• Follow Friday 7#

    Mar de Maio

     

    Foi graças a um comentário da Inês aqui no blog que eu cheguei ao seu espaço. Tive curiosidade, cliquei no seu nome e fui parar ao Mar de Maio. E gostei logo. Fez-me lembrar os meus primeiros tempos na blogosfera, em que cada espaço era uma partilha feita de forma despretenciosa, sem interesses ou fins, com um estilo próprio (que cada um pode ou não gostar). 

    Só ainda não li o Mar de Maio de uma ponta à outra porque não tive tempo. Não é um blog diário, com conteúdos despejados, pois parece-me ser tudo muito pensado quase ao pormenor. Tem um mix difícil de encontrar: por um lado tem muito de intelectual, de alguém que de facto vê e pensa naquilo que a rodeia (e o quão raro é isso hoje em dia!), mas por outro lado é uma leitura leve, que se lê de fio a pavio. 

    A racionalização de temas simples (como uma frase que viu algures ou uma música) e a partilha daquilo que gosta (livros, principalmente) são as coisas que mais me atraem no blog da Inês. Para além disso, a escrita é concisa e simples; e a estética, embora siga uma linha simples, está muito bem consiguida, sempre pintalgada com imagens bonitas e inspiradoras. Só peca por não postar mais frequentemente e nos brindar com mais textos da sua autoria 🙂

    Vale a pena passar no Mar de Maio. Aliás, vale sempre a pena passar pelo mar… em qualquer mês do ano. 

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  • Review da semana 26#

    Caixas de música na Conto de Fadas

     

    “Quem sai aos seus não degenera”, diz o provérbio. E isso pode explicar o porquê de eu gostar de caixas de música – acho que posso agradecer à carga genética vinda da minha mãe. Na verdade não é nenhuma paixão assolapada, não perco a cabeça por um destes objetos – mas como adoro música de uma forma geral, o meu amor também se estende a estas peças, principalmente se as musicas forem do meu agrado (o que muitas vezes não acontece – acho-as normalmente repetitivas e irritantes).

    Há uns dias estava no facebook e cruzei-me com um anúncio de uma loja de Viana do Castelo que vende, entre outras coisas, caixas de música. Não aquelas incríveis e bonitas, que valem mais pelo aspeto visual do que outra coisa (embora tenha algumas), mas simplesmente o realejo, com o cilindro rotativo e a pequena manivela para o fazermos “cantar”. Nunca me tinha lembrado de pesquisar estas coisas e imagino que no ebay e outros sítios que tais isto se venda ao preço da chuva, mas vi ali tantas musicas que gostava, a um preço tão simpático (menos de cinco euros cada) que mandei vir para pôr no meu quarto. 

    Encomendei três: uma com a Yesterday, dos Beatles, para oferecer ao meu pai; outra com a Valse d’Amélie, do filme da Amélie, porque é talvez a minha musica preferida daquela banda sonora e às vezes atinge-me de tal forma que me apetece chorar as pedras da calçada; por fim comprei também um realejo (esse vinha mesmo dentro de uma caixa, que abre estilo livro) do Harry Potter, com o tema principal.

    Aquilo que se ganha em comprar em lojas portuguesas em vez de no ebay – ainda que possivelmente se pague mais dinheiro -, para além de termos a noção de que estamos a ajudar a nossa economia e não outra do outro lado do mundo, é a simpatia com que nos tratam. Isto não é regra: há muita gente antipática e mal agradecida por aí, mas tenho tido experiências fantásticas ao nível das compras online em pequenas lojas portuguesas. Acho que as pessoas se aperceberam que muitas vezes, não podendo competir pelo preço, é no trato e nos detalhes que mora a diferença é isso sente-se. O pacote onde me enviaram as caixinhas era absolutamente amoroso, claramente feito com tempo e carinho, assim como o bilhete personalizado que estava dentro da encomenda.

    É lógico que não estamos a falar de caixas de música hiper potentes ou de alta qualidade – dado o preço, não poderíamos esperar isso. Mas os produtos correspondem à expectativa e a forma como tudo foi tratado deixa vontade de comprar mais, quase como uma dose de mimo vinda diretamente pelo correio. A loja chama-se Conto de Fadas e pode ser visitada aqui.

     

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    (a caixinha onde vinham as minhas compras)

     

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  • (Tentar) Voltar aos sabores de infância

    Acho que todos nós temos alguns sabores idílicos dos nossos tempos idos; paladares que guardamos em recantos da nossa memória e que deixam muitas saudades, porque são quase sempre irrecuperáveis. Normalmente são de comidas feitas por alguém que já cá não está (quantos elogios já ouvi às comidas de tantas avós!), provadas em sítios onde não voltaremos ou que simplesmente fazem parte de um pacote de memórias irrepetível.

    Felizmente eu não tenho muitas lembranças dessas. Nunca tive avós que cozinhassem para mim e a pessoa que faz as minhas comidas preferidas – a minha mãe – ainda está cá para as fazer sempre que lhe peço. Tenho vários sabores que me remontam à infância, alguns dos quais nem sei dizer se eram bons ou maus… são apenas lembranças. Assim de repente só me lembro de duas coisas que adorava e que tenho realmente saudades: a primeira são as verdadeiras tapiocas brasileiras, que comia todos os dias ao pequeno-almoço quando fui ao Brasil. Durante muitos anos nem soube o nome daquilo e só recentemente, quando a moda apareceu por cá, é que me caiu a ficha e percebi que era aquilo que eu tanto tinha adorada na minha primeira viagem ao estrangeiro; ainda não experimentei em restaurantes, mas tentei fazer várias vezes cá em casa e o resultado foi desastroso.

    A segunda coisa era o meu bolo favorito do mundo, feito numa pastelaria que fechou aqui há uns anos e da qual eu guardo as melhores memórias. Sempre que alguém fazia anos cá em casa era lá que íamos – e normalmente era a mim e ao meu pai que recaía a (difícil) tarefa de ir levantar a encomenda. Esta não era uma pastelaria qualquer: era uma coisa antiga, só com venda ao público (sem sítio para sentar ou estar), localizada numa viela sem acesso a carros, longe da vista de qualquer consumidor comum. Tenho as melhores memórias desses momentos: eu e o meu pai, gulosos como somos, atacávamos imediatamente a caixa das miniaturas e depois tentavamos disfarçar os doces em falta, afastando-os entre si, para que em casa ninguém desse por nada. Ele comia os jesuítas, eu os éclairs: eram o meu pastel favorito. Entretanto, deixaram de ser – foi ali que defini o meu padrão, eram aqueles os meus éclairs de referência, e nunca mais encontrei uns sequer parecidos.

    Para além disso, faziam o melhor bolo-pão-de-ló com ovos moles do mundo (com cobertura de massapão, de açúcar e amêndoa) e, muito antes de sermos invadidos por esta moda do cake design, já eles faziam coisas incríveis. Eu tive direito a Minnie’s, a Tweeties, a Borboletas, a Capuchinhos Vermelhos e, entre outros que já não me recordo, o meu favorito de sempre: um palhaço (de tal forma que até repeti ao longo dos anos). Era a coisa que eu mais ansiava no meu aniversário: aquele bolo. Até ao dia em que eu fiz anos, a minha mãe tentou ligar para a pastelaria para encomendar o bolo e ninguém atendeu. Foi lá e bateu com o nariz na grade, já que a porta estava entreaberta. Pesquisei, perguntei, quis muito que aquela decisão voltasse atrás. Mas nunca mais. 90% das vezes que passo na rua que dava acesso à tal viela, sinto o sabor e a suavidade daquele bolo na minha boca. E tenho saudades.

    Tantas que fiz uma coisa que quase nunca dá resultado: tentei reproduzir o bolo. Por mero acaso a minha pasteleira de eleição (a La Dolce Rita) deu a receita deste bolo, tipicamente servido em aniversários, e eu aproveitei que a minha irmã fazia anos para pôr a mão na massa (dado que estou em dieta e não posso fazer doces para além das datas excepcionais). Fiz a receita direitinha (com muito custo, diga-se de passagem: só à terceira é que consegui que o doce de ovos me saísse direito), fui pesquisar receitas de massapão (que também tive de repetir, porque a primeira correu mal) e lá montei o bolo. Acho que nunca estive tão ansiosa para cantar os parabéns! Queria tanto, tanto, tanto que o sabor estivesse lá. Queria tanto acertar.

    E estive perto. Quando meti uma garfada à boca, quis pôr logo outra. O sabor estava lá. Faltava alguma humidade no bolo, precisava de mais doce de ovos e o manuseamento da massapão também não foi o ideal (embora fosse algo meramente estético). Mas tudo estava lá. Viajei no tempo enquanto saboreei a minha própria obra e desfrutei do meu dia da asneira. Tirei notas mentais sobre o que tinha de melhorar da próxima vez e já anseio pelo próximo aniversário para o meu paladar voltar aos tempos de criança. Que saudades traz um simples bolo…

     

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     (alguns dos meus bolos antigos)

     

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    (o bolo que fiz para a minha irmã. as flores de açúcar, comestíveis, foram compradas – não tenho arte para tanto)

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  • Review da semana 25#

    O meu mini-projetor LED

     

    Esta foi uma daquelas compras em que eu quase acendi uma velinha, com medo do que vinha dali. Ainda corria Novembro, estava eu a delinear os vídeos do meu projeto de Natal, quando comecei a pensar de que forma é que os ia mostrar à família. Nós somos muitos – éramos 26 este ano – e eu não queria mostrar uma coisa que sabia que ia ser importante num ecrã de computador ou até mesmo numa televisão. Ia ficar toda a gente amontoada, o som ia ser miserável, ninguém ia conseguir ver nada direito com tantas cabeças à frente e eu pensei que a melhor forma era projetar os vídeos. Havia apenas um ligeiro problema: não tinha projetor.

    Eu sabia que aqueles projetores como há na escola e nos restaurantes eram caríssimos e estava fora de questão comprar material desses quando não tinha outro objetivo para além desta utilização pontual. Fui pesquisar e descobri que há todo um mundo de mini-projetores LED à venda, alguns por menos de 50 euros. O meu tempo já não era muito e eu não podia correr o risco de mandar vir uma caixa da China, de ela demorar um mês a cá chegar e ainda ficar presa na alfândega (e eu ter de pagar um balúrdio para a tirar de lá). Tinha por isso a condição de mandar vir o material da União Europeia, por uma questão de tempo e para minorar os riscos. O problema é que, normalmente, as coisas mais baratas vêm do Oriente, por isso esta condição iria exigir-me mais pesquisa para arranjar algo bom a um preço competitivo.

    Acabei por ter sorte. Encontrei um site de tecnologias que tem vários armazéns – uns na China, outros na Alemanha – e do meu top 3 de projetores, um deles tinha stock no país europeu. A medo, mandei vir. Não confio muito nestes sites estrangeiros que vendem material eletrónico a preços de saldo, mas era a minha única alternativa. E a verdade é que a encomenda chegou, direitinha, sem qualquer tipo de problemas. Assustei-me foi com o tamanho dela. Eu sabia que aquilo era um mini-projetor, mas não sabia que era assim tão mini! O projetor é mais pequeno que a minha mão, e eu não sou propriamente um gigantone. Aí voltei a ficar preocupada, mas relaxei quando o liguei e percebi que funcionava.

    Aliás, fiquei surpreendida! Não é como aqueles que vemos nos sítios públicos, mas serve perfeitamente para nos safarmos destas situações. O detalhe não é genial (até porque a focagem é pouco precisa) e a distinção de cores também não é a melhor, sendo esta falha mais notória nos tons mais escuros. Mas dá um som porreiro, tem várias ligações possíveis (HDMI, USB, ligação de som) e lê vários formatos, sendo possível mostrar fotos, documentos e vídeos. Não tive qualquer tipo de problema com o formato dos filmes que coloquei (coisa rara – hoje em dia há tantos que a falta de codecs dá quase sempre problemas) e fiquei acima de satisfeita.

    Curiosamente acabei por não o utilizar no Natal – o meu irmão conhecia alguém que tinha um projetor “a sério”, que deu outra qualidade aos vídeos, mas tenho a certeza que se isso não tivesse acontecido também veríamos tudo sem problemas. Arranjei-lhe uma caixinha e está guardado para outra eventualidade – talvez um dia destes transforme a minha sala num cinema 😉 Ah, e não esquecer um detalhe: o projetor é amarelo, lindo, tem a minha cara. Caso queiram, comprei-o aqui, por 44 euros (portes incluídos).

     

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  • Um dia vou ter um piano de cauda

    Desde que me lembro que esta casa tem um piano. Sei que não o compraram mal viemos para aqui, mas não tenho memória da minha sala sem aquela peça. É um piano vertical antigo – acho que terá mais de cem anos -, com as teclas em marfim, como hoje em dia já não se fazem (e ainda bem). Foi nele que comecei a tocar, com cerca de sete anos – mas, se a memória não me falha, já não estava em perfeitas condições.

    Os anos foram passando e ele continua ali, com as fotografia e um par de candeeiros em cima. Até há bem pouco tempo era mais uma peça de mobiliário do que propriamente um instrumento musical. Ao longos destes anos em que estive parada, muito de vez em quando, ia lá tentar dar uns acordes e tocar algo, mas o piano estava tão desafinado que era impossível tocar o que quer que fosse ali e fazer com que soasse bem. Ia sempre desistindo.

    Entretanto voltei a tocar. Pedi emprestado o piano eletrónico da minha sobrinha, que estava parado, e coloquei-o longe de grandes centros comuns, para poder tocar sossegada (e sem chatear ninguém, usando os headphones). Mas, por outro lado, quando queria tocar para a minha família, recorria ao velho piano da sala. Mandei vir cá a casa um afinador e o som que sai das teclas já se aproxima ao desejado – mas tocar nele continua a ser dificil. As traças comeram-lhe as almofadinhas das teclas, há umas mais acima e outras mais abaixo, outras em que se tem que clicar com mais força, outras com menos. Os sons agudos são fracos, os sons graves reverberam pela caixa toda. E eu soube, pouco depois de voltar a tocar, que mais cedo ou mais tarde ia querer um piano novo.

    Fixei a data de 2020, quando tivesse 25 anos. Pensei: “vai ser a minha prenda de aniversário”. Eu tenho uma casa e uma sala grande e um dos meus sonhos sempre foi ter um piano de cauda. E nessa altura, pensava eu, já ia tocar bem o suficiente para ter um piano dessa envergadura.

    Não é o que estão a pensar: não comprei um piano novo. Mas dei autorização a que o bichinho se instalasse e dei por mim a querer muito um piano melhor aqui para casa. Este mês tenho tocado várias vezes no piano de cauda lá da escola e é incrível o poder e o som daquilo; é tão fácil tocar ali, tão leve, parece que os sons saem diretamente da nossa pele. E enche-nos a alma de forma tão grande e impactante, quase como se enchessemos os pulmões de um ar profundamente bom… é incrível.

    É lógico que comprar um piano não é propriamente igual a comprar-se uma camisola ou um casaco. Tem de ser uma coisa muito pensada, ponderada e experimentada e eu vou dar tempo a isso tudo. Quando fixei a data de 2020 era também para me certificar que não ia deixar o piano de lado outra vez; não quero fazer um investimento num piano de cauda só para ele ser uma peça de cenário. E a vida muda, dá muitas voltas, mas a cada dia que passa eu gosto mais de tocar. Ainda não se passou meio ano desde que voltei a aprender, mas já olho para trás e penso “o quê que eu fazia quando não tocava piano? Com quê que eu ocupava o meu tempo aos sábados de manhã e nesta hora diária que agora passo ao teclado?”.

