• Eu e as bolas, uma relação pouco feliz

    Há uns dias fui buscar os meus sobrinhos ao colégio. A Clara estava no ginásio, onde tinha tido uma aula, e eu fui busca-la à ponta oposta do salão – tive por isso que passar, ainda que bem rente à parede, por todas aquelas bolas em pleno vôo na eminência de embaterem contra mim. Sim, porque é isso que as bolas fazem e sempre fizeram durante toda a minha vida – porque se acham que a gravidade puxa tudo e todos na direção do chão, estão enganados. Tal como todas as regras, esta também têm uma excepção: quando eu estou por perto, a força gravitacional das bolas não é em direção à terra mas sim à minha pessoa o que, como devem imaginar, é um bocadinho chato.

    Desde que me lembro de existir que sofro com este drama. Aliás, educação física sempre foi O real drama da minha vida – aqueles 45 minutos ou hora e meia, duas vezes por semana, assemelhavam-se ao inferno na terra. Não sei contar a quantidade de vezes que caí, que falhei, que escorreguei, que apanhei com uma bola nas trombas: mas acreditem quando vos digo que foram mesmo muitas. Lembro-me de, no primeiro dia de aulas do sétimo ano – com professores novos, turma nova, numa escola nova – me esforcei tanto para me sair bem na corrida de estafetas que comecei a avançar com o corpo gradualmente para a frente, na esperança vã de correr mais rápido, até que me espetei contra o chão. Fui literalmente de cabeça, ao ponto de ficar com um olho negro. E isto foi só no primeiro dia do sétimo ano, por isso imaginem os anos mágicos que se seguiram.

    Mas enfim, já passou. Lembro-me que mal saí daquela escola pela última vez, apesar de estar triste e das saudades durarem até hoje, o meu primeiro pensamento positivo foi “nunca mais na vida vou ter educação física!”. E a verdade é que saí há quatro anos do secundário e sinto que no último ano a minha vida mudou totalmente – e eu obrigatoriamente com ela. Às vezes a vida dá tantas voltas que, de tão “ourados” que ficamos, nos esquecemos dos pequenos detalhes em que tudo está igual.

    Naquele dia em que fui buscar a minha sobrinha ao ginásio da escola, entrei e cheirou-me logo a borracha; ouvi aquele som familiar das sapatilhas a escorregarem pelo chão e as quedas dos saltos mais aparatosos. E, claro, ouvi e vi as bolas a embaterem contra o chão, as paredes e as tabelas. E, caraças, naqueles segundos em que todo aquele ambiente me refrescou a memória e me lembrou dos velhos tempos, percebi que por muito que cresça… vou continuar sempre a ter medo de bolas.

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  • Ser badass, um conceito

    Escrevo-vos do aeroporto de Madrid, onde espero pelo meu avião. Cheguei cá ontem, naquela que foi a minha primeira viagem de trabalho, e parto daqui a umas horas para Munique. Na verdade, a viagem de trabalho inclui-se num enorme lote de coisas que nas últimas 48 horas fiz pela primeira vez: a minha primeira viagem “sem rede” (já tinha viajado sozinha, mas sempre com pessoas à espera no destino), a primeira feira profissional, o meu primeiro contacto direto com as empresas e tudo o que isso envolve. É uma sensação um bocadinho avassaladora. 

    Em conjunto com alguns problemas que Janeiro me trouxe, a expectativa e o medo destes dias fazia com que o meu estômago desse cambalhotas o dia inteiro e o meu sistema nervoso andasse todo escangalhado. Não tinha medo de estar sozinha, mas sim de não corresponder às expectativas ou de fazer um bom trabalho – defraudar as esperanças que os outros depositam em mim é algo com que lido sinceramente mal. E aqui não se trata de sair da minha zona de conforto: porque isso, por estes dias e com este trabalho, já é por onde habitualmente ando; esta aventura eleva-se a todo um outro nível. Se eu estava a uns metritos da minha zona de conforto, fora dela mas sem a perder de vista, agora fui catapultada para uma zona onde nem sei o que é isso de conforto, comodismo ou relaxamento. Tudo me é estranho, tudo é um desafio, tudo é novo. Sou a mais nova que aqui anda – consigo ser mais nova que as hospedeiras que distribuem panfletos, bolas! – e isto é um mundo tão grande, com tanta gente, com tantos metros quadrados, com tantas línguas, que uma estreante como eu se sente uma verdadeira formiga.

