• Chávena de Letras: “Spare”

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    Sigo há muitos anos a família real inglesa e, como tal, a fã british que vive dentro de mim não me permitiria passar sem ler este livro. 

    Diria que a obra pode ser descrita, rapidamente, em quatro partes: 1) os primeiros 20% são dedicados à infância e adolescência de Harry, obviamente marcados pela morte da mãe, em que se fala da turbulência na escola, a(s) dor(es) na sua relação com o irmão e das indecisões do futuro; 2) os seguintes 30% relatam acima de tudo a sua história militar, as suas idas ao Afeganistão e aventuras por lá vividas; 3) os 20% posteriores incidem no seu retorno e ao reinicio de uma vida dedicada à realeza, sem guerras à mistura (pelo menos daquelas que envolvem armas, porque na família existem-nas em quantidade mais que suficiente), que o voltaram a deixar num limbo, sem saber onde pertencia e como se posicionar interna e publicamente; 4) o que resta é a história que temos mais viva nas nossas memórias – o início do namoro com Meghan, o casamento, os filhos e todo o drama já conhecido com a imprensa.

    Há âncoras que estão presentes em todo o livro (e, suponho, na vida dele): primeiro, a mãe – um trauma claramente mal resolvido, que o acompanhará para a vida, e que eu creio que dita muitos dos comportamentos de proteção que teve em relação à mulher; segundo, África – um elo comum em todas as fases acima mencionadas, sempre como um amuleto de escape e clarividência, fazendo depois também a ponte com ações solidárias e visitas com amigos; e terceiro, não menos importante, a imprensa – os vilões da vida dele, ainda antes da morte de Diana, mas principalmente depois do acidente que a vitimou.

    Apesar de gostar muito de família reais, e em particular da britânica, nunca achei que a vida deles fosse de sonho; lá por serem príncipes e princesas não quer dizer que vivam como nos contos da Disney. E este livro torna isso bem claro: eles vivem numa gaiola dourada. E das duas uma: ou se opta por olhar simplesmente para o ouro, ou mantemo-nos concentrados no facto de estarmos dentro de uma gaiola, independentemente do seu material. Escolhendo a primeira, segue-se a linhagem; optando pela segunda, encontra-se a nova ovelha ronhosa – e ao Harry assenta-lhe este papel que nem uma luva.

    Creio que este livro pode ser lido de várias perspetivas, dependendo do espectro onde nos posicionamos em relação à história do Harry, do “Megxit” e a tudo o que foi veiculado na imprensa. Eu sempre achei que a saída deles tinha sido feita de forma bruta e injusta, mas que era uma decisão ponderada por parte do casal, que se viu encostado contra a parede e completamente espremido pelos tabloides. E eu interpreto a escrita deste livro como o último reduto: ao sentir que não tinha nada a perder, Harry deitou ao mundo a sua verdade, sabendo que os outros intervenientes (nomeadamente a sua família) nada iriam contrapor, pois é esse o seu mote e forma de estar. Com tanta mentira espalhada e impressa em tanta página, percebo que a vontade maior seja dar um grito de libertação – mesmo que ninguém o ouça. 

    Neste caso, ouvem alguns – mas acho que poucos o farão da forma que Harry desejaria. Primeiro porque os consumidores de tabloides – sendo que muitos só passam os olhos pelas letras grandes – não vão perder o seu tempo a ler um livro longo como este; segundo porque quem o lê para difundir notícias escolhe a dedo aquilo que quer apresentar aos leitores – e eu tenho a certeza que o objetivo máximo de Harry não era que só se falasse do facto de ele ter queimado o escroto ou que o irmão o tivesse atirado ao chão; terceiro porque é difícil mudar opiniões moldadas durante anos apenas com um par de intervenções (a série e o livro) estratégicas. Ainda assim, é uma oportunidade única para a “plebe” perceber a dinâmica de uma família real, com tudo aquilo que ela tem de bom e de mau; para se entender como é um negócio, como está moldada para gerar espalhafato e gerir expectativas. Mas é, acima de tudo, uma tentativa, uma redenção – e acho que justa, tendo em conta tudo aquilo por que o príncipe passou. Não sei se, de facto, o Harry não tem nada a perder aqui – creio que as ligações familiares devem ter ficado muito fragilizadas depois disto, não só por ele contar episódios chave que mancham amplamente a imagem do pai e do irmão (principalmente) mas por todo o sentimento de não pertença que ele descreve (e que se sente) ao longo do livro, que acaba por ser ainda mais grave que os acontecimentos algo isolados que foram acontecendo entre os três ao longo das suas vidas.

