, a camisa tinha uma das mangas subidas e outra por subir – o arranjo teve de ser feito à pressão, na hora, enquanto ele lá esperava. O atendimento podia ter melhorado de uma altura para a outra, mas tal não se verificou.

    Pessoalmente não tive opinião na matéria – nem da escolha da loja, nem do fato (embora este tenha sido uma boa escolha, com uma cor muito bonita e um bom cair) – mas, se tivesse tido, sugeria a loja Infinitomar, na Maia. Fui lá antes do casamento, fazer uma outra compra, e fui tratada de forma exímia. Foi lá que o meu cunhado comprou o seu fato e onde fez, pelo mesmo preço que no Prassa, um colete por medida, com materiais escolhidos por si.

    Fica a dica!

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  • Uma história com princípio, meio e sim! #11

    O fotógrafo foi a primeira coisa em que pensei mal decidimos que íamos casar. Decidimos uma data – na altura era 4 de Setembro – e eu deitei logo pés ao caminho pois tinha pânico de não arranjar alguém com quem me identificasse. Fiquei pior quando comecei a receber respostas negativas, já com agendas cheias. 

    Este era um dos poucos tópicos onde a minha permeabilidade ao preço (e aos exageros) era maior, porque acho inconcebível ter um mau profissional num dia tão importante como este. Já aqui falei várias vezes sobre a importância das fotografias na minha vida. Também por causa disso – e porque, confesso, tenho alguma dificuldade em delegar coisas que acho de importância máxima – auto-intitulei-me a responsável por este pelouro: sou eu quem tira e edita as fotos de todos os eventos de família e, no final do ano, junta tudo para fazer os álbuns de best ofs

    Para mim as fotografias têm a mesma função da escrita: eternizam, impedem o esquecimento. Percebo aquelas pessoas que não gostam de ser fotografadas, que se sentem desconfortáveis, que acham que ficam mal e que por isso não querem ser vítimas de qualquer objetiva – no entanto conheço muito pouca gente que não goste de relembrar os tempos que já passaram (a menos que sejam tempos muito maus). Se juntar os meus diários de bordo às fotografias que tirei… viajo de novo. Quão incrível é isso?

    Era essa magia – de ser capaz de recuar e reviver tudo – que eu queria para o meu casamento: poder, daqui a uns anos, olhar para aqueles frames e voltar a sentir a felicidade e as borboletas no estômago. E gostava que tal acontecesse nos meus moldes de fotografar: sem grandes poses, sem flash, com movimento e alegria. Não queria fotos clichê de véus a voar, deitada na cama ou no chão, com o bouquet pousado sobre a minha cauda. Mas a verdade é que deixar que a magia aconteça nas mãos de outros é um risco e uma responsabilidade muito grande. E, mesmo depois da escolha, confesso que tive momentos de grande receio. Será que a escolha tinha sido boa? Será que a vibe vai ser a certa? Acho que as dúvidas só se dissipam quando tivermos o trabalho completo nas mãos – mas neste momento, em que já recebi meia-dúzia de fotografias, o meu coração já está mais sossegado.

    Contactei quatro empresas/fotógrafos. Primeiro os Storytellers, que descobri no site  do Casamentos.pt e cujo trabalho me atraiu por ser fora da caixa e, acima de tudo, por terem um combo de foto e vídeo, sendo que eu gostei muito de ambos os trabalhos; falei também com o Pedro Vilela que era aquele que eu dizia, há anos, que seria o meu fotografo de casamento – já devo seguir o seu trabalho há uns dez anos e nem sequer me recordo como o conheci; por indicação do meu irmão – pessoa em quem confio plenamente no que diz respeito a fotografia – fui pesquisar o João Medeiros e também a Rita Rocha, ambos com trabalhos que adorei.