    Por saber disto é que estava estava a morrer de medo. Mas a verdade é que, como noutro par de ocasiões, há um clique que se dá em mim (acho que é o botão do “desenrasca-te, mexe-te e faz acontecer”) e tudo isto se evapora e eu simplesmente faço. Como dizem os antigos, a necessidade aguça o engenho, e eu que detesto o meu portunhol já o falava quase como língua materna. E o exemplo da língua aplica-se a tudo o resto: à minha espécie de jornalismo, ao meu medo de falar com pessoas. Faço-o inevitavelmente de forma inexperiente, por isso às vezes tenho de repetir; mas faço. Dei por mim a meter conversa com as pessoas, a perguntar coisas sobre os seus negócios e a saber a história de vida daquelas empresas; a aceitar jantar com pessoas que tinha acabado de conhecer (ou, na verdade, nem sequer conhecia) e no dia seguinte tomar o pequeno-almoço com elas. E depois chegar ao fim do dia, com umas olheiras estilo panda e o corpo dorido, deitar-me na cama com o meu livro (que me devolve o cheiro a casa) e aí pensar: calma aí, que extraterrestre é que eu encarnei hoje? Quem foi esta pessoa?

    Vão ser dias tão difíceis como interessantes de analisar, estes. Passo por todas as sensações em apenas 24 horas: desespero num momento em que vejo que não vou conseguir, euforia quando percebo que afinal consegui, frustração quando afinal vejo que não resultou tão bem como queria, orgulho por mesmo assim ter tentado, saudades de um abraço que me apoie quando a moral está em baixo, entusiasmo por estar sozinha e independente e poder fazer o que quiser da minha vida.

    Acho que sou muito racional e organizada, principalmente a nível mental, mas este é um daqueles embates com a realidade que nos abana os alicerces. Pode parecer só uma experiência, mas há muita coisa que daqui se vai perceber. Se eu seguir o plano que delineei para mim, isto vai fazer parte da minha vida de uma forma constante. E falo de tudo: de estar sozinha, independentemente de estar ou não só; de passar a vida metida em aviões e em hotéis; e no cansaço de estar em feiras, monta-las, desmonta-las, empacota-las… e depois repetir tudo de novo (aqui já na óptica de quem expõem e não de “jornalista” e de apoio logístico a quem expõem). 

    Mas, acima de tudo, sinto orgulho. Não sou capaz de me meter numa montanha russa, não gosto de parques de diversões, tenho medo de ratos, detesto filmes de terror e sou incapaz de ir fechar a portada do meu quarto se ouvir um barulhinho. No entanto, na minha primeira oportunidade de trabalho, atirei-me de cabeça mesmo sem saber no que me estava a meter – e depois percebi que era afinal uma área que nunca quis, que não gostava e que me custava fazer; depois perguntam-me se quero ir a Madrid e a Munique, sem me dizerem datas, tarefas ou expectativas – e eu torno a dizer que sim. E vou. Vim. E faço. E vou fazer acontecer. Por isso, da próxima vez que me chamarem medricas por não me meter numa daquelas diversões numa qualquer romaria, eu sorrio e aceno, pensando interiormente que já fiz coisas muito mais badass e desafiantes que tudo isso. Mesmo que antes sofra, que no momento doa e que ache que não vou conseguir. Estou cá para provar o contrário.

     

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  • Eu sou uma #cabifylover e vocês também vão passar a ser

    Há uns dias fiz aqui um post sobre como me tinha estreado na Cabify e como tinha adorado a experiência. Foi a melhor coisinha que fiz para viajar por Lisboa e não tenho dúvidas que vou utilizar isto daqui em diante, nomeadamente aqui pelo Porto, sempre que não de der jeito levar carro.

    Quando escrevi o texto foi uma crítica como tantas outras que já aqui fiz, de coisas que adorei e outras que não gostei tanto. Esta correu espetacularmente, testei-a três vezes com diferentes condutores e nenhum ficou atrás do outro, por isso a prova dos nove ficou mais que tirada. Na altura até estava com uma amiga e ficamos ambas deliciadas com o serviço, a sua eficácia e simpatia dos condutores.

    Nessa mesma semana fui contactada pela Cabify, que fez de mim uma #cabifylover e ofereceu aos meus seguidores um valor de 8€ na primeira viagem – para que, como eu fiz em Lisboa, possam testar o serviço à vontade e por “conta da casa”. Acho que nunca vos tinha oferecido nada e fico mesmo contente por dar algo que acho que realmente tem valor e de que honestamente gostei muito!

     

    Portanto, passando ao que realmente interessa: para usufruirem do voucher coloquem o código PARENTESIS na vossa aplicação cabify… e boa viagem!

     

    (obrigada Cabify!)

     

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  • Review da semana 16#

    Champô seco da Klorane

     

    Já tinha visto num vídeos da Maria Vaidosa o châmpo seco da Klorane. Já foi há muito tempo – não sei precisar quando nem em que vídeo – mas confesso que fiquei com aquilo na cabeça mas nunca calhou de comprar. Na verdade, na altura em que soube disto, também não precisava.

    O meu cabelo já teve várias fases – há uns anos tinha uma zona mais gordurosa, que me obrigava a usar um champô específico e a lavar o cabelo todos os dias. Simplesmente não conseguia não o lavar, sentia-o sempre sujo – mesmo que não estivesse – e durante anos a fio lavava sempre o cabelo de cada vez que tomava banho. Durante todo esse tempo tive pessoas a chatearem-me o juízo porque lavar o cabelo diariamente fazia mal, independentemente de todas as razões que eu alegava (e que faziam sentido).

    Entretanto, há um par de anos, notei que mesmo sem o tal champô o meu cabelo estava normal e decidi tentar não o lavar diariamente, apenas dia-sim, dia-não. Custou-me imenso, passava muito tempo com o cabelo preso porque achava sempre que ele estava todo colado, feio ou gorduroso (enfim, cenas de mulheres), mas acabei por me habituar e conseguir impor uma nova rotina. 

    Até que há uns meses o meu sistema hormonal desregulou todo e o cabelo voltou a ficar um desastre – não com a “mancha” que tinha há uns anos, mas mal de uma forma geral. Passado um dia sentia que tinha de o lavar – e ainda o faço muitas vezes, porque não me sinto confortável em sair de casa assim. Mas quando me dá a preguiça ou não me sinto assim tão mal, ponho este champô seco. Lembrei-me dele numa ida à farmácia, em que ele estava num expositor – e com uma promoção no compra da segunda unidade – e decidi experimentar.

    Posso estar a dizer uma grande asneirada, mas a sensação que tenho é que isto é uma espécie de pó-de-talco para o cabelo, que absorve a gordura e dá ao cabelo um melhor aspeto e volume. Apercebi-me disso na primeira vez que o coloquei: como não tenho jeito nenhum para estas coisas, aproximei o spray demasiado à raiz e apercebi-me de como vou ficar daqui a uns anos, com o couro-cabeludo todo branco. Até teve graça, parecia uma velhinha (depois, quando escovei, desapareceu). 

    Mas bom, de uma forma geral até gostei muito do resultado. A verdade é que muita desta sensação de ter o cabelo sujo é psicológica: eu sei que não se nota nada, mas é uma sensação esquisita que tenho e que, para todos os efeitos, é aliviada quando ponho o spray. Para além disso é um produto de colocação fácil e rápida, espetacular nos bad-hair-days de uma forma geral, por isso acho que a compra já valeu a pena.

     

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  • Pôr miúdos a ler Valter Hugo Mãe é a anedota da semana

    Comecem a preparar as pedrinhas, defensores acérrimos da literatura portuguesa, porque vão precisar. Eu, pelo sim pelo não, já fui buscar o escudo, que daqui a dois dias vou de viagem e não me apetece ir de olho negro. Vamos lá a isto.

    Ontem explodiu uma polémica a propósito de um livro do Valter Hugo Mãe, que contém conteúdos explícitos a nível sexual, por este estar proposto no plano de leitura dos alunos do terceiro ciclo. Foi uma queixa apresentada por pais, o que eu acho muito bem, mas fico parva com tudo o resto: primeiro porque o conteúdo, para além de explícito, é bruto; segundo porque os típicos comentadores de facebook vêm dizer que as criancinhas não são nenhumas santas e que sabem muito bem o que é sexo e blablabla. Pois uma criança de 12 anos saber o que é sexo, principalmente nos dias de hoje, é de facto normal; já saber interpretar e contextualizar uma frase que diz “e a tua tia sabes de que tem cara, de puta, sabes o que é, uma mulher tão porca que fode com todos os homens e mesmo que tenha racha para foder deixa que lhe ponha a pila no cu” (citado) é outra coisa completamente diferente. Nem me vou alongar neste tópico, sou tudo menos experiente no campo da educação sexual, mas sei que dar uma visão destas a um puto é para ele 1) rir histericamente à gargalhada por ver escritos uma série de termos que os pais censuram, 2) não perceber absolutamente nada, 3) ficar com uma visão deturpada sobre aquilo que é o sexo e 4) ainda ter o bónus de saber o que é uma “puta”, no pior sentido possível. Só por isto, este livro nunca deveria ser sugerido para alunos com 15 anos no máximo. 

    Por outro lado há toda uma outra questão, onde me pretendo focar mais – e aqui até posso incluir os alunos de secundário, a quem supostamente este livro é verdadeiramente destinado (embora eu também não concorde): se o Plano Nacional de Leitura tem também como objetivo fomentar hábitos de leitura, porquê dar um dos autores mais difíceis da literatura portuguesa contemporânea? Principalmente se pensarmos em alunos, por exemplo, do sétimo ano, dá-me uma vontade de rir imensa de tão ridículo que é. 

    E podem achar que não falo com conhecimento de causa, mas falo. Primeiro porque saí da escola há quatro anos, ainda me lembro bem dessa realidade; segundo porque aprendi a gostar de ler relativamente tarde e lembro-me bem de como foi esse processo; e terceiro porque lido com miúdos com idades próximas do terceiro ciclo, praticamente todos os dias, e sei aquilo que eles sabem e a maturidade que têm (ou não têm, que é mais este o caso). Muitos deles mal lêem direito, têm graves falhas de vocabulário, não sabem escrever direito, não sabem pontuar sequer razoavelmente, não cumprem regras básicas de ortografia – e é ridículo dar-lhes um livro que não cumpre as regras clássicas de pontuação, que não escreve com maiúsculas e que, como bónus, ainda tem uma linguagem bruta por detrás e uma história pesada que têm de saber digerir. Não cabe na cabeça de ninguém.

    E digo que isto também serve, em grande parte, para alunos de secundário porque a verdade é que muitos deles também não gostam de ler – e não é com livros destes que vão chegar lá. Eu fui para um curso de letras e vi textos e trabalhos que davam direito a um ataque de coração, de tão mal escritos (e com erros) que estavam.

    Faz falta ler. E irrita-me que as pessoas sejam fundamentalistas e queiram pôr putos a ler com obras que nem sequer muitas pessoas adultas conseguem, que não gostam, com estilos de escrita demasiado carregados e histórias pesadas, só porque são autores com nome na praça. Para mim, pode ser o Harry Potter, o Twilight, o Eragon, o Triângulo Jota, os Uma Aventura – o que quiserem. Todos os livros que façam alguém gostar de ler deviam ter um estatuto de deuses gregos. Porque são esses os responsáveis por todos os livros que vêm a seguir: os clássicos, os light, os young adult, o que for. Mas tudo começa ali. E eu duvido seriamente que alguém comece a gostar de ler com Valter Hugo Mãe. Muito menos aos 14 anos de idade.

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  • Uma colheita de vestidos fabulosa nos SAG Awards

    Hoje acordei, abri um olho e enquanto acordava e não acordava, fui passeando pelo facebook. Dei de caras com um artigo da Vanity Fair sobre os SAG Awards, que aconteceram ontem, e mesmo acabadinha de acordar e com apenas metade do cérebro a funcionar percebi logo que ia ter de comentar alguns daqueles trapinhos.

    Acho que já o ano passado isto aconteceu – deparei-me com tanta tragédia que não consegui ficar calada. Este ano também apareceram por lá algumas coisas com piada e, nestes tempos que se vivem, não podemos desperdiçar nem que seja um singelo sorrisinho. Tenho para mim que a moda está tão louca que, hoje em dia, o que se vestir pior e causar mais choque é quem leva o prémio para casa. Só isto explica as passadeiras dos maiores eventos do mundo no último par de anos. Mas bom, aqui ficam as ventimentas de ontem:

     

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     Emma Stone num Alexander McQueen. A verdade é que este era um vestido vintage da sua avô – algo que se nota nos detalhes e bordados florais. Mas ao longo dos anos a traça acabou por dar cabo do lado esquerdo da peça, ainda que o valor emocional se tenha mantido intacto. Por isso, em tom de homenagem e confronto de gerações, Emma veste uma peça pesadíssima e quente do lado direito e, do lado esquerdo, saiu à rua apenas com um body da Intimissimi para arejar.

     

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     Brie Larson sem qualquer dó e piedade para com as pessoas com transtornos obsessivo-compulsivos. Aposto o que quiserem que a minha mãe, só de olhar para esta fotografia, está com suores frios. Quer dizer, até a mim, que nem sou contra assimetrias. Mas aqui a questão é mais grave: o vestido está TORTO. Tor-to. E faz com que toda ela pareça torta. E isso não é fixe.

     

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     Kerry Washington pediu um vestido da Micaela Oliveira emprestado a Cristina Ferreira. Bem me parecia que já tinha visto isto n’A Tua Cara Não Me É Estranha.

     

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     Sofia Vergara, és tu? Cadê as transparências? Cadê o corte sereia? Cadê os decotes até ao umbigo? Agora deste numa de colegial e passaste de gata-sexy-arrasadora a menina-de-repa-ao-lado-e-vestido-curto-em-ocasião-de-gala?

     

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    Não é difícil perceber a inspiração do vestido de Nicole Kidman, pois não? Até os olhinhos de carneirinho mal morto estão lá. Atentar também aos pormenores de cor naqueles ombros, inspirados nos detalhes dos “ombros” do pássaro. Liiiiiiiindooo. #sqn

     

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     Natalie, querida, muito bem que podes não ser uma daquelas grávidas que gosta de ter a roupa justa à barriguinha, mas também não era preciso teres ido ao Museu do Traje buscar mommy-wear do século XIX, não é verdade?

     

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     Eu juro – mas juro mesmo! – que fui pesquisar o nome desta rapariga (que, para também quer saber, se chama Taryn Manning) porque pensei sinceramente que ela era aquela que fazia o iZombie. Achei de facto estranho que continuasse a encarnar a personagem de forma tão evidente numa passadeira, mas depois percebi que era outra senhora e que foi apenas reviver um pouco da sua fase gótica da adolescência.

     

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    Pergunta para um milhão de euros: qual foi o livro que Julia Louis-Dreyfus leu durante as férias de Natal?

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    Pior que ter um vestido medonho, é ter um vestido medonho com uma espécie de buraco no sovaco e ainda fazer uma pose sexy para mostrar.

     

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     E acabamos assim. O vestido é péssimo, mas não vou por aí. O pior é mesmo o penteado inspirado na última esfregona da Vilada.

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  • O luxo que é ter tempo

    Eu acho que uma das maiores riquezas que há na vida é ter tempo. De que serve ter muito dinheiro se não há tempo para o despender? De que serve ter uma família grande se não temos tempo para ela? Eu acho que este equilíbrio é dos mais difíceis de conseguir e hoje em dia dou por mim sempre a correr, a sair de manhã para o trabalho e chegar já com a noite cerrada e perguntar-me: é isto a vida? É durante o tempo do pequeno-almoço e do jantar que se vive, sem fazer algo a que estamos obrigados por parte da sociedade? E isto para não falar de todas as outras obrigações que as pessoas normais e independentes têm: fazer a cama, arrumar a casa, preparar refeições. Que tempo sobra?

