• Fomos lá para fora… cá dentro 1#

    A semana passada eu e os meus pais fomos fazer um fim-de-semana cultural. O intuito era ser de descanso – estávamos todos a precisar de arejar a cabeça – mas a verdade é que acabamos por conhecer tantas coisas e andar por tantos sítios que de descanso teve pouco. O ponto de partida foi a Vila de Marvão, que fica junto da fronteira, já na zona do Alentejo. Era um sítio que a minha mãe queria ir já há muitos anos e que, aparentemente, toda a gente conhecia menos nós. Fizemo-nos ao caminho na sexta-feira à tarde e três horas e pouco depois já lá estávamos. 

    O meu pai chama aquilo a Massada de Portugal, porque a vila fica a 860 metros de altitude – mas o declive faz-se de forma muito repentina, não é algo gradual. Estamos cá em baixo e de repente olhamos para cima e vemos uma grande “montanha” de rocha e, lá em cima, a muralha e vislumbres da vilinha. Não é difícil chegar lá, apesar de ser estrada nacional – quem é menos experiente ou confiante ao volante pode é ter algumas dificuldades dentro da vila em si, por causa das estradinhas muito apertadas. 

    Mas bom, voltando à parte interessante: a vista, tendo em conta a altura da vila e a muralha que a rodeia, é obviamente fabulosa. Mas a própria vila em si é super bonita e bem cuidada. Toda pintada de branco com alguns detalhes de cor e envolta numa muralha também muito bonita, que dá acesso a um castelo com vistas de tirar a respiração.

     

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    Vista do Castelo

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    Vista do Castelo

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    Vista do Castelo

     

    Pode andar-se livremente na muralha e há sítios fabulosos para tirar fotos – só não é aconselhável para desajeitados, distraídos e coisas que tais: não há qualquer tipo de proteção e a queda pode ser de uns três metros ou mais. Já dentro do Castelo de Marvão a entrada é paga: dois euros por pessoa. Não sei até que ponto vale a pena: pode subir-se até à torre, onde a vista é ainda melhor mas, para todos os efeitos, não deixa de ser mais um castelo. Acho que este tipo de monumentos é giro quando se vê pela primeira vez, mas a verdade é que acabam por ser um pouco “ocos” se não tivermos alguma capacidade de imaginação e alguns conhecimentos de história. Este, em particular, tem uma cisterna gira de ver (e visitável) e a torre.

    Apesar do sol estar quente, fazia muito frio (acima de tudo por culpa do vento cortante), por o sítio ser muito alto. Mas enquanto chovia a potes no Porto, os dias estavam límpidos lá para baixo e um bom casaco fazia com que os passeios já se tornassem mais agradáveis. As fotos abaixo são tiradas na muralha, no dia da chegada, já o sol se tinha posto.

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    Nós ficamos hospedados na Pousada de Santa Maria, uma pousada de Portugal – agora sob a chancela do Grupo Pestana – que fica mesmo no centro da vila. É um edifício antigo e os quartos são também eles antiquados mas não por isso menos cómodos. Faz tudo parte do encanto. Tem uma pequena sala comum, com televisão, onde no dia do clássico se juntaram os hóspedes (eu incluída, claro está) para torcer pelo seu clube – e até isso acabou por ter piada. O restaurante dentro da pousada é aceitável, mas eu confesso que também não sou fã da comida tradicional alentejana; também lá é servido o pequeno-almoço que, para o tamanho da pousada, também é bom. A vista? As imagens falam por si.

     

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    À esquerda a vista do meu quarto e à direita a vista do pequeno-almoço.

     

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    A vila em si vê-se num par de horas. É riquinha, um encanto, uma espécie de casinha de bonecas: bem tratada, com uma aura um bocadinho mágica e uma calmia que nós – gentes das cidades – já não estamos habituados. Acho que só ter aquela vista já ajuda a que a vida se leve com mais facilidade: sempre que me deparo com estes cenários sinto que ganho fôlego, porque me lembro da sorte que tenho em estar viva (coisa que, infelizmente, me esqueço demasiadas vezes). Mas, num fim-de-semana, fica tempo de sobra para visitar outros sítios – e foi o que fizemos. Para o post não ficar demasiado longo, conto o resto amanhã.