    Sobre o livro em si: não li muitas biografias /memoirs e, como tal, não tenho grande termo de comparação. Adorei o prólogo e a ideia de que o livro foi tudo aquilo que ele não teve oportunidade de contar, explicar e fazer ver ao pai e ao irmão – foi um pontapé de saída ótimo, mas que esmoreceu logo no inicio do relato militar da sua história. A segunda e terceira partes são mais lentas, explicativas e, em alguns casos, algo chatas – salvam-se por terem capítulos curtos, que fazem as páginas virar mais depressa. No início do romance com a Meghan parece que o livro ganha outra vida – e daí até ao fim, ainda que com muitas partes tensas, lê-se tudo rapidamente. Ainda assim… é um livro triste – escrito por alguém perdido, onde se lava demasiada roupa suja (embora eu perceba o porquê de ele se ver nesse direito).

    Apesar de todas as asneiras que possa ter feito, de algumas más decisões que tenha tomado, acho que será sempre alguém com a qual eu tenho muita empatia. Desculpem, Charles e William… deste lado escreve-vos alguém Team Harry.

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  • Chávena de Letras: “I’m Glad My Mom Died”

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    Este é um livro necessário. Na verdade, só o prólogo diz tudo aquilo que muitos precisamos de saber – embora o que está para trás seja igualmente valioso.

    Aquilo que Jannette McCurdy evidencia é algo que, no fundo, todos sabemos – mas é uma verdade pouco proliferada (e até pensada): o papel de mãe é o mais romantizado da história. As mães são sempre heroínas, são sempre boas, sempre bem-intencionadas, são sempre incríveis… Só que não. Porque há más mães. Há mães que vendem os filhos; há mães que os matam. E há mães que maltratam, mesmo quando parece que não o fazem – que era o caso da mãe de Jannete.

    Na narrativa desta história percebemos que tudo aquilo pelo qual a autora passou foi feito sob a ideia de que era para o seu bem: as invasões ao ser corpo eram para garantir que não tinha nódulos, a obrigação de trabalhar era para ter uma boa vida e ser feliz, ter de ser magra e pequenina tinha como propósito garantir papéis por muito mais tempo. Tudo para o seu bem. Mas será mesmo o “seu” bem? Ou o bem da sua mãe – ou, simplesmente, para bel-prazer da sua progenitora?

    Este foi o primeiro audiolivro que ouvi e gostei muito da experiência. A linguagem utilizada é acessível para quem estiver familiarizado com o inglês (não é preciso ser especialista) e a forma de falar de McCurdy (sendo que o livro é narrado por ela) ainda nos envolve mais na narrativa, uma vez que ela imita as vozes e os sotaques das personagens de quem fala. Esta é a sua história de vida, desde o momento em que começou a fazer castings (passando pelos anos em que fez um programa de sucesso no Nickelodeon) até à altura em que a mãe morreu, quando já tinha enveredado por caminhos mais tortuosos como o alcoolismo e anorexia (entre outros); é a forma de como lidou com tudo o que vivenciou e da forma que arranjou para, depois, conseguir gerir tudo isso.

    Apesar de ter adorado o mote do livro e a conclusão a que chega, há dois apontamentos curiosos que quero fazer: 1) não conhecia o trabalho (nem a imagem) da autora, mas por alguma razão não consegui simpatizar com ela – muito embora tenha uma enorme empatia pelo que passou; isto faz com que o livro tenha ainda mais valor para mim – porque o adorei apesar do que senti em relação a quem o escreveu; 2) não acho que o título do livro faça jus à história. Acho que foi escolhido por ser “chocante” e para atrair leitores, mas em nