• Review da semana #19

    Suporte para telemóvel ou #CoisasSupostamenteInúteisQueComproNoEbay, parte 1

     

    Há uns meses decidi encomendar um suporte para telemóvel, daqueles para pôr em cima da secretária. Há quem tenha a mania de andar a circular por aquele corredor terrível do Lidl à procura de coisas um tanto ao quanto inúteis para comprar (sim, mãe, estou a olhar para ti – e sim, também sei que estou a ser injusta, porque até há lá coisas fixes e tu até nem tens comprado muita coisa, mas isso fica para as nossas discussões domésticas); eu tenho a mania de andar a percorrer o ebay à procura de coisas giras, baratas e com utilidades duvidosas. Mas depois surpreendo-me e essa é a melhor parte de todas (e, já agora, o facto de receber coisas pelo correio – adoro receber encomendas!).

    No meio das minhas expedições “ebayianas” devo ter dado de caras com este suporte para telemóvel e encomendei um para mim, para ter no escritório. E a verdade é que fiquei fã! Quando estou a trabalhar tenho sempre vários jornais abertos à minha volta, mais o bloco de notas, mais a agenda, mais o estojo e as canetas, a par do copo de café e a carteira e… enfim. Resumo: o telemóvel ficava sempre perdido naquele caos todo e sempre que precisava dele quase que tinha de pedir para me ligar.

    Agora não. Fica ali em pé, mesmo ao meu ladinho. Para além de agora ter um sítio fixo para o pôr e de já não ter de fazer autênticas expedições na minha própria secretária, vejo com muito mais facilidade todas as notificações que me caem no telemóvel (que, como pessoa pouco popular que sou, se resumem praticamente a coisas o género “Cebolas já estão prontas para ser colhidas”, do Star Chef – sim, porque eu continuo a jogar!).

    A verdade é que passado pouco tempo encomendei um para o meu chefe e vi-me obrigada a mandar vir mais um para mim, para ter em casa. Dei por mim a trabalhar no meu quarto e a sentir falta de ter um sítio fixo para o telemóvel, mesmo ali à mão de semear. Virei fã. 

    Podem mandar vir do ebay aqui. Chega relativamente rápido, vem super bem acondicionado e, no meu caso, tornou-se o meu melhor amigo contra expedições-demoradas-e-inúteis-numa-secretária-inundada-de-papéis.

     

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  • O fim da paz nas estradas portuguesas

    Eu sei que esta época de férias é diabólica para os pais, que por sua vez acaba por ser diabólica para os avós (que eventualmente têm que ficar com os netos) ou até para os tios (que, quando é preciso, tomam o lugar dos avós). Eu agora não me posso queixar, porque este ano houve uma série de fatores que fizeram com que os meus sobrinhos não fossem lá parar a casa on a daily basis – e, de qualquer das formas, eu agora trabalho, portanto já não passaria o dia com as crianças de um lado para o outro.

    Mas como trabalhadora que sou, sofro o drama diário de quem vai e vem para o trabalho todos os dias, inevitavelmente naquela hora terrível chamada “hora de ponta” – que é incrivelmente adensada por todas as crianças que vão para a escola com os pais. E nisto, desculpem-me os progenitores desesperados por não saberem onde deixar as crianças, mães que meteram férias e já estão por esta hora a arrancar cabelos, avós que já perderam a paciência há vinte anos atrás ou tias que simplesmente não nasceram para isso (sim, estou aqui a rever-me…) mas, para quem trabalha, estas duas semaninhas (e todas as outras que ainda hão de vir no verão) são assim o paraíso na terra. Não há filas, não há confusão, é sempre abrir até estacionar. Uma pequena maravilha.

    Mas pronto, acho que hoje é oficialmente o fim da paz. Adeus estradas desimpedidas, adeus ruas de escolas sem trinta carros estacionados em segunda e terceira fila, adeus aos cinco minutinhos extra na cama! You will be missed! 

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  • Dog Lady

    Ando outra vez em fase de limpezas no computador e no telemóvel. Já há meses que andava a receber notificações, tanto no telemóvel como no computador, de que tinha a iCloud a arrebentar pelas costuras e decidi começar a gravar tudo, a selecionar, a apagar e a arquivar. Ainda não acabei, mas isso não interessa para o caso. Mas sabem o quê que me ocupa o espaço todo que tenho no telemóvel e que revela bem aquilo que sou? Fotos dos meus cães.

    Comigo, sozinhos, em passeio, em casa, deitados, sentados, a fazer palhaçadas ou truques, a dormir ou a correr. Cães, cães everywhere. Principalmente a Molly, que eu apelido (justamente) de minha sombra. Ela de cadela de caça passou para cadela de casa e já não sabe viver sem calor humano – e, desculpem, acho que gosta do meu em particular. <3 

    Acho que já aqui disse que as análises às nossas redes sociais (e galerias de imagens) dizem muito sobre nós e as minhas são um raio-x perfeito da minha vida, porque não têm pessoas – a não ser, em casos raros, os meus pais. Tenho fotos minhas, dos meus livros, de paisagens, dos já falados canídeos e até de outros animais que vejo na rua: mas fotografias com outras pessoas não chegam a representar 5% da minha galeria.

    Isto não é uma coisa nova para mim – não sou pessoa de pessoas, apesar de sentir que isto se tem agravado nos últimos meses. Depois de sair do trabalho prefiro fechar-me na minha bolha – também apelidada de casa – e só há dias é que percebi que há meses não punha (por exemplo) os pés num shopping, quando olhei à minha volta e já havia imensas lojas novas, diferentes e renovadas. E aí fiquei preocupada, porque apesar de nunca ter companhia para quase nada, nunca me privei de fazer o que quer que fosse: e agora prefiro ficar em casa. E eu sei que isto é mau, sei que isto faz parte de um buraco que estou a cavar e que depois vou ter dificuldade em sair… mas a questão da solidão continua a ser uma coisa central na minha vida e por muito que eu escreva, pense e repense, não consigo modificar. 

    Mas enfim, no meio disto tudo, ainda há os cães, que têm vindo a colmatar a falta de pessoas na minha vida. E isto, lido por alguém hiper social, deve soar ridículo (e a mim, que sempre tive cães, também me é estranho porque só agora está a acontecer): mas eles têm sido uma companhia constante e essencial nos últimos meses. Nos dias maus, antes de qualquer outra coisa, são eles quem me arrancam o meu primeiro sorriso. Aquele amor incondicional e aquela presença constante têm-me enchido o coração de amor nesta fase que, sinceramente, tem doído a passar. É o facto da Molly vir dormir para o chão, ao meu lado, enquanto eu estou deitada no sofá; é pôr a pata por cima da minha mão quando me deito ao seu lado; é colocar o focinho no meio das minhas pernas enquanto tomo o pequeno almoço; é dar-me uma (e só uma) lambidela quando a vou cobrir antes de me ir deitar. É reconfortante e tão importante nos últimos tempos…

    Não sei explicar, mas estou em crer que isto só consolida a minha posição enquanto anti-social em crescimento. Há pessoas que, olhando para mim, já me dizem “não me digas que vais ser uma cat lady!”. Não, acho que não vou. De qualquer das formas, também já não preciso: ser, com 22 anos, uma dog lady, já me parece mau o suficiente.

     

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  • “Só faz falta quem cá está”

    Mentimos todos os dias. Não quer dizer que sejam mentiras grandes ou que seja por mal. Às vezes é simplesmente mais prático. O clássico é a resposta “está tudo bem”. A verdade é que quem nos conhece não precisa de perguntar esse tipo de coisas: simplesmente sabe. Quem nos pergunta, no meio da rua, “’tá tudo?” são pessoas que nós já não vemos há uma série de anos, colegas de trabalho com quem só almoçamos na mesma mesa enquanto se esvazia a marmita ou, no geral… o resto das pessoas. E ninguém diz “não, não estou bem”: porque não há tempo, porque não há abertura ou proximidade para isso. Eu acho que o “está tudo bem” já quase se tornou numa expressão idiomática, de tanto ser dita e tão pouco verdadeira.

    Mas não é a única. Eu adoro expressões, ditados e esse tipo de coisas e todos os valores subliminares que têm por detrás. Ainda há pouco lia um comentário que dizia “deixa lá, só importa quem cá está!” e só consegui pensar que aquilo soava a uma gigante mentira, por um lado com um tom motivacional e por outro com um toque profundamente magoado e chateado. Refleti seriamente nas vezes em que ouvi isto – e aquelas em que eu própria o disse – e percebi que é uma daquelas expressões que só sai quando há uma ferida por sarar. 

    Se “só importa quem cá está” não haveria desgostos de amor profundos, não haveria lutos que duram uma vida, não haveria as dores de alma que existem devido a zangas, desencontros e mal entendidos. Nós somos feitos de todos os contactos que fazemos ao longo da vida – porque, como diz um dos meus filmes favoritos de sempre, “our fingertips don’t fade from the life we touch”. E há pouco, quando li o tal “só importa quem cá está”, quase que ouvi uma vozinha irritada a dizer “somos melhores sem eles, não precisamos deles para nada, não fazem cá falta, eles que vão, que continuem as vidinhas miseráveis deles enquanto nós aqui continuamos a sambar na cara das inimigas – magoadas, doídas, doridas, mas sempre em cima, que mostrar que eles fazem falta só por cima do nosso cadáver!”.

    Mas a verdade é esta: as pessoas fazem-nos falta. E se dizemos que “só importa quem cá está”, é porque ainda mais falta fazem. É porque ainda dói, é porque a ferida ainda não sarou. E normalmente só é uma expressão que usamos quando as pessoas saem pelo próprio pé, quando há um “abandono”, quando existe um fim causado por alguém – o que, na verdade, ainda pode custar mais do que uma perda involuntária (como a morte).

    Acho que já toda a gente esteve nesta situação – em que perdeu alguém de quem gostava mas, para não dar mais importância ao assunto, disse para si mesmo que “só importa quem cá está”. Eu já o fiz, tantas e tantas vezes. Aliás, diria que vivo quase sobre essa máxima: há várias pessoas que considerava valiosas e que saíram da minha vida tão rápido como entraram, às vezes sem um acenar de adeus. E dói. Eu, nesse aspeto, sou uma pessoa muito dorida (e pouco disponível para aceitar mais pessoas só pensando na eventualidade delas depois irem embora). Mas o “mais engraçado” no meio disto tudo é que, no caso em específico em que surgiu este comentário, eu faço parte dos que já lá não estão. Estou do outro lado da barricada. Ou seja, pondo-me no meu devido lugar, a interpretação correta e literal é “já não fazes falta”. Mas a mim, quem lá está, faz-me falta. Eu tenho saudades. “Saí” por questões práticas da vida, porque o meu dia-a-dia assim o ditou, mas não quer dizer que tenha deixado de gostar das pessoas lá envolvidas.

    E ao ler aquilo pensei em todas as vezes que me senti abandonada por pessoas. E em como elas também podem ter razões práticas da vida para terem feito o que fizeram, para terem saído da minha vida conforme saíram. Mas a verdade é, que no fim de contas, as nossas dores são sempre as que doem mais: mesmo relativizando, mesmo quando nos colocamos nos calcanhares alheios. E um adeus é sempre um adeus. E toda a gente sabe como as despedidas são uma valente merda.

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  • Lembram-se da prensadora de flores?

    Escrevi há cerca de cinco meses um post sobre uma prensadora de flores que a minha mãe tinha aqui por casa. Eu adoro flores secas e costumava espalha-la pelos meus livros e cadernos, mas aquela ideia conquistou-me de tal forma que ao longo dos últimos tempos tenho vindo a alimentar a prensadora com mais pétalas e flores. Como houve várias pessoas que gostaram, na altura, do post e me pediram para partilhar o resultado final, cá está ele.

    Comecei com uma orquídea. Depois percebi que, como tinha deixado o estigma e o estilete (sim, eu fui rever isto aos apontamentos de ciências naturais – que saudades!), que eram “gordos” e tinham muita matéria viva lá dentro, a flor não tinha ficado muito bem prensada e tinha ganho uma espécie de bolor. Tornei a tentar, depois de ter feito uma “mini-operação” à flor de forma a que ela ficasse praticamente só com as pétalas e o pé. O resultado foi muito melhor.

    Mais tarde pus lá umas das minhas flores favoritas: frésias. Percebi que têm pétalas extremamente finas e que são muito suculentas, porque me mancharam o papel todo e ficaram todas coladas. E sim: continuam com um cheiro absolutamente divinal, mesmo prensadas. Por fim, experimentei noutra flor que não sei o nome mas cujo resultado ficou muito, muito giro – as pétalas parecem pintadas à mão!

    Agora tenho de decidir o que vou fazer com tanta flor seca. A solução mais óbvia é um quadro, mas eu não sou a pessoa mais dada a manualidades desse género. Acho que vou ter de esperar pelas férias para ter tempo (e paciência) para tratar disto.

     

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  • Habemus férias para 2017!

    Durante muitos anos – e pelas mais variadas razões – as minhas férias limitaram-se a passar pelo Algarve. Não é que eu me queixe, o Algarve é a minha segunda casa e é praticamente um passe direto para dias felizes, mas eu, que adoro viajar, também sentia falta de passear pelo mundo. O ano passado, depois de muito pensar, ponderar e pesquisar, conseguimos marcar um cruzeiro nos países nórdicos, que já há muito ilustravam os meus sonhos graças aos thrillers passados nestes locais. Eu partilhei aqui toda a viagem assim como todos os detalhes sobre o cruzeiro e disse-o, sem meias palavras, que aquela tinha sido a viagem da minha vida. Hoje olho para trás e vejo aquelas fotografias (e sim, abro-as muitas vezes) com uma saudade imensa. Repetia TUDO.

    Sinceramente, este ano não contava voltar repetir a proeza de ir de férias. Falava-se de umas coisas, uma viagem aos Estados Unidos já estava há muito em cima da mesa, mas por esta razão ou por outra decidimos tornar a adiar. Solução? Outro cruzeiro. Depois da experiência tão boa do ano passado, já contávamos repetir – só achava que não seria pelo segundo ano consecutivo. Mas eu não me importo – se for tão bom como o outro, estou muito longe de sequer dizer um “ai”. 

    Este ano a condição era passar por Itália. Nunca lá fui e toda a gente diz que é um autêntico crime ainda não ter lá posto os pés. A outra condição? Termos lugar no barco. Já nem falo da confusão do ano passado – a questão é que os cruzeiros chegam a ser marcados com um ano de antecedência e a escolha, desta vez, já não era muita. É quase caso para dizer que não fomos nós que escolhemos o cruzeiro, foi mais o cruzeiro que nos escolheu a nós. É claro que era do nosso agrado, que coincidia com as datas que eu precisava (isto vida de trabalhadora é outra coisa…), mas a verdade é que também não havia grande escolha dentro de todos os parâmetros que precisávamos.

    E então vamos ao que interessa: para onde vou afinal? Começo em Veneza, depois Dubrovnik, Kotor (no Montenegro), La Valletta (em Malta), Sicília, Nápoles e termino em Roma. De Itália ainda fica muito por ver mas diria que numa só viagem “matar” quatro cidades do mapa já não é nada mau! Evitar a Grécia e as suas ilhas não é tarefa fácil neste tipo de cruzeiros (não me olhem de lado, eu não tenho nada contra os gregos – aliás, quero muito ir passear por estas ilhas um dia destes – mas não fazem parte do roteiro de sonho dos meus pais), por isso ficamos com um cheirinho da Croácia, do Montenegro e de Malta para compensar.

    A vantagem deste cruzeiro em relação ao outro? É que, relativamente às cidades onde aportamos, não vou com grandes expectativas (tirando, provavelmente, Veneza); o outro cruzeiro tinha nomes muito pesados como Estocolmo e São Petersburgo e eu não aguentava com tanta emoção. Neste, Itália é essencial e seria um sítio onde viajaria em breve, de certeza; mas se calhar os outros sítios nunca visitaria se não fosse numa coisa destas (com excepção da Croácia, que sempre ouvi dizer que é maravilhosa). Vou por isso de espírito completamente aberto, pronta para riscar mais uns países da minha lista e ser totalmente surpreendida; já vi algumas fotos e algo me diz que me vou surpreender. A desvantagem? É que já tenho aquela que apelidei de “viagem da minha vida” no lombo e uma experiência de cruzeiro, por isso as comparações vão ser inevitáveis.

    De qualquer das formas, estou em crer que vai ser maravilhoso e estou ansiosa para que o momento chegue. Nesta fase mais down que tenho passado, o pensamento de que vou tornar a viajar e a andar de barco (acho que a maioria das pessoas não gosta, mas eu adorei!) acalenta-me a alma. Para além disso, é a expectativa de voltar aos meus diários de bordo. Mal marcamos a viagem, posso jurar que foi a primeira coisa em que pensei: “vou poder escrever sobre a viagem, tal como fiz da outra vez”. Gosto muito de escrever sobre todos os assuntos, mas os diários de bordo ocupam um lugar muito importante no meu coração – e, acima de tudo, acho que é das coisas que faço sinceramente bem. Releio muitas vezes aquilo que escrevi sobre as minhas viagens anteriores e sinto-me a viajar de novo, ainda que em pensamento.

    Enfim, mal posso esperar! Para viajar, para ver, para navegar, para tirar fotos, para viver – e, claro, para escrever e partilhar tudo convosco. Julho, vem rápido!

     

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  • Sobre os vampiros de meia tigela da blogosfera

    Se há coisa constante neste blog é a minha sinceridade. Sempre. A questão é que escolho criteriosamente o que digo. E hoje apetece-me dizer uma verdade (que eu já conheço há muito) e que acredito que seja partilhada por muitos dos meus vizinhos do aqui do charco: para mim, estar nos destaques, é esperar que pequenos haters me invadam a casa.

    Não me interpretem mal, eu adoro o Sapo, adoro a ideia dos destaques e vou todos os dias lá ver o que se passa de novo – e claro que gosto que alguém ache que aquilo que eu escrevo é bom o suficiente para ser destacado e ser mostrado ao mundo – mas sempre que me apercebo que estou nos destaques vou ler o dito post 30 vezes para corrigir eventuais erros e ver se aquilo não ofende a religião, terra, clube ou crença de ninguém. Mas, ainda assim, o pessoal consegue sempre cair-me em cima. Não sei se o resto das pessoas sente a mesma coisa mas, para mim, sempre que recebo um e-mail a dizer que tenho um comentário é um momento feliz: os comentários são a melhor interação que se pode ter ao nível dos blogs e eu adoro quando os recebo. Mas nestes dias de destaques, sempre que recebo um e-mail (que normalmente começa por “Anónimo deixou um comentário ao post….” – quase sempre anónimos, porque será?!), já estou de pé atrás e sobrolho levantado à espera do pior. Pode ser a coisa mais insignificante de sempre, mas as pessoas não perdem a oportunidade de apontar o dedo; pode ser claramente a falha de uma letra ou um erro de semântica que se entenda perfeitamente, mas tudo é razão para deixar um comentário. Mas não é um comentário qualquer: é dos bons, maldosos como se quer, com aquela pinta de malícia típica de quem é incapaz de dar a cara. Corrigir não está mal, explicar porque está mal também não me apoquenta: tiram-me é do sério pessoas más!

    Estou neste mundo há demasiado tempo para ainda não me ter resignado a este fenómeno, eu sei. Mas não me consigo habituar. Eu sei que existem pessoas más, mas penso sempre que aquele estilo que aparece nas novelas é um tanto ao quanto exagerado (planos, aliados, facadas nas costas dos aliados, veneno não sei onde – esse tipo de coisas). Se calhar existem mesmo, mas também não importam, porque estes pequenos atos também contam. É aquele gostinho “bom” de meter veneno numa caixa de comentários e esperar a resposta irada e magoada de quem naquele blog escreve, em busca de mais sangue e mais dentadinhas saborosas, qual vampiro sedento de mais uma vida – ou, pelo menos, de estragar o dia de mais uma vida alheia.

    Como continuo a ser sincera, aqui vai disto: só dez por cento dos comentários é que me atingem tal como o seu criador queria. Diria que dentro desses dez, 99,9% são apagados e não têm resposta, porque daqui não levam nada (eu mal respondo a quem gosta de mim e merece o meu tempo, quanto mais a vampirinhos de meia tigela!).

    Eu não estou a escrever um livro, um jornal ou uma revista – escrevo num blog, que pretende ser uma coisa descontraída, nos meus tempos livres. No entanto a vida evoluiu desde que o criei, o tempo livre não é tanto, a vontade de estar no computador fora das horas de expediente é cada vez menor e eu cá continuo. Porquê? Primeiro porque adoro este espaço e (apesar de tudo) continuo a adorar a blogosfera; segundo porque tenho gente que me segue e eu não consigo não corresponder às expectativas (e porque me sinto feliz e honrada e “gostada” por ter alguém que perde tempo ao ler os meus desabafos); e terceiro porque adoro escrever, é aquilo que me faz feliz. Mas há fases – esta é uma delas – em que eu tenho de me contrariar para escrever; que quero dormir e, ao invés disso, volto para a frente do computador – onde passei todo o dia – só para “matar o bicho” e não deixar os meus seguidores pendurados.

    Eu não escrevo para ser famosa, para ter publicidade, para ganhar dinheiro. Escrevo por tudo menos por isso. Os meus posts raramente tocam em assuntos polémicos (agora, por exemplo, ando cheia de vontade de falar sobre isto das viagens de finalistas e em como tudo isto me deixa cheia de vergonha da minha própria geração, mas até isso evito), não têm click-baits, não representam uma vida cor-de-rosa e cheia de flores e coisas lindas. Ou seja: eu não estou aqui para vender nada a ninguém. Simplesmente escrevo, porque gosto, quero e há quem goste de me ler.

    Também escrevo enquanto profissão: e aí sim, tenho total atenção aos erros e gralhas, por pequenos que sejam. Mas aqui – e embora faça tudo o melhor possível, dentro do tempo e vontade que tenho – sempre me permito descontrair mais. Não sinto a necessidade nem a responsabilidade de ter tudo perfeito, porque embora escrever seja uma das coisas que mais gosto nesta vida, também erro (e tenho muito, muito para aprender) – e sei que quem quer perceber, percebe. E sei que quem acha que um erro é grave, avisa, de forma educada. Porque todos erramos.

    Isto para dizer que não tenho pachorra para vampirinhos da treta e que embora eu leve este espaço muito a sério, não vão ser meia dúzia de chatos (e nazis da gramática, gente má e de mal com a vida) que me vai tirar o prazer ou descontração de escrever aqui. Porque xe eu dexidir escrever tudo kom “x” e “k”, também posso. Porquê? Porque o blog continua a ser meu. Com a minha sinceridade, os meus erros, as minhas manias, o meu estilo próprio. Ou seja: meu.

    E, já agora, porque eu sempre preferi aqueles vampirinhos vegetarianos. Sangue não é a minha cena.
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  • Fomos lá para fora… cá dentro 2#

    No segundo dia da nossa viagem pelo Alentejo começamos por dar uma volta pelo Castelo de Marvão (que mostrei no post anterior) e depois rumamos a Estremoz. Para mim tudo aquilo era novo, nunca tinha andado por aqueles lados e foi bom conhecer aquela paz e calmia. Mesmo nas estradas nacionais, onde andamos o dia todo, mal passava vivalma. Por um lado é triste, porque só mostra o despovoamento que se vive nestas zonas interiores, mas por outro proporciona uma paz que é raro encontrar.

    Em Estremoz fomos almoçar à Pousada Rainha Santa Isabel, toda construída em mármore (que abunda por aqueles lados – nunca tinha visto tanta pedreira junta). A comida não foi famosa, mas o serviço era muito bom e o sítio muito bonito (apesar de estarmos totalmente sozinhos no restaurante). O interior da pousada é incrível, cheia de tapeçarias, móveis e objetos antigos que nos transportam para uma outra época.

     

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     A seguir fomos a Vila Viçosa. Adorei Marvão e foi, claro, a minha parte favorita da viagem – mas como momento singular, este foi o meu preferido. Adorei aquela vilinha. Ela já morava no meu subconsciente há muito, não sei onde ouvi falar dela – se em livros ou numa daquelas séries juvenis – mas desde sempre que achei que misturava a calmia com a história, e é mesmo verdade. Primeiro visitamos o palácio, que serviu de local de férias para muitos reis e onde D. Carlos passou a última noite da sua vida, antes do regicídio.

    Pagam-se sete euros por entrada, mas vale muito a pena – o guia que nos acompanhou era uma autêntica peça e conhecia o palácio melhor do que as próprias mãos e satisfazia quaisquer curiosidades que o grupo tivesse (e por acaso tivemos sorte, porque toda a gente era muito interessada e ouvia com atenção). No palácio há imensas pinturas feitas por D. Carlos, que pintava lindamente; os quartos foram as únicas divisões mantidas intactas depois do palácio virar museu e é incrível pensar que ali já dormiram e viveram antigos reis de Portugal. Por fora, o palácio também é bonito e imponente. Não se podiam tirar fotos no interior mas eu tirei um par delas para vos poder mostrar aqui.

    Para além dos imensos (e alguns enormes) quadros do nosso antigo Rei, que só por si já terão um grande valor, a visita ao palácio fez-me lembrar um pouco da minha “saga” pelos palácios de São Petersburgo. É claro que o grau de grandeza e riqueza não é o mesmo, mas à nossa escala, eu diria que este é um dos palácios mais bonitos e mais ricos que Portugal tem. Há imensas salas com paredes e tetos a seda, há tapetes de arraiolos gigantes (o maior do país está lá), têm também a maior coleção da Europa de tachos e panelas em cobre, uma enorme coleção de vários tipos de loiças, muitos frescos… enfim, é lindíssimo.

     

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    Frente do Palácio

     

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    À esquerda o teto da pequena sala onde as mulheres rezavam e à esquerda uma outra sala de que já não me recordo.

     

    Depois de Vila Viçosa ainda parámos no Redondo, que não mereceu sequer uma paragem para fotografias. No dia seguinte começamos a viagem de regresso e fizemos a nossa primeira paragem no Castelo de Almourol, que também já andávamos para visitar há muito. O Castelo é todo envolto em água, numa pequena ilha do Rio Tejo, o que o faz parecer um autêntico local de princesas. Nós não o visitamos, por uma questão de tempo, paciência e logística (a água estava muito baixa e o barco que faz a passagem de um lado ao outro estava a parar num sítio que não o normal). Mas mesmo fora do Castelo, a vista é incrível.

     

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    A nossa última paragem também foi num sítio onde já estávamos para ir há muito e que fomos sempre adiando: Conímbriga. Agora vejo que ainda bem que adiamos: acho que é preciso ter alguma maturidade para visitar este espaço, assim como alguns conhecimentos de história. Senão não passam de pedras iguais às outras. Como há muitas ruínas em mau estado, é preciso ter também alguma capacidade de imaginação para conseguir projetar como é que aquilo seria. Acho que não é fácil e não é para todos. As coisas estão parcamente explicadas e é fácil uma pessoa cansar-se de ver “pedras”. 

    Ainda assim, gostei bastante. Por vezes é tentador pensar que aquilo foi ali posto por uns construtores de meia tigela e que é impensável que aquilo tenha sido construído – ainda para mais de forma tão evoluída! – ainda antes de Cristo. É assoberbador, porque ainda que saibamos que “sempre” houve mundo antes de nós, nem sempre é fácil tangibiliza-lo: e pensar que houve pessoas que há mais de dois mil anos puseram ali aquelas pedras, construíram aquela muralha e que moraram ali… é esquisito e giro ao mesmo tempo.

    O museu, infelizmente, é fraquinho. É pequeno, tem apenas duas salas, que estão recheadas de objetos encontrados nas escavações. Nada de “uau”, nada de interativo ou cativante.

     

     

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    Pavimento de uma das “casas”

     

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    Os “repuxos”, a parte mais gira e mais bem conservada das ruínas.

     

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    E é isto! Foi só um fim-de-semana, mas soube por muito mais – e sempre serviu para riscar uma série de coisas da bucket list. Que mais venham!

     

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