     

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  • Eu, fazedora de coisas terríveis de última hora, me confesso

    Sempre fui uma miúda certinha mas nunca gostei de fazer os trabalhos de casa. É verdade e está na altura de confessar aqui os meus pecados. Às vezes, ainda na primária, dizia que me tinha esquecido do caderno nos TPC’s quando, na verdade, tinha-me esquecido era da vontade de os fazer. Já mais tarde, adiavaaaaa a todo o custo faze-los até que dava por mim, arrependidíssima a altas horas da noite, a fazer os trabalhos de casa na cama. Chegou até a uma fase em que, consciente do mal que não fazer os trabalhos de casa me fazia, fiz um pacto com a minha colega de carteira: se eu não fizesse os trabalhos de casa de Português (na altura, uma das minhas piores disciplina – e sim, a vida dá muitas voltas) tinha de lhe comprar e dar um chocolate. Ora isto era mau porque 1) sempre fui forreta e não queria comprar chocolates para os outros e 2) porque eu queria mesmo muito comer os chocolates que comprava (achavam que isto da #lontra era de agora? Nã!). E admito: mesmo assim, cheguei a comprar chocolates para lhe dar em forma de consequência.

    Isto para dizer que eu tenho a tendência terrível de deixar as coisas que mais me custam fazer para o fim. Como eu detestatava os TPS’s adiava-os ad eternum, até não os fazer ou faze-los em cima do joelho. Hoje em dia, ao contrário do que acontecia por vezes nesses tempos, faço sempre as coisas – às vezes tenho crises terríveis antes de as fazer, choro e berro e arrependo-me de me ter comprometido – mas faço sempre. Faltar com a minha palavra é algo que não tolero. Mas lembro-me vivamente do meu irmão e da minha cunhada me tentarem evangelizar para o lado do bem (“faz primeiro os trabalhos de casa e depois vai brincar”) e de eu, embora soubesse que era o correto, nunca levar esse lema de vida avante. 

    Hoje percebo que faz parte do meu ADN – e não gosto, este stress ainda me mata um dia destes. Já na faculdade era a mesma coisa (embora o problema fosse ainda pior, porque era generalizado: eu não gostava de nada!). Tudo para o fim, um sufuco, privação de sono, ai-meu-deus que isto não vai dar, que vou fazer da minha vida, lá vou eu reprovar, faltam três minutos para o prazo de entrega e uff… entreguei. E depois tenho boa nota, porque trabalhar sobre pressão é claramente a minha cena. 

    E agora no trabalho o filme repete-se. Todos os meses lançamos um jornal em papel, a cada mês eu tenho mais coisas para tratar, mais entrevistas para fazer, mais pessoas para ligar e… o caldo está entornado. Trato de tudo o que posso por email, tento sempre fazer a primeira abordagem por escrito… mas as pessoas não respondem e eu aí tenho mesmo de passar para essa arte antiga e terrível que é falar com os outros. Escrevo o que posso, mas fazer contactos é coisa para me custar tanto como ir à depilação – então se for com gente conhecida, que eu estou sempre à espera que me peça um chachet (que eu não tenho) em troca de umas meras palavras ou meia-dúzia de linhas, aí é que eu fico desesperada. E, claro está, deixo sempre para a última. 

    A maioria das mulheres têm, durante o mês, aquela semana do demónio que é quando lhes vem o período (eu, por acaso, não sou exemplo); já eu também tenho uma semana de demónio que é quando estamos a fechar o jornal. Por outras palavras, é aquela semana em que eu me apercebo que quer queira, quer não, vou ter mesmooo de ligar a dezenas de pessoas para conseguir entregar o meu trabalho. Enfim. Agora percebo que devia ter dado ouvidos ao meu irmão e à minha cunhada. 

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  • Posso continuar a viver ou preciso de dormir mais um bocadinho?

    Não me lembro de escrever tão pouco como tenho escrito na última temporada e isso entristece-me . Há uns anos provavelmente estaria a agoniar, a dizer que isto seria o fim deste projeto que me é tão querido, mas ao menos nisso estou relaxada: sei que é uma fase. Mais do que isso, sei que é em parte o embate da vida adulta. Acabaram-se as abébias, os recursos, as férias de natal, da Páscoa, os dias do Carnaval e as férias grandes, os intervalos, as responsabilidades para cima dos professores, as três faltas por semestre a cada disciplina. E isso, para mim que não gostei da faculdade, é bom: mas, como em todas as mudanças, custa. 

    E eu dei muito de mim nos primeiros meses desta aventura. Atirei-me a tudo, defini planos e objetivos; trabalhei aos fins-de-semana, fiz-me escrever aqui todo os dias, planeei limpezas e arrumações no quarto todo, inscrevi-me num PT (a pior ideia do ano), quis ir para o ginásio antes das oito da manhã. Não descansava, nem queria. Tudo era trabalho e tudo eram objetivos porque eu sou feliz a fazer “checks” na minha agenda. Mas esqueci-me que depois não tinha férias, que a vida era diferente, que os ciclos de stress são agora muito mais pequenos, maiores e repetitivos. E as coisas foram caíndo, uma a uma. Primeiro o ginásio, depois a escrita à noite (passei a escrever tudo aos fins-de-semana), a seguir as arrumações. Nesta fase final, cheguei a achar que não conseguia fazer o meu trabalho direito, atormentada pelas coisas que sempre me atormentam (falar com pessoas, ligar para pessoas e essas coisas “maléficas”) e, por fim, a escrita. 

    Pelo meio aconteceram coisas, claro. As viagens – uma turbulência imensa ao nível emocional e um cansaço enorme ao nível físico – e alguns stresses na família, ao nível da minha saúde e da dos meus. Quando são os outros, a vida pesa-nos nos ombros, mas fazemo-nos de fortes porque há outros que têm de recuperar; quando somos nós a história é outra e, no meu caso, a pintura é ainda pior devido à minha fobia de médicos. Mais do que qualquer complicação de saúde (mínima) que possa ter, o sofrimento emocional supera normalmente qualquer dor física e o stress e o pânico que vivo diariamente tiram-me o fôlego de viver.

    Mas no fundo, é acima de tudo cansaço. Tenho dormido muito nos últimos meses. Coisas tão simples como deitar-me no sofá para dormir uma sesta e acabar por lá ficar quatro horas sem dar por isso; ou trocar uma tarde de sol por uma tarde de sofá, ronha e sonos prolongados. Não consigo ver séries ou filmes porque adormeço a meio, o livro continua praticamente intacto na mesinha de cabeceira porque a vontade de ler antes de dormir é inferior ao sono que já tenho quando chego à cama. Mas, para mim, isto não é vida. Acho que escrevi aqui há uns meses algo parecido com “agora que sei o que é isto da felicidade, não quero outra coisa” – e eu quero muito passar ao próximo nível. Dizer “pronto, já está, já caíste, já choraste, já descansaste, agora oupa!”. O Verão está aí ao virar da esquina, eu quero ir perder uns quilos ao ginásio, quero estar pronta para desfrutar do momento em que meter as minhas merecidas férias, quero ir acampar, quero ler, quero escrever. E, até lá, quero trabalhar – que é a única coisa que tenho feito, porque é onde canalizo todas as minhas energias e atenções quando as coisas à minha volta não estão tão bem como queria.

    Tenho aqui um post que nunca chegou a ir para o ar que se intitula “only work can save us”. Para mim – e pelo menos neste emprego, que apesar de não estar dentro da minha zona de conforto me faz feliz, e onde trabalho com pessoas que adoro – é mesmo verdade. Há uns meses alguém comentou aqui dizendo que eu, tão nova!, já tinha uma relação pouco saudável com o trabalho – e eu acho que isto depende muito dos pontos de vista, porque todos somos diferentes e nos movimentamos com diferentes combustíveis, mas eu diria que trabalhar é das coisas que me faz sentir mais viva e realizada nesta vida. Acima de tudo, porque é a área em que sinto que sou boa e onde me consigo superar. Porque em tudo o resto… bom, relativamente a tudo o resto… o melhor é nem olhar com muita atenção. É caso para me dizer que tudo o resto me afunda, enquanto o trabalho me mantém (bem) à tona da água.

    Pouco a pouco espero ir reavendo a minha vida, repescando os objetivos que foram caindo ao longo dos meses e deixar este cansaço do demónio nestes primeiros três meses do ano. Com os dias a crescer a cada entardecer, com o relógio a bater cada vez mais perto dos dias quentes de verão… quero a vida boa de volta e quero saborear cada momento como fiz no ano que passou. Estou cansada de estar cansada. Quero continuar.

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  • Um balde a transbordar de água

    Estava a tentar escrever um post sobre a minha vida (como está, porque está e essas coisas do costume) e apercebi-me de que aquilo que saiu é precisamente um espelho do meu estado: escrevi um texto que mais parecia uma mixórdia, com mais de oito mil carateres (traduzindo: três páginas de word), onde falava sobre a mesma coisa sensivelmente trinta vezes e que nunca, mas nunca mais conseguia terminar. Ideias isoladas, pescadinhas-sem-rabo-na-boca, raciocínios pouco lógicos que tentava tornar lógicos quando eram à partida ilógicos. Em resumo: uma tragédia. 

    Sabem quando enchem um balde de água tão até cima que ele começa a transbordar? E que ele nunca vai parar de transbordar enquanto a torneira não se desligar? Portanto, das duas uma: ou esvaziam o balde ou desligam a torneira. O ato de esvaziar o balde, para mim, é a escrita; o de desligar a torneira é morrer (e isso, só quando for velhinha). Como não tenho escrito, estou a transbordar por tudo quanto é lado – e desconfio que a pressão é tanta que já estou a fazer furos no balde.

    É muito raro eu ter dificuldade em escrever, organizar as ideias para um texto, saber aquilo que devo utilizar e aquilo que devo deitar fora. Mas ali, naquele texto, pus tudo – e ainda faltava tanta coisa! Ando simplesmente cansada, com preguiça de pôr as coisas “no papel” – precisamente por ter tanto para dizer. Há tanta coisa dentro daquele balde que até eu, perita em auto-analisar-me, estou com dificuldades em desembaraçar tudo, analisar e arrumar nos devidos sítios.

    Sabem uma coisa? Há dias em que apetece trocar de balde. Dava jeito ter um Continente para este tipo de coisas. [Quero tanto voltar ao normal. Estou tão cansada desta fase de merda que só quero um choque bom para acordar para a vida.]

     

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  • Chávena de letras – “The sun is also a star”

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    Este é o segundo livro que leio da Nicola Yoon. Li o primeiro pela mesma razão que li este: estavam por entre os melhores do género YA do Goodreads, o preço era simpático e a capa muito bonita.

    As virtudes que o outro livro tinha, este também tem: lê-se bem, a escrita é fluída, as personagens são fáceis de simpatizar. Este livro em particular tinha algo que não gostei e que, curiosamente, era sempre onde fazia as minhas pausas: tem capítulos (ainda que pequenos) sobre coisas aleatórias, que pouco mais fazem do que ocupar espaço e ditar uma série de frases bonitas. Exemplo: fala-se de uma personagem secundária num capítulo; o capítulo a seguir é “uma breve história da personagem X”. O mesmo acontecia com coisas imateriais, como “uma breve história do tempo” e etc. Estes devaneios, para mim, foram uma barreira na leitura.

    De qualquer das formas, em relação ao primeiro livro, este ganha ao nível da profundidade das personagens e da narrativa. Acaba por ser uma obra bonita, pelo contraste de mentalidades que existe entre as duas personagens, as suas crenças e a forma como ambos se “equilibram”, passando um ao outro aquilo em que acreditam e abdicando um pouco daquilo que antes acreditavam.

    Apesar dos narradores serem as personagens principais (de forma intercalada), há de certa forma um ponto de vista exterior e realista sobre a relação dos dois que, para mim, foi interessante de ler.

    Pontos extra, mais uma vez, pela capa magnífica.

     

    O primeiro livro que li desta autora foi o Everything, Everything, cuja review podem ler aqui. Descobri há dias de que vai haver um filme baseado na obra e fiquei com a sensação que vai fazer parte daqueles casos raros em que o filme é melhor que o livro. Trailer aqui.

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  • Livros, livros everywhere

    Sabem aquele jogo das diferenças? Pronto, hoje é dia disso. Olhem à vossa volta a percebam o que mudou. (…) Se não viram nada, tenho-vos a dizer que são um bocadinho ceguetas, mas eu perdoo de qualquer das formas. Foram-se as flores, vieram os livros; foi-se o azul do meu coração e veio a minha cor favorita dos últimos anos: o amarelo.

    A raiz do blog mantém-se a mesma, mas arejei-o um pouco, que era algo de que já estava a precisar. Eu sou um bocado paranoica e há uns meses meti na cabeça que já estava cansada daquelas flores estilo papel, que estavam lá no topo. Passei várias noites e vários fins-de-semana a trabalhar nisso, gravei centenas de imagens inúteis neste computador, mas nada parecia resultar – o que só agravou a situação, porque estava a ficar impaciente e chateada por não conseguir fazer com que nada funcionasse visualmente. Aliás, nem sequer tinha ideias, um conceito que quisesse seguir. Estava a levar-me à loucura.

    Acho que o facto de não andar a frequentar blogs também não ajuda: antes via muita coisa, algumas giras, outras horríveis; mas sempre ia vendo, tirando ideias daqui e acolá. Agora a fonte quase que secou e eu estava a entrar em desespero. Hoje tornei a pegar nesta mini-empreitada, voltei a dar a volta a meia internet e agradou-me a ideia de “biblioteca”. A verdade é que o visual das flores foi, dos muitos templates que já tive, aquele que mais adorei: para além de achar que ficou visualmente muito bonito e leve, coincidiu com uma fase muito boa da minha vida e tudo aquilo fazia sentido para mim.

    Mas passaram dois anos, as coisas mudaram e eu já estava a ficar cansada daquilo. Como em todas as fases más que passo, deu-me uma necessidade louca de fazer uma limpeza geral, uma mudança drástica. E pronto, cá está: não foi drástica, foi moderada, mas ao menos os ares ficam renovados. E com livros, o que é sempre uma coisa boa! Na verdade tenho lido muito pouco, mas tenho sentido a necessidade de ler muito – acho que nos momentos em que a vida não está tão “florida”, eu procuro as flores noutros canteiros e os livros são, sem dúvida, o meu refúgio de sempre. Nos últimos tempos tenho voltado os momentos de “má solidão” – porque a boa, convivo com ela todos os dias (e bem) – e sinto falta de ter a companhia de um livro para me “dar a mão” nos momentos mais agrestes. Na mesinha de cabeceira está “On Writing”, de Stephen King, que é um livro incrível mas que por ser de memórias espaçadas não é propriamente um companheiro – portanto planeio acaba-lo rapidamente para conseguir ler um romance qualquer que me aqueça a alma. 

    Mas bom: os livros invadiram, por isso, este blog por tempo indeterminado. Ainda sou capaz de ir fazendo algumas alterações aqui e ali ao longo dos próximos dias mas é bom que se vão habituando a este “cheiro” a biblioteca. Para mim, que tenho um olfato hiper apurado e que sou uma esquisita com cheiros, este é definitivamente um dos melhores odores do mundo. E é um bom reminder de que continuo a trabalhar para um dia ter o meu nome numa daquelas lombadas.

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  • Uma vida no meio dos trapos

    Quando era miúda havia duas coisas que queria muito fazer: a primeira era ir a um casino, a segunda era ver um desfile de moda. Quanto ao casino, tinha de ter idade para lá entrar; acabei por nunca entrar num tradicional, mas o mini casino no cruzeiro que fiz já me matou a curiosidade que tinha. Já relativamente ao desfile de moda, fartava-me de chatear o meu pai para me levar, e ele nada.

    Na minha cabeça, o têxtil – onde a minha família sempre trabalhou e onde eu cresci – era uma coisa intimamente ligada à moda. Dos panos passava-se para a roupa e pronto, estava feito; vim mais tarde a perceber que embora as coisas sejam mais ao menos assim na realidade, muitas vezes estamos tão habituados a ver as coisas de um ponto de vista fechado de que nem nos lembramos do produto final. Um rolo de pano é um rolo de pano – e, acreditem, já dá muitos problemas por si só. Não interessa se vai para camisolas ou casacos; para a Zara ou para a Gucci; para o estudante de moda ou para um estilista de renome. É pano, já dá problemas que chegue, há outros que vêm a seguir e a vida segue neste nicho. Eu compreendo que isto seja assim, mas sempre vi mais além.

    Quando roubava as amostras de tecidos das fábricas, imaginava o que dali iria sair. Houve uma fase em cosia as minhas próprias carteiras com aquilo, vestia algumas bonecas e empilhava pano para futuras ocasiões (que nunca viram a luz do dia). E por isso a têxtil, que apesar de tudo é a minha “casa mãe”, sempre foi um meio para atingir um fim de que também sempre gostei muito: a moda. Daí a minha curiosidade eterna em ver um desfile, em perceber aquela dinâmica.

    Hoje também entendo o ponto de vista do meu pai, que nunca me levou a estas coisas: um desfile de moda não é só um desfile de moda, da mesma forma que um rolo de pano não é só um rolo de pano. A moda é um circo de vaidades. É a fome de aparecer, um mundo de egos exacerbados, de uma competitividade fora de série, de invejas e mesquinhices terríveis. E eu sempre fui educada no sentido exatamente oposto: acima de tudo, no recato. Sempre fui perita em não mostrar, nunca me quis enaltecer por bens materiais mas sim por aquilo que era.

    Mas, para o bem e para o mal, só mostramos aquilo que somos quando nos damos a conhecer (e todos sabemos que essa não é a minha especialidade). É muito mais fácil mostrar a roupa nova, o corpo de revista, a casa grande. E, no fundo, nos desfiles, está meio mundo desejoso de ter um fotografo qualquer a perguntar se pode fotografar o seu look, a perguntar que marcas tem vestidas; tudo tira fotos aos seus passes gold, muito bem conseguidos por cunhas travessas, tudo quer ter uma foto na passarela com os seus melhores trapinhos. E embora isso não seja eu, não faça parte de mim, não consigo deixar de me sentir um bocadinho em casa: porque aquelas roupas que desfilam, serão sempre os trapos que eu vi naqueles rolos quando era criança; são, ainda que melhor executadas, as ideias que tinha quando me punha a mexer na minha mini máquina de costura.

    Há um ano realizei um sonho: vi um desfile. Na altura fiz aqui um post, que nunca chegou a ir para o ar, que demonstrava o quão feliz estava por ter feito um “check” em mais um sonho da lista mas, ao mesmo tempo, o quão deslocada me sentia num mundo que era o meu, que sempre foi meu, mas que não tinha nada que ver comigo. No fundo, como em quase tudo nesta minha vida. A parte boa é que me vou habituando. E, pelo caminho, vou desfrutando da sorte que tenho.

    A verdade é que não tenho posto muitos posts positivos por aqui, mas cá vai: os sonhos realizam-se, mesmo estes, que parecem pequeninos mas que não deixam de nos alimentar a alma. Hoje fui a mais um Portugal Fashion, sozinha mas sempre bem acompanhada, ao desfile que mais queria, com um badge no peito que dizia “press”, algo pelo qual lutei mas nunca esperei. Porque para além dos sonhos, a vida também tem disto: surpresas. E algumas, como esta, são muito boas. Fica a foto para a posteridade. 

     

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  • Review da semana #18

    Produtos de beleza da Body Shop

     

    Andava em pulgas para contar esta história, porque é raro ficar tão encantada com alguma coisa como fiquei com estes produtos.

    Aqui há dias saí do trabalho tardíssimo e tinha um jantar de aniversário ainda mais tarde – e faltava-me comprar a prenda! Já contava sair tarde por isso levei uma camisola para trocar e, já que o trânsito estava caótico, aproveitei para ir comprar o presente a um shopping que tenho perto do escritório. Andei para trás e para a frente, não sabia o que comprar, e acabei por entrar na Body Shop, já em desespero de causa – a minha máxima é “se não sabes o que oferecer a uma mulher, compra produtos de cosmética – usam-se sempre!”. É só essa a razão que, até aqui, me levou a entrar nesta loja – tem uns pacotinhos muitos giros e em conta para esta espécie de presentes relâmpago e a qualidade sempre me pareceu boa.

    Lá entrei, escolhi o que queria e ainda aproveitei para comprar umas coisas para mim. Mas, na verdade, tinha outro plano paralelo em mente: depois de um dia inteiro concentrada a olhar para o computador, eu parecia um morcego, de tão horrível e cansada. E, apesar de ter pensado em trazer uma muda de roupa, nunca me passou pela cabeça trazer maquilhagem atrás – até porque nunca a uso! Mas, apesar de tudo, ia para um jantar e não queria ir estilo morta-viva, pelo que pensei “vou-me pôr aqui a experimentar estes produtos, fingir-me muito interessada, e nos entretantos já tenho alguma base na cara para disfarçar o meu estado de zombie”.