    A modos que é isto: se tudo correr bem, a médio prazo, quero comprar um piano de cauda. Até lá tenho de decidir o que faço ao meu antigo piano vertical (que não sendo um piano excepcional, é uma peça pela qual tenho bastante carinho), que tipo de piano é que quero (há pianos de um quarto de cauda, por exemplo) e onde e em que valores quero comprar. Já ando de olho no OLX, atenta a qualquer boa oportunidade. Até lá, é ir amadurecendo a ideia e ir treinando, treinando, treinando, para dar pelo menos uma boa razão para não esperar até 2020 para ter um instrumento novo.

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  • Quatro coisas que me fazem fugir de blogs alheios

    Eu não tenho grande tempo para ler blogs – mas a verdade é que também já não tenho interesse em ler muitos. Mas às vezes sinto falta. Naqueles minutinhos preciosos que por vezes temos no sofá ou antes de nos levantarmos da cama, gostava de ver outras coisas para além do meu feed de instagram ou facebook e os blogs sempre foram uma boa alternativa nestes casos. Aliás, até há um ano para cá, o feedly (uma ferramenta que reúne todos os blogs que eu gosto) fazia parte do meu top 3 de aplicações diárias, ao lado das duas redes sociais que falei acima. Mas o meu desinteresse nos blogs intensificou-se de tal forma que agora, se passar lá uma vez por semana, já temos sorte.

    E isto não se trata só de tempo: eu podia sacrificar perfeitamente os (demasiados) minutos que passo no facebook a ler coisas com muito mais valor acrescentado. Mas a mim chateia-me a forma como agora tudo é feito e escrito para vender, como nada me soa a genuíno, como as pessoas só criam os blogs para serem ricas, terem a caixa de correio cheia ou só para imitar os outros.

    Mas a verdade é que estou de alma aberta para acolher novos blogs, apetece-me ler coisas novas. E ontem, nos momentos que pude, deitei o olho aos espaços destacados no follow friday dos Blogs do Sapo, só para ver se algo me chamava à atenção. E comecei a pensar naquilo que queria encontrar ou naquilo que me faz dar meia volta, clicar no retroceder e sair de um blog tão rápido quanto entrei. Então aqui vai disto – as quatro coisas que me fazem fugir de blogs alheios:

     

    Música automática. Eu não tenho nada contra aquelas pessoas que põem na barra lateral a sua playlist pessoal do spotify para quem quiser ouvir. Sou sincera: nunca ouço (e acho que ninguém ouve, mas se calhar estou enganada). Nesses casos, cada um é livre de clicar no play, em explorar as músicas e etc., podendo ler, se assim quiser, a ouvir os grilos a cantar lá fora. Mas aqueles sistemas automáticos, em que passados três segundos de uma pessoa entrar no site já estão a bombar música como se não houvesse amanhã, são coisinha para me tirar do sério e fazer clicar na cruzinha do lado direito do ecrã de forma instintiva. Gostar de um blog, gostar da escrita de uma pessoa ou gostar de alguém que escreve por detrás de um destes espaços não é sinónimo de que gostemos do mesmo tipo de música. Por isso, por favor, não nos obriguem a levar com as vossas músicas preferidas (recordam-se que, provavelmente, não são as nossas).

     

    Design ruidoso. Fundos cor-de-rosa choque ou azul eletrizante, padrões minuciosamente florais ou cheios, letras cuja cor não faz contraste com o fundo… tudo o que faça com que o conteúdo do blog seja menosprezado relativamente ao design, para mim, é um não garantido. Até porque me custa “conviver” naquele ambiente, não consigo lidar com tudo o que está a acontecer, é impossível concentrar-me na leitura quando tudo à minha volta pisca, brilha ou chama mais à atenção que os textos em si. Ah! E não me esqueci daquelas borboletas/ flocos de neve/ fantasminhas que às vezes andam atrás do cursor, qual perseguição. Isso é só a pior invenção de todos os tempos, não se metam nisso.

