• O desabafo de uma não-heroína

    Hoje acordei a pensar em como gostava de ter um supermercado ou um salão de unhas de gel. No primeiro caso, dentro deste cenário meio apocalíptico em que vivemos, era minha obrigação continuar a trabalhar; no segundo, era obrigada a fechar. Tudo isto por indicações superiores, lavando as minhas mãos de culpas futuras que vão – garanto – cair sobre todos dentro de pouco tempo.

    No meio disto tudo, não somos todos heróis. Eu não fico em casa. Mas eu também não sou médica, não sou operadora de caixa, não sou polícia, não faço parte da proteção civil, não sou bombeira, não sou padeira, não sou talhante, não sou peixeira, não sou enfermeira, não limpo hospitais, não sou condutora de autocarros e não desinfeto espaços públicos. Sou, como se dizia antigamente, “industrial”. E os industriais – e todos os operários que trabalham nessa mesma indústria – caem num limbo problemático no meio deste caos todo. Têm nas suas costas, segundo o primeiro-ministro, o dever de fazer com que o país não pare; mas têm na sua consciência, ouvindo todos os outros que dizem ser extremamente necessário o recolher obrigatório para conter a propagação deste vírus, e tendo a plena noção de que sendo a indústria uma coisa pouco apta para o teletrabalho, que se estão a pôr a eles, às suas famílias e os seus funcionários em risco (ainda que relativo) para que tudo continue a andar. Devemos proporcionar-lhes todas as condições de higiene necessárias, diz o ministro. Se eles as tomam ou não, já não é minha responsabilidade.

    Mas são as minhas costas que me doem. É o meu sistema nervoso. São as mãos que me tremem e a pálpebra que teima em não parar quieta. É o sono que não me dá descanso. É o peso da responsabilidade que é posta em cima de mim: porque por um lado tenho o dever de fazer a economia andar (e felizmente tenho encomendas para satisfazer, compromissos para manter), mas por outro tenho o dever cívico de proteger os meus (família, amigos e funcionários). E neste caso não posso lavar as mãos desta responsabilidade: os decretos não dizem se devo continuar ou parar de laborar. Há um buraco na lei, como quem diz: “decide tu”.

    Tenho de decidir se quero deixar de honrar os meus compromissos e deixar na mão os meus clientes fiéis, que se assim for provavelmente não voltarão a colocar encomendas depois de tudo isto passar, levando-me à falência. Tenho de decidir se me quero pôr em risco, a mim e aos meus, aos meus funcionários e às famílias deles, em prol de continuar a ter dinheiro para lhes pagar o salário ao fim do mês. Tenho de decidir se quero endividar a minha empresa, com uma taxa de juro baixa mas que mesmo assim vai dar lucro aos bancos, de forma a tentar salva-la no futuro – sem saber se, mesmo assim, continuarei à tona da água. Tenho de decidir se sou forte o suficiente para ouvir opiniões contrárias – de quem, curiosamente, não tem este peso em cima dos ombros. 

    Eu não sou heroína de nada – porque ninguém decide por mim. Mas gostava. Porque medo todos temos. O peso da responsabilidade é que não.

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  • Uma viagem virtual à exposição do Harry Potter

    Numa altura em que a maioria das pessoas estão em casa – eu excluo-me deste grupo, não sei se feliz ou infelizmente – apercebi-me que muitos museus estão a fazer visitas guiadas, virtuais, aos seus espaços. E eu pensei em oferecer-me para fazer o mesmo relativamente a uma exposição que quase toda a gente ouviu falar mas que, de certo, nem todos puderam visitar. Eu fi-lo no último fim-de-semana possível, antes de tudo ser encerrado, e já o fiz com muitas restrições. Do que falo? Da “Harry Potter – The Exhibition”, que teve até há bem pouco tempo no Pavilhão de Portugal, em Lisboa. Não sei até que ponto irá reabrir, por isso, se tiverem com esperanças e não quiserem spoilers, fiquem-se por aqui na leitura deste texto.

    Os bilhetes para a exposição foram-me oferecidos em forma de presente de convalescença, mal cheguei a casa depois de ter sido operada, em Dezembro. Foi uma forma bonita que o meu namorado encontrou para me animar numa fase em que eu estava logicamente mais fragilizada. Tive de me pôr boa entretanto e, assim num piscar de olhos, passaram-se três meses e o prazo para visitar a exposição estava perto do fim. Entretanto o Covid-19 piorou a olhos vistos, tanto na Europa como também em Portugal, e tivemos consciência que ou era naquele sábado ou, provavelmente, perderíamos não só o dinheiro como a oportunidade de estarmos mais próximos daquele universo que nos diz tanto a ambos.