    Pois que esta história me saiu melhor que a encomenda. A loja – tal como o shopping, diga-se de passagem – estava vazia e eu, que tinha tempo para queimar até ao jantar, acabei por me deixar levar pela funcionária que lá estava. Já aqui tinha dito que, apesar de não usar muita maquilhagem, gostava de não ser tão ignorante como sou neste âmbito – mas a verdade é que quando entro, por exemplo, numa Sephora, fico ofuscada com os milhares de produtos expostos e com aquelas empregadas que parecem estar sempre demasiado ocupadas a cochichar. Para além disso, as coisas são todas demasiado caras para se arriscar e todas dizem fazer milagres – e se todas dizem, é porque quase todas mentem, porque já se sabe que milagres há poucos neste mundo.

    Mas voltando à Body Shop: eu nem sequer sabia que eles tinham uma linha de maquilhagem. A senhora perguntou-me se eu conhecia, eu respondi a verdade e ainda acrescentei que era uma leiga naquele tópico. Havia uma promoção de 40% no segundo produto de maquilhagem, eu tinha tempo e queria mesmo muito tapar as minhas olheiras e fiquei lá uma hora, com a senhora a fazer-me testes na cara e a experimentar este e outro produto. Na verdade, foi uma hora bem passada, relaxada e esclarecedora: fiquei a saber que a minha pele, afinal, não é oleosa – até é muito normal, mesmo na zona pior – e fiquei a conhecer uma gama de produtos que me rendeu totalmente. Saí de lá com uma saca cheia. E, o melhor, é que os produtos – em comparação com os que vejo nas outras lojas de cosméticos – não são nada caros, e pelo que me apercebi muitos deles são vegan e amigos do ambiente.

    Apesar de ter trazido várias coisas e de ter aproveitado a promoção em todo o seu esplendor, destaco três dos produtos que trouxe para casa e com os quais estou absolutamente rendida. A minha mãe, tias, irmã, cunhada e primas são testemunhas em como ando a vender isto a toda a gente. Ora vamos lá:

     

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    Este é o creme de dia, que dá para todos os tipos de pele. Eu só punha creme à noite e nunca de manhã e a senhora aconselhou-me vivamente a que mudasse este hábito. Para mim, é essencial que os cremes sequem rápido: não aguento coisas gordurosas na pele. Este creme é super fresco, dá uma sensação de revitalização imediata e tem uma textura espetacular, estilo gel. E seca num ápice! Adoro. Fujo de cremes como o diabo foge da cruz e agora não saio de casa sem pôr isto na cara. E como ele deixa a pele macia?

     

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    Este é um creme tipo esfoliante. Nos últimos tempos, graças a uma desregulação hormonal, apareceram-me imensas borbulhinhas pequeninas – e se há coisa que prezo é uma pele minimamente limpa. Este esfoliante não tem grãos, como é costume, mas parece magia: mal o colocam na pele e o esfregam, em movimentos circulares, começa logo a sair a pele morta. No fim já só sobram bolinhas de pele que só estava cá a perturbar. É espetacular, porque notam resultados imediatos e eu fiquei logo rendida.

     

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    E, last but not the least, esta base. Experimentei um BBCream e esta base, e esta ganhou de longe: não é gordurosa, seca relativamente rápido, tem uma óptima cobertura e, mais uma vez, é super fresca e deixa a pele hiper macia. Lá está: não sou nenhuma especialista, não tenho grandes referências, mas gostei mesmo muito. Detesto peles onde se notam os quilos de base e coisas pouco naturais; esta deixa a pele uniforme e, quando bem espalhada (comprei um pincel também), mal se nota. Era tudo o que queria.

     

    No meio dos outros produtos que trouxe, talvez alguns também merecessem destaque: mas fica para outro post, para não vos maçar mais.

     

    Nota: não tenho qualquer relação com a Body Shop e fiquei sinceramente surpreendida com a qualidade dos seus produtos, e ainda para mais com a relação qualidade/preço. Foi tudo aconselhado pela funcionária da loja e pago esta que vos escreve. 

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