     

    Erros de ortografia e de concordância sistemáticos. Eu dou erros, toda a gente dá erros. Quanto mais não seja por culpa dos corretores automáticos, que teimam em não nos deixar escrever as palavras que realmente queremos. Quando releio muitos dos meus textos deteto gralhas aqui e ali (que na altura, por muito que tente, acabo por não encontrar), por isso sou longe de ser perfeita nesse sentido. Mas normalmente são coisas ligeiras: repetições de palavras, trocas de umas letras por outras graças a escrever demasiado rápido ou erros de concordância em frases com 12 orações diferentes que eu sou incapaz de decompor. Outra coisa completamente diferente é trocarem os “há” com os “à”, o coser à mão com o cozer de cozinhar ou de entrarem em estilos de português livre com palavras como “entuição” ou “caxecol”. Há erros e erros. Alguns uma pessoa percebe, outros deixa passar, e depois há aqueles que uma pessoa não consegue tolerar e sai porta fora. E porque tudo o que é demais é erro, todos eles, quando são em demasia, também dão direito a cartão vermelho.

     

    Comic-sans. Eu não sei quando é que apanhei este ódio de estimação ao Comic-sans, mas foi uma coisa que aconteceu naturalmente. Quando eu era miúda era a minha fonte favorita – tal como era a fonte de todas as raparigas de 12 anos. Lembro-me perfeitamente de ter este tipo de letra no messenger, em laranja, e adorar. Mas entretanto o comic-sans passou de bestial a besta para o mundo inteiro, e eu não fui excepção. Lembro-me de ter professores de informática e de design que diziam, aquando da entrega dos trabalhos: “o tipo de letra é indiferente. Com excepção de comic-sans! Nem pensem em usar isso!”. E o bichinho ficou. Hoje em dia detesto aquele arrendondado-fofinho do comic-sans e tendo a arrepiar caminho quando vejo um blog com este estilo de fonte nos seus textos. É um preconceito, eu sei – nem toda a gente tem de ter a mesma opinião que eu, nem toda a gente tem o mesmo percurso que eu tive com este tipo de letra e nem toda a gente liga sequer à fonte que usa nos seus textos. Mas a mim lembra-me aquela miúda de 12 anos, que escrevia mal e com erros, e por isso a minha tendência natural é fugir.

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  • Porque é que os homens discutem pormenorizadamente os lances de futebol?

    Acho que hoje em dia passo mais tempo rodeada de homens do que por mulheres, muito por culpa do trabalho. E, como não podia deixar de ser, um os tópicos recorrentes é o futebol. Mas uma das coisas que eu não percebo – nem nunca percebi, para dizer a verdade – é a necessidade que eles têm de descrever pormenorizadamente as jogadas de futebol.

    “Bom, aquilo foi um golaço que nem te passa. O Danilo passou a bola ao Marega do meio campo e ele, no lado esquerdo, finta o defesa lateral do Ave, depois centra para o Aboubakar, que chuta para a baliza mas a bola bate na trave. O Herrera está na recarga, ganha a bola de cabeça com um salto incrível, passa para o Brahimi e ele com um chuto de uma potencia incrível remata para o canto superior direito da baliza. O redes ainda tentou atirar-se, a luva quase chegava lá, mas aquilo era indefensável, pá.” (Sim, o “pá” é um detalhe importante nas conversas masculinas).

    Eu tenho a teoria de que os homens que escutam isto só apanham a parte de quem fez o centro e quem marcou o golo. Mas, se estiver enganada, quero desde já dar os parabéns aos homens deste mundo por terem a capacidade de imaginar todo este cenário nas suas cabeças. E congratular também todos os outros que decoram estes lances e detalhes, prontos para ir para o café discutir tudo ao pormenor, como quem estudou aplicadamente para um exame.

    E a verdade é que eu acharia isto natural se estivéssemos em 1979, quando não havia jogos na televisão, repetições e internet – não havia outra forma de dar a entender ou mostrar as coisas. Mas porquê que esta prática se mantém agora quando, passado dez minutos, está tudo no Sapo Desporto e daí a umas horas os lances passam cinco vezes nos noticiários, 12 vezes naqueles debates com gente-que-finge-que-discute-futebol e 31 vezes nos canais especializados? Porquê que no café não sacam do telemóvel e vêem no youtube, em vez de fingirem que estão num daqueles relatos de rádio?