    Foi a visita mais rápida que fiz a Lisboa, desde sempre. Foi ir, visitar a exposição, e voltar para a segurança de casa – num ato que, só por si, já foi de maluquice e de paixão por aquela saga. As coisas já estavam muito controladas – fomos logo pela fresca, nos primeiros slots da manhã, e só entravam grupos de 10 pessoas de cada vez (sendo que só nós éramos 4, portanto 40% do grupo já estava preenchido). Todas as atividades interativas, excluído a de apanhar mandráguas na “aula de herbologia”, estavam fechadas; tudo aquilo que foi publicitado, como poder jogar um mini-jogo de quidditch, interagir na cabana do Hagrid e até as fotos em fundo verde estavam vedadas. Tudo isto condicionou, claro, a minha opinião sobre a exposição. Mas vamos por partes.

    A viagem começa como nos filmes: o comboio de Hogwarts. Com direito a neve e tudo! A caracterização é ótima, mas a passagem nesta secção é tão rápida que nem dá direito a uma foto. Quase como a professora McGonagall, dizem-nos rapidamente para nos dirigirmos para a sala seguinte, todos atrás do responsável. E lá fomos… ter com o chapéu selecionador. Só uma sortuda teve a oportunidade de saber qual era o seu destino e que casa a esperava – e não é que foi mesmo para a casa que queria, Slytherin? Que todos os nossos desejos se realizassem assim tão rápido!

     

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    A visita guiada termina aí (não seria assim se continuassem com a possibilidade de termos um audio-guia, algo que graças ao Covid-19 também deixou de ser possível). Cada um é livre de seguir o seu ritmo e demorar o tempo que quiser a apreciar as coisas. A partir daí o mote é, como se diz às criancinhas, “ver com os olhos e não com as mãos”. É uma exposição com muitos artigos, mas que pode saber a pouco aos fãs mais exigentes. Há contextualizações junto aos objetos, para quem não tiver a memória tão fresca ou simplesmente seja acompanhante de um potterhead desesperado por companhia. 

    O início da exposição é dedicado ao trio maravilha, claro. Podemos ver partes do dormitório de Gryffindor, como a cama do Ron e do Harry, as suas fardas (utilizadas mesmo pelos atores) e alguns outros detalhes dos seus aposentos. Esta dinâmica é replicada ao longo de todo o espaço – há “quadrantes” dedicados a várias personagens, disciplinas ou temas, como poderão ir vendo nas fotos a seguir:

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    A cama, a farda e as roupas informais de Ron, assim como alguns dos seus objetos pessoais.

     

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    Objetos da Hermione, como o livro “A History of Magic”, a lista do Exército de Dumbledore, o time-turner e a mala mais invejada de todas as mulheres – aquela onde tudo cabia lá dentro. Como se percebe, tudo isto roda à volta da personagem, independentemente do filme em que o objeto tenha sido utilizado (à semelhança do que acontecia em toda a exposição).

     

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    Roupas formais e informais de vários alunos de Hogwarts. É possível ver quais são réplicas e quais as vestes que foram mesmo utilizadas pelos atores.

     

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    A carta que todos nós queríamos receber. Quem não perceber isto é, sem dúvida, um muggle.

     

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    Existem vários cantinhos dedicados às aulas – neste caso, a adivinhação, com as roupas tresloucadas da professora Sibila Trelawney, a sua bola de cristal e a chávena que previu a maldição de Harry Potter, entre outros objetos.

     

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    Poções também tinha o seu espaço dedicado – obviamente com as roupas do professor Snape, utilizadas de facto por Alan Rickman. Faz um bocadinho de impressão pensar que quem deu vida àquela personagem já não está cá para contar a história – e é, acima de tudo, triste. Não faltam tubos de ensaio e outros objetos utilizados nestas aulas.

     

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    Herbologia não ficou esquecida – e muito menos as mandrágoas. Pudemos puxa-las e ouvi-las aos berros, tal e qual como nos filmes. Chaaaatas!

     

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    Dentro do armário dos medos saíram várias coisas que também se podiam ver: entre elas este palhaço gigante, extremamente fotogénico. Para quem tem medo de aranhas, nada temam: mais à frente a Aragog aparece para vos fazer uma visitinha.

     

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    Mas não só de rosas de faz esta exposição. Quer dizer – tem muito rosa. Principalmente no que diz respeito ao escritório de Dolores Umbridge. Isso e gatinhos. Mas todos sabemos que de cor-de-rosa a senhora não tinha nada. A caneta maléfica e as palavras “I must not tell lies”, que não ficariam escritas apenas no papel, também estão lá para nos reavivar a memória. Para além dela, estava também lá o fato do Cornelius Fudge, o Ministro da Magia (que era feito da mesma massa que aquela bruxinha cor-de-rosa).

     

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    A dita.

     

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    Quidditch tem um espaço especialmente grande na exposição e uma das atividades que seria mais gira de praticar mas que, infelizmente e como já disse, estava vedada ao público. As vestes, bandeiras, bolas, vassouras voadoras (a Nimbus 2000, obviamente), taças e outros objetos estavam também em exposição.

     

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    Não podia faltar a famosa snitch!

     

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    Cedriiiiiiic! <3

     

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    A cabana do Hagrid é, para mim, dos sítios mais bem caracterizados. Mas também foi aquele onde senti que poderia haver mais interação, mais movimento, mais uau! Ainda assim, é muito giro. E ter a noção do tamanho do gigante? Caraaamba!

     

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    Como esquecer este guarda-chuva, que se encontrava entre alguns dos objetos do guarda de Hogwarts?

     

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    Se é giro apreciar o tamanho de Hagrid, também é engraçado perceber o quanto cresceu o trio ao longo de toda a saga. Começam pequeninos, pequeninos… e, claro, no fim já são homens e mulheres bem formados. Diria que o Neville é a grande surpresa, quando se vê ao vivo o tamanho das suas roupas no filme final. Este recanto, logo a seguir à cabana de Hagrid, retratava a cena em que Hermione, Ron e Harry salvam Buckbeak de um fim trágico. Se repararem bem, do lado esquerdo da foto, conseguem ver as roupas do carrasco.

     

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    A parte negra entra em ação. Alguns dos cartazes em busca dos feiticeiros mais malvados do mundo estavam lá em exposição. A Bellatrix não podia deixar de estar na lista.

     

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    As várias caras de Voldemort. Também aqui achei que poderia haver mais movimento e interação.

     

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    As horcruxes (excluindo a Nagini), todas em exposição. Assim até parece que foi fácil apanha-las a todas.

     

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    Um dos locais mais instagramáveis de toda a exposição: a parede dos decretos. Muito gira!

     

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    Rita Skeeter, a jornalista, tinha também o seu próprio espaço. Acho que para a maioria não é uma personagem nada de especial mas, para mim, sempre teve algo que invejei: aquela caneta que escrevia diretamente o que ela pensava ou dizia, sem ela ter o trabalho de redigir. Já aqui falei sobre o meu desejo de ter uma coisa parecida – principalmente quando me dá a inspiração quando já estou a adormecer e a vontade de pegar no telemóvel é pouca ou quando as ideias fluem quando estou ao volante. A magia dava mesmo muito jeito em certas situações…

     

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    O baile do filme do Cálice de Fogo tem, praticamente, uma sala que lhe é inteiramente dedicada. Não faltam os fatos de Hermione, de Victor Krum, de Harry Potter, de Ron, da Cho e do Cedric Diggory (mesmo usado pelo Robert!!!). Mais detalhes como a louça, a decoração, a mesa e até os bancos também estavam presentes.

     

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    Como não adorar a (pobre) roupa do Ron? Merece fotografia exclusiva, claro!

     

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    Os objetos vendidos nas lojas de doces e de travessuras também tinham uma vitrine, mas quase tudo isto era comprável na loja que antecipava o final da exposição e que tinha as “montras” das próprias lojas.

     

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    A parte mais nostálgica coincidia, claro, com o final da exposição. Primeiro, com a fénix de Dumbledore.

     

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    Depois com o próprio Dumbledore, tendo como pano de fundo as conhecidas janelas do grande salão, onde eram servidos os banquetes para as quatro equipas de Hogwarts e seus professores.

     

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    E, ao lado dele… Dobby, o elfo. Deu quase vontade de verter uma lágrima ao relembrar, sem dúvida, uma das cenas mais tristes de todos os filmes.

     

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    A exposição em si (antes da parte de compras) termina com o trio maravilha e o Neville, depois da batalha final – e é impossível não lembrar aquela imagem antes do flash-forward, em que Harry, Hermione e Ron olham o horizonte de mãos dadas, com o castelo de Hogwarts todo destruído à volta. E que arrepios, hã?

     

    Fotografei tudo aquilo que achei essencial e que, para mim, era (e é) marcante. Este meu resumo está longe de mostrar tudo aquilo que a exposição tinha – mas cada um dá importância a diferentes coisas, e foi isto que me captou o olhar e me fez disparar o obturador. O sumo, penso, está todo aqui. 

    Se acho que é uma exposição gira para quem gosta dos filmes e quer fazer prolongar um bocadinho esta paixão? Sim. Se penso que podia ser melhor, maior, mais interativa e dinâmica? Sem dúvida.

    Mas eu, para além de ser exigente por natureza, estive há meio ano no Castelo de Hogwarts, em Osaka (ver aqui, no final do post). Não havia nada na loja que não pudesse ter comprado no Japão; já para não falar dos espaços em si, não só Hogwarts mas também Hogsmeade ou Diagon Alley, e nada bate aquilo que lá vi – a não ser, talvez, em Londres. As minhas expectativas eram demasiado altas e não é justo compara-las com uma exposição que não tem o objetivo de recriar o ambiente mas sim de trazer cá objetos que foram mesmo utilizados nas filmagens e que ficarão para sempre no nosso imaginário. Se 20€ são o suficiente para voltarmos a sermos crianças e a acreditar na magia, no poder do amor e da força conjunta… nem que seja por uma hora… oupa! Se há altura em que precisamos de tudo isso é agora e nos próximos meses que se avizinham. Esperança. Magia. E muito amor. 

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  • 25 anos em tempo de Corona

    Sempre levei muito a sério o provérbio do “não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti”.

    Eu detesto festas de anos. Sempre detestei. Já é assim desde miúda, mas nessa altura as razões prendiam-se com o medo que tinha dos escorregas nos parques de diversões escolhidos para festejar a data e porque abominava aqueles bicos de pato com queijo e fiambre que antecediam ao soprar das velas, num bolo de pastelaria igualmente abominável. Agora que penso, passaram os anos e eu não mudei assim tanto: não ando em escorregas e não vou a parques de diversões; detesto bicos de pato e ainda por cima não como queijo; e continuo a achar que um bolo de pastelaria não é digno o suficiente para festejar uma data tão importante. Se é bolo de anos, é para ser em bom – nem que seja feito pelo próprio aniversariante (que é, na maior parte das vezes, o meu caso).

    Pois que hoje completo 25 anos de vida. E, dado ser um quarto de século, ia abrir uma exceção: fazer uma festa. Queríamos que não fosse o simples “soprar das velas”; íamos convidar a toda a minha família e até, na loucura, alguns amigos – algo que sempre evitei, porque me faz confusão a mistura de núcleos que não têm nada em comum entre si a não ser conhecerem o aniversariante. Foi sempre isto que detestei em festas de anos; se no dia-a-dia já me sentia muitas vezes excluída e posta de parte, nestas festas a sensação agudizava-se, pois chegava a não conhecer ninguém, e via-me sozinha no meio de uma multidão. Posta de parte porque não alinhava nas brincadeiras. E à parte, porque nunca fui fã do conceito de festa, que envolve barulho e muita confusão.

    Mas são 25 anos. Era ano de exceção – não só pelo número bem redondo mas também pela fase da vida que vivo. É o primeiro ano que festejo com um namorado ao lado, que retirou de mim a sensação eterna de estar só, independentemente de estar só com ele ou ter o mundo à minha volta; é o afirmar de uma nova fase, pessoal e profissional – tão importantes e tão vincadas que é impossível ignorar. Por ter toda a gente que importa à minha volta.

    Por todos percebermos isso, queríamos celebrar.

    Esquecemo-nos que a vida dá muitas voltas. E que raio de volta esta, que mexeu não só comigo, não só como os outros, mas com o mundo inteiro. As séries e os livros de suspense e ficção científica não podiam ter adivinhado o que se avizinhava – num dia tínhamos uma vida normal, noutro estamos presos em casa. As notícias gritam estado de emergência. Contágio à mínima coisa. Mortes. Infetados. De um dia para o outro fecha tudo, de uma noite para a outra não sabemos se continuamos a trabalhar ou se devemos ficar em casa.

    Hoje faço 25 anos. Em 25 anos é a primeira vez que não estou com os meus irmãos, seus cônjuges e filhos neste dia que marca o meu nascimento. Foi a primeira vez que não pude abraçar a minha mãe mal abri a porta da cozinha. Em que não pude dar um beijo ao meu pai quando o vi a chegar. Foi a primeira vez desde que cozinho que não fiz um bolinho para que todos pudéssemos comer ao jantar, depois do cabrito assado da minha mãe (o meu prato de eleição). 

    É um dia tão feliz como triste: por saber que os anos continuam a contar e que a minha vida está recheada de coisas boas, mas por outro lado por não as conseguir partilhar com quem verdadeiramente amo e faz parte de mim e desta jornada. Que estes tempos de isolamento e de diversidade sirvam para percebermos a importância de pequenas coisas que há um par de dias tínhamos como garantidas. E não falo da festa de anos.

    O beijo de uma mãe.

    O abraço de um pai.

    O canto em uníssono dos meus irmãos a entoarem-me o “Parabéns a Você” – um momento que até hoje passava à frente sem grandes dramas -, enquanto espero para soprar as velas, sem medo de infetar o bolo. 

     

    Façamo-nos valer das novas tecnologias, que nos aproximam em tempos de distância. E que este aniversário, que decerto ficará para sempre na minha memória, sirva de exemplo para perceber o que realmente importa. Bem dizem que a “velhice” traz conhecimento associado.  E um quarto de século já é alguma coisinha 😉

     

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  • As saudades do abraço de um pai (ou de uma mãe)

    É uma sensação estranha estar privada do contacto físico com os meus pais. As saudades de um abraço e um beijo dos pais é uma coisa comum de se ouvir – mas da boca de quem os perdeu. No entanto, nestes tempos estranhos que correm, as carícias são proíbidas: não porque eles não estão cá, mas precisamente porque os queremos por muito mais tempo.

    Por um lado sou uma sortuda, porque decidimos em conjunto (e pelas várias condicionantes que temos – nomeadamente por eu e o meu pai continuarmos a trabalhar, ainda para mais no mesmo meio) que continuaria a frequentar a casa deles – e por isso falo-lhes sem ser a um telemóvel de distância. Por outro lado, preferia estar em casa – e saber que eles estariam na deles, isolados de qualquer perigo que eu possa vir a transmitir-lhes (independentemente de máscaras, da ausência de toques ou da quantidade de vezes que esfrego as mãos com sabonete). 

    É estranho que no momento em que mais sinto falta do colo da mãe, ela não mo possa dar. Que queira dar um aperto de mão, em forma de alento, a qualquer um dos dois… e não o possa fazer. Que estes dias, os que não podemos abraçar-nos, sejam os mesmos em que percebemos a importância desse aperto peito-a-peito, e a força que transmite.

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  • Uma epidemia de incoerências e de falta de respostas

    Nas primeiras semanas optei por desligar a televisão e ir-me mantendo atualizada mais em pleno de manhã, através da newsletter do Observador e, nas coisas de última hora, pelas redes sociais, em posts que saltavam à vista aqui e ali (maioritariamente dizendo que “ainda não há Corona vírus em Portugal). 

    O ciclo quebrou-se quando, wow!, apareceu um caso. Foi quase uma rave nas redações deste país, que estavam a ver que, para além da Eurovisão, iríamos ser também os últimos nesta pandemia de última moda. Mas depois apareceu outro e outro e outro infectados. Começaram as quarentenas. Começaram os apelos. As recomendações. O que continuou? A informação, que de tão exagerada, se tornou em desinformação. Que virou ativador de pânico.

    Procurei sempre manter-me informada, ler coisas que vão para além das nossas palas pequeninas e dos “diretos exclusivos” das televisões portuguesas. Pesquisei sintomas, estatísticas e dados reais, de todo o mundo. Tive imediatamente medo pelos meus pais, mais velhos, e pelo meu irmão, doente crónico. Não temo pela minha saúde, que pelas estatísticas está pouco em risco, mas pela deles e a hipótese que tenho de as estragar caso fique infectada. Fui a primeira a cessar beijinhos e apertos de mão quando vi que o cerco estava a ficar estreito e os casos a aproximarem-se cada vez mais; pus a questão de deixar de visitar a casa dos meus pais por uns tempos. Lavo as mãos com ainda mais frequência. Tenho cuidados.

    Mas começa a assolar-se sobre mim o medo de não saber o que vai acontecer, principalmente a nível de trabalho. Essa foi a minha primeira preocupação, ainda o vírus não tinha chegado à Europa. Importo matéria-prima da Ásia: e agora, se não chega? E se não há? A economia chinesa tomou tais proporções, açambarcando tudo e todos, que nem sequer consigo ir buscar o que preciso na Europa!

    Hoje, a questão vai além da matéria-prima. O meu negócio é de indústria. Eu adorava, mas nem eu nem os meus trabalhadores podemos operar fora da fábrica. As máquinas não trabalham sozinhas. E o que vamos fazer? Fechar a fábrica e esperar? E como é que eu pago salários no final do mês se não produzo?

    Estou numa fase de irritação porque só quero uma coisa: respostas. Sei os riscos, sei o que devo fazer, sei os sintomas. Mas quero respostas para as medidas que estão a ser tomadas. Os funcionários públicos vão receber à mesma se ficarem em casa – e os outros, que trabalham em empresas privadas? E eu, que estou à frente de uma empresa que se não trabalhar vai à falência, e que não pode laborar sem ser in loco?

    Quero perceber como têm a lata de apelar à calma quando as televisões põem qualquer ser vivo em estado de alerta. Quando dizem que devemos estar em casa, mínimo contacto possível com os outros, e continuam com aulas (que são só aglomerados de 30 alunos dentro de uma sala e centenas deles cá fora) de miúdos, esses sim, que não tem noção das coisas e não tomam as devidas precauções. As mesmas pessoas que tomam medidas como fechar feiras ao ar livre (ponho a mão na cabeça a pensar naqueles feirantes…) mas que não pensam nos centros comerciais, locais de negócio totalmente fechados e onde o risco deve ser ainda maior.

    A culpa do pânico e do açambarcar dos supermercados não é nossa: é de quem produz a informação e de quem a veicula. E pânico gera pânico: eu, que até posso nem ter medo do Corona, que sou consciente, hoje tenho medo de ir ao Lidl e não ter carne para o jantar. E o que vou fazer? Como os outros, açambarcar coisas que não precisaria mas que já percebi que não vou ter acesso fácil nos próximos tempos.

    Eu só quero respostas – como cidadã, como filha, como empresária. Também quero medidas – mas, de preferência, com menos incoerências por parte de quem manda. Até lá, não tenho outra hipótese senão fazer a minha vida normal, com todos os cuidados extra que já fazem parte do dia a dia.

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  • Um momento de self-promotion (ou da partilha de um orgulho pessoal)

    Este blog é um diário aberto. E quando digo “diário”, é no sentido mais literal da palavra: era suposto eu escrever aqui diariamente – mas por falta de tempo e por alguma preguiça (nos poucos momentos em que tenho tempo) não consigo fazê-lo. Acho que, no fundo, a ideia de todos os diários é essa: ir apontando pensamentos e opiniões do dia-a-dia. Esses caderninhos, muitas vezes fechados a sete chaves, ganharam essa conotação quase secreta e misteriosa precisamente porque todos os dias temos de lidar com os nossos sentimentos, as nossas opiniões politicamente incorretas, com outras pessoas – e as emoções e os sentimentos e as emoções delas -, acabando por se tornar num poço de desabafos; um poço sem fundo, que não critica, não contesta e não opina; e, acima de tudo, um poço sem filtros, em que a água que corre é mesmo aquilo que sentimos. E funciona como os casamentos: é para o bom e para o mau, na saúde e na doença.

    Eu levo este espaço como um diário – da família da palavra “diariamente” -, sem a parte dos segredos. Tenho filtros. Tenho cuidado com as opiniões politicamente incorretas. Porque há pessoas do outro lado e essa coisa da liberdade de expressão é muito bonita quando não nos cai em cima. Mas continua a ser um poço sem fundo, neste caso com um casamento já duradouro: já quase com 9 anos, no bom e no mau, na saúde e na doença, na faculdade e no trabalho, e tudo o resto que para aqui escrevi. E este período que atravesso tem sido muito trabalhoso, de um frenesim imenso, de um stress descomunal, mas tem tido coisas muito boas – e algumas conquistas.

    Se nos últimos anos sentia que estava a trabalhar a médio prazo, sinto que agora estou a começar a recolher frutos. Os anos que passaram foram, para além de muita aprendizagem, uma lição naquilo que é o saber esperar. Eu sabia que estava a fazer algo que só ia ter impacto uns anos depois. E hoje, finalmente, estou a ver que todo esse esforço, esse combate à frustração e a insistência na minha própria paciência, está a ser recompensado.

    Tive de pensar nisto tudo – no conceito de “diário”, da partilha do bom e do mau, das batalhas, das conquistas e das derrotas – antes de escrever este texto. Inicialmente apeteceu-me escreve-lo, mas achei que “pavonear-me” não me ficava bem. Tive por isso de voltar à raiz deste espaço, que é meu, e que sempre foi um depósito de memórias, testemunhos e desabafos de tudo o que se passou na minha vida ao longo de praticamente a última década. E acho que, pavoneando-me ou não, gostaria que o meu diário soubesse que as coisas têm corrido bem nos últimos tempos. Que só passaram dois meses no ano e que já risquei alguns objectivos que tinha para 2020.

    Acho que se isto fosse mesmo um daqueles caderninhos fechados a cadeado, teria escrito no próprio dia que falei para a RTP. Que fui entrevistada pela TVI. Que falei para os dois jornais da especialidade têxtil em Portugal. Que fui a um Desconcerto e que subi a palco. E que vai sair, um dia destes, uma entrevista também aqui sobre o blog. Porque são coisas que só acontecem de vez em quando, porque os comuns mortais não estão habituados a este tipo de exposição – e devem sentir-se orgulhosos quando têm as luzes viradas para si (desde que seja por bons motivos).

    Por isso hoje partilho aqui um artigo de uma “casa” que eu ajudei a construir mas da qual já não faço parte, sobre a minha “casa” atual – e que eu quero que seja, por muitos anos, a minha “casa” do futuro, nunca me esquecendo do passado que já carrega (e já são 60 anos). Tenho mesmo muito, muito orgulho em tudo o que ando a fazer. E isto é só a ponta de um iceberg – porque aquilo que se demonstra tem muito mais por detrás do que se faz querer parecer. Têm sido tempos de sacrifício, de muito trabalho e, acima de tudo, de muita aprendizagem. Nunca ninguém me disse que ia ser fácil. Por isso é que me preparei bem para a luta (embora os treinos nunca nos preparem totalmente para algumas batalhas…). E se há dias em que caio (são alguns), há outros assim, com o sorriso desta fotografia: o sinónimo de pequenos passos, num caminho que se quer que seja sempre a olhar para a frente.

     

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    (clicar para ler a notícia na íntegra)

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  • Clubismo e racionalidade: um duo impossível?

    Pela primeira vez na minha vida dei por mim a torcer pela equipa contrária. 

    Sou portista desde que me conheço. A minha avó fez-me sócia quando ainda não tinha 10 anos e assim me mantenho até hoje – porque sempre gostei de futebol, porque gosto de pensar que estou a continuar algo que foi ela que começou, porque me dá descontos em algumas coisas. Mas, acima de tudo, porque sou muito portista. Já fui muito, muito, muito, muito portista. Hoje sou só muito. E a culpa não é dos campeonatos que não ganhámos ou das desilusões que apanho de cada vez que piso o estádio (acredito que carrego uma sina e que o meu clube perde quando lá vou); acho que cresci, simplesmente. E relativizei.

    Penso que já aqui o disse, mas volto a repetir: eu consegui atingir o estágio ideal no que ao futebol diz respeito. Fico muito feliz quando o Porto ganha… mas não me ralo quando perde. (E continuo mega feliz quando o Benfica perde – isso manteve-se). Mas fiquei admirada quando, pela primeira vez em muitos anos, me senti mesmo chateada à custa de um jogo de futebol. E não foi por perder – foi por ganhar. (Se eu algum dia pensei que ia escrever isto!).

    Fui ao Dragão assistir ao FCPorto – Portimonense. É facil resumir o jogo: o FCP passou hora e meia a passear pelo campo e, muito de vez em quando, alguns jogadores decidiam fazer pequenos percursos a passo acelerado; já o Portimonense, embora sem grandes chances de golo, manteve-se firme, com garra e vontade, nunca desistindo. Roubando bolas, interrompendo passes, formando uma barreira que, naquele dia, foi praticamente intransponível pela equipa da casa.

    E eu passei-me. Fiquei furiosa por ver aqueles jogadores, que ganham milhões – com a minha contribuição, já que sou sócia -, a fazer praticamente nada para ganhar o jogo. Um jogo que, só por acaso, os podia colocar em primeiro lugar. Quando tinham milhares de pessoas a puxar por eles, mesmo quando não o mereciam. (Enquanto lá estava ainda tive tempo para me irritar com o comportamento coletivo que o público tem para com os jogadores quando estes fazem alguma coisa bem – como um bom passe ou um rematezinho à baliza – como se isso não fosse a obrigação deles! Recordei-me de algo que muitos de nós já passamos, enquanto miúdos, quando mostrávamos uma boa nota aos nossos pais e eles nos respondiam que não fazíamos mais do que devíamos. E ali é igual.) Foi de tal modo que dei por mim a torcer para que não marcassem golo, enquanto à minha volta meio mundo praguejava e insultava quem estava em campo, já em desespero de causa por ver o desafio empatado a zero.

    Foi o jogo todo naquilo, até que sai um golaço dos pés de um jogador. E aí o FCP passou, para os adeptos, de besta a bestial. Os insultos e a indignação ficaram para trás daqueles 87 minutos. São como crianças em plena birra: para os calar basta dar-lhes aquilo que mais querem e tudo passa. Ficam mansinhos. Já não praguejam – a não ser com o árbitro -, não insultam ou gritam. Porque naquele momento já estava tudo bem. 