    Troquei vários emails com todos eles – e entre esperas, respostas e negas todos foram seriamente ponderados e podiam, todos, ter sido os escolhidos. No meio disto tudo íamos vendo as quintas, até que tomamos uma decisão. E, adivinhe-se: a data que tínhamos definido, 4 de Setembro, estava ocupada! E por isso, ao contrário daquilo que se costuma fazer, adaptamo-nos nós ao calendário da quinta e acabamos por escolher o dia 27 de Junho, uma das poucas datas que tinham livres (e por causa de uma desistência!). Nesta altura já tinha recebido algumas respostas negativas e tinha tudo apalavrado com o João Medeiros – que, na nova data, não tinha disponibilidade. Fiquei muito triste – e outra vez em pânico – porque o contacto com eles (o João e a Pamela Leite) foi do mais incrível e atencioso que experienciei ao longo desta aventura da organização do casamento, mas não tinha outra opção senão fazer uma nova ronda na minha short-list e ver se alguém tinha disponibilidade.

    E os Storytellers tinham! Acabou por ser óptimo porque matamos dois coelhos de uma só cajadada: a foto e o vídeo, sendo que acho que a segunda parte é também fortíssima na equipa que escolhemos. Porque as fotos são óptimas, mas não deixam de ser imagens congeladas, incapazes de captar movimento e som, que são igualmente essenciais. Numa foto não conseguimos perceber a forma de andar ou a voz de alguém – e são esses pequenos detalhes que nos distinguem uns dos outros e que, para mim, também importam recordar. Se não fossem eles, tinha em vista o Ninho Films, a Andorinha Films e o Overall Studio – mas fiquei particularmente feliz por ser tudo a mesma equipa e sentir que estava bem servida. Os vídeos de casamento têm uma característica que não gosto: são, na sua maioria, tristes – e eu queria que o meu fosse algo alegre, que refletisse aquele dia de uma forma emocionante mas bem disposta. E os Storytellers têm vários assim, pelo que estou na esperança que o nosso seja um bom equílibrio entre toda a emoção que se viveu – porque não faltaram lágrimas no nosso casamento – mas também uma dose enorme de felicidade.

    Só os conhecemos no dia do casamento – até lá só tínhamos falado com o Bruno, o “cabecilha”, em reuniões virtuais. Mas a verdade é que a empatia e o à vontade foi tanto que, à posteriori, muita gente me disse achar que já nos conhecíamos. Porque, para mim, não há outra forma das fotos fluírem, serem genuínas e verdadeiras. Sei como me sinto se tirar fotos a pessoas que não gostam de ser fotografadas e vejo a diferença que faz tirar fotos a familiares ou a pessoas com quem não tenho tanta confiança. Se eu queria fotos como aquelas que eu tiro, tinha de me comportar como gosto que os outros se comportam quando estão à frente da minha lente. Eu gosto muito de tirar fotografias e de ser fotografada – mas o mesmo não se pode dizer do Miguel. E acho que, nestes casos, há uma boa dose de mentalização que deve ser feita, principalmente quando escolhemos fotografos mais “rebeldes” e fora da caixa, que foram contratados para, de alguma forma, invadirem a nossa esfera privada e a documentarem. Se não os tratarmos como alguém da família, a magia que falava acima não vai acontecer – e, para isso, mais vale contratar um fotógrafo clássico e pagar menos dinheiro.

    A simpatia, o olhar curioso e atento e a capacidade de integração dos Storytellers foi notada por toda a gente, o que sobe ainda mais a fasquia e eleva as expectativas para um nível quase estratósferico. Só devo ter o trabalho completo nas minhas mãos lá pela altura do Natal – gostava de receber antes, mas dada a quantidade de casamentos que estão a acontecer imagino que não seja fácil passar horas a editar. Estou super, mega ansiosa e curiosa para ver e reviver tudo de novo, e acho que se juntaram todos os ingredientes para tudo correr lindamente e termos memórias lindas para o resto das nossas vidas. Até lá, esperemos em conjunto. Para já, ficam duas das fotografias que nos mandaram:

     

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