    Ainda para mais eu tenho a mania dos planos, das listas, das tarefas. E adoro quando chego ao fim do dia com tudo preenchido e feito – aliás, só assim fico realizada e verdadeiramente sossegada. Mas a verdade é que me esqueço da liberdade e do sossego que é ter dias para não fazer nada. Sem planos, sem horas, sem bilhetes para isto e aquilo, sem jantares, sem ter de fazer uma sobremesa para levar não sei onde, sem viagens às 8 da manhã. E sem ter de escrever, de ler, de ver aquele filme, de estudar, de arrumar. Sem nada destinado – porque só deixando a minha agenda mental livre de tarefas é que consigo efetivamente desfrutar do tempo totalmente livre e não ficar a remoer em tudo o que devia ter feito e não fiz.

    Sabendo que o mês que se aproxima vai ser caótico, que os fins-de-semana ricos em descanso não vão existir, que o trabalho vai estar a 200%, que nestas duas pernas vão estar muitos quilómetros e demasiadas horas em pé e que eu vou ter de beber muito café para aguentar a pedalada, decidi que este fim-de-semana ia ser para descansar. Sem planos, sem obrigações – só as refeições e a ida ao supermercado para ir buscar o pão. 

    Já li, já vi séries, já vi um filme, já planeei a minha viagem, já escrevi. Sem check-lists, sem stresses, ao sabor do tempo que resta. Governada pelo sono ou falta dele, pela vontade de fazer coisas ou a falta dela. Que bem que soube e que pena estar a acabar. Sinto que vou passar de um passeio domingueiro para uma corrida de fórmula 1. E a única coisa que espero é chegar ao fim com os fusíveis todos. Até lá, vou só dormir mais um bocadinho para queimar os últimos cartuchos.

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  • La La Land, ou o caminho para os sonhos

    Acabo de ver o La La Land, o filme que estava mais curiosa para ver nesta corrida para os Óscares. Confesso que este ano, para além do que já vi, não há assim muitoooo que me puxe e este era definitivamente a falta mais grave na minha lista.

    Sobre este filme não sabia muito e as minhas expectativas baseavam-se na quantidade de globos de ouro que ganhou no início do mês. Não vi reportagens ou críticas, apenas o trailer – que, confesso, não me atraiu por aí além. Mas roubou muitos globos, vai levar muitos Óscares, é um musical, tem Emma Stone e, não menos importante, Ryan Gosling.

    Por falar em Gosling: casava-me. E acreditem que eu não digo isto muitas vezes. É um ator incrível, com uma vibe incrível, com um estilo incrível e com uma cara… como dizer… incrível. Mas a verdade é que da Emma se pode dizer o mesmo, ou até mais, uma vez que, neste caso em específico, acho que ela é melhor em termos de dança e cantorias. Adorei os dois e, relativamente aos atores, estamos falados. Agora falta a história.

    Não gosto quando as pessoas dizem não gostar de filmes “light” – ou, pior, quando julgam quem os aprecia; não gosto de filmes feitos para críticos, feitos para o óscar e, ao mesmo tempo, feito para plateias vazias ou cheias de intelectuais. E nisso, La La Land é uma chapada de luva branca. É light, é bonito, é colorido, mas é poderoso. É um filme sobre sonhos, mas também sobre escolhas; sobre esse mix onde tudo e nada pode acontecer, sobre essa coisa que todos temos mas tantos acham inatingível e sobre o caminho para lá chegar, que pode ser duro e implica consequências. Eu acho que La La Land é sobre esse duro contraste: o sonho e a ação; o conceptual e a realidade. E, acima de tudo, sobre escolhas. Porque todos temos sonhos mas para lá chegarmos o caminho pode ser tudo menos de sonho – e até lá, acontece a vida. Crescemos, tomamos opções e os caminhos alteram-se para chegarmos ao derradeiro objetivo. 

    Penso que para além de La La Land ser um filme esteticamente lindo, com uma banda sonora fantástica, de ter dois atores principais de arromba e ter uma mensagem bonita por detrás, acaba – mais do que com uma moral – com uma pergunta retórica importantíssima: será que às vezes, para chegar ao sonho, não nos esquecemos de viver e saborear o caminho? É que esse caminho pode ser tão ou mais importante que o sonho e, de tão obcecados que estamos com a meta final, perdemos a parte melhor da viagem. 

     

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