    Porque o mais curioso disto tudo é que até podia ser uma coisa geracional – mas não é! Lembro-me desde sempre de ouvir os meus colegas rapazes a discutirem lances como se fosse a coisa mais interessante do mundo – ou, pior, a descrever aquele “golaço” que marcaram no campo da escola que, como é lógico, ninguém tem interesse em saber. 

    Enfim, homens e futebol. Vai ser sempre uma cena estranha.

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  • Review da semana #24

    Trello

     

    Não sei quanto a vós, mas eu sou doidinha por listas. Infelizmente ando a desleixar-me no meu bullet journal, que devia ser a casa-mãe de todas as minhas listas e listinhas, mas mesmo na altura em que andava sempre com ele de atrelado apercebi-me que já não o usava 100% das vezes que queria apontar algo. Tudo o que eram coisas rápidas, que estavam no meu top-of-mind e que eu sabia (ou achava?) que não me ia esquecer, optava por não escrever só com a preguiça de ter de ir buscar o caderno, abri-lo, pegar no estojo, tirar a caneta, escrever e guardar tudo de novo.

    Acho que já se imagina o final desta história: eu às vezes não apontava e acaba por me esquecer de algumas coisas. Como dizem os outros, de boas intenções está o inferno cheio – e eu tinha muitas, mas também já tinha uma lista mental demasiado grande para conseguir dar conta do recado. Entretanto chegou Janeiro, eu ainda nem sequer inaugurei o mês no meu bullet journal e o trabalho não abranda… muito pelo contrário. E eu sinto-me perdida, com um medo terrível de falhar, de que a memória não chegue para tudo… e por isso recorro às minhas melhores-amigas listas. Acima de tudo – mais até do que a componente organizacional – é uma forma de me acalmar, de saber que tudo o que paira na minha cabeça está assente em qualquer lado, de que não ficará esquecido e que está sempre lá mal chegue o tempo de executar a tarefa x ou y.

    Lembro-me de ter esta sensação nos meus primeiros tempos no mundo laboral: vinham coisas para fazer de todos os lados, sobre assuntos diferentes, que implicavam recados para ali, tarefas para acolá, marcações na agenda, emails para uns, notas para outros… e eu sentia que o meu cérebro estava a jogar à cabra-cega, de tão perdido que estava. Na altura passou mas, nesta nova fase no trabalho, em que faço o dobro do que fazia antes, o pânico de me faltar algo voltou para me assombrar. E por isso eu voltei a utilizar uma ferramenta que tinha utilizado há cerca de um ano e meio, na altura para uma função muito específica, mas que é maravilhosa para “listólicos” como eu. Chama-se Trello e consiste numa aplicação à base de… (rufos de tambores) listas!

    Podem criar vários “cartões”, que é como quem diz tópicos-chave, e a partir daí recheá-los com tudo e mais alguma coisa. Mesmo dentro dos próprios tópicos podem colocar comentários, pondo notas se assim precisarem, e até anexar fotografias e ficheiros, colocar datas limite, fazer check-lists e até adicionar outras pessoas às vossas listas e tabelas, sendo por isso uma ferramenta útil também para o trabalho. Depois de feitos, arquivam os tópicos-chave ou simplesmente as tarefas neles contidas (ou movem-nas, conforme preferirem).

    Tem a grande vantagem de funcionar em browser e em aplicação no telemóvel, o que faz com que tenham sempre um aparelho à mão para atualizar as listas quando necessário. Acima de tudo, é uma forma rápida, organizada e muito flexível (pelas muitas possibilidades que tem, tanto a nível das listas, como de personalização e até de partilha) de trabalhar com listas, principalmente para alguém como eu que se apoia nelas para ter sempre tudo sobre controlo e que passa a vida a escrever e a apagar coisas à medida que o dia vai passando. 

     

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