    E eu ainda mais chateada fiquei. Nem festejei o golo. Fiquei triste que um golpe de sorte tenha dado a vitória a um clube que não a mereceu – mesmo que esse clube seja o meu. E nesse momento parei. Fiquei abismada. A minha racionalidade estava a colocar-se acima do meu clubismo – que, há uns anos, era acérrimo. 

    Revi mentalmente o jogo e percebi que a minha irritação e frustração se foram construindo por tudo o que se passava tanto dentro como fora de campo. Irritou-me que os adeptos festejassem loucamente quando o árbitro decidia a favor da sua equipa, não se preocupando sequer se a decisão era a correta; irritou-me a bipolaridade de comportamentos pré e pós golo. E, acima de tudo, chateou-me a falta de luta e de vontade de uma série de jogadores que recebem rios de dinheiro – e que enfrentavam outros que ganham incomparávelmente menos, que estão numa posição altamente desfavorável (tanto no local como na tabela classificativa), e que claramente lutaram com todas as forças que tinham. 

    Fui descarregando a minha frustração para cima do meu namorado assim que saímos do estádio. Ele dizia: “mas o Porto ganhou, é isso que importa”. E, apesar do meu coração ser azul e branco, na minha cabeça registou-se o pensamento: “é mesmo isso que importa?”.

    Pelos vistos não é só em matéria de amor que o coração e o cérebro entram em conflito. O futebol dividiu-me a meio. Não sei se sou mais coração ou mais cabeça. Não sei se sou mais paixão ou racionalidade.

    Sei que sou Porto, de alma e coração. Só não sei onde é que o cérebro entra nesta equação.

     

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  • Hoje há sopa para jantar

    Lembro-me bem de, já a meio da viagem do Japão, dizer ao meu namorado que tinha “saudades de fazer sopa”. Repeti a expressão vezes suficientes para ela ser uma espécie de “coisa nossa”. 

    A sopa foi a refeição que criou rotina em nossa casa. Sendo ambos trabalhadores, o fim do dia é o tempo de excelência (que é como quem diz: o único) para estarmos juntos. Uns meses depois de começarmos a namorar definimos que iríamos jantar sempre juntos – e o meu jantar sempre se baseou na sopa. Era coisa que nunca tinha feito – todos sabemos que a sopa da mãe é a melhor do mundo – mas aprendi a reproduzi-la à minha forma. E hoje digo-o com orgulho: acho que faço boa sopa. Se calhar porque com todo os ingredientes vai uma boa dose de amor.

    Mesmo em tempos que não os de dieta, onde a sopa é mesmo uma das minhas maiores aliadas, aquele momento diário de puxar da tábua, cortar o alho e a cebola para fazer o estrugido, de escolher o que tenho no frigorífico para deitar para dentro do tacho e esperar que tudo aquilo coza, enquanto emana o seu cheirinho característico, é mágico para mim. Mesmo nos dias em que não me apetece ter esse trabalho. Mesmo quando a cebola me faz chorar as pedras da calçada. Mesmo quando chego do trabalho derreada, só com vontade de um banho e um sofá para me deitar. Porque fazer sopa passou a significar casa. Passou a ser a minha rotina. A nossa rotina.

    A verdade é que a “sopa” não acaba no momento em que a passo com a varinha mágica. Também significa estar a comê-la ao lado de quem amo, enquanto cada um partilha as idiossincrasias do seu dia – mais os problemas, as chatices, os desabafos ou, por contrário, as coisas boas que nas horas antes aconteceram. Não acaba no momento em que lavamos os pratos, já depois da sopa sorvida, em que cada um arruma a cozinha o mais rapidamente possível, por sabermos que a seguir vem a parte que mais desejamos: o descanso. O mimo. O sofá.

    A sopa é tudo isso. É a rotina.

    Tenho saudades de fazer sopa em semanas muito agitadas, com jantares e eventos e dias demasiado caóticos para caberem na agenda. Tive saudades de fazer sopa quando fui de férias, tanto para o Algarve como para o Japão. Tive saudades – muitas! – de fazer sopa quando fui operada e a minha mobilidade era reduzida. E vou ter sempre saudades quando a rotina me faltar. Quando ele me faltar.

    Hoje é só mais um dia como os outros – sempre disse, enquanto solteira, que queria que assim fosse. Mas há sopa para o jantar – com tudo o que isso significa. E que bom que é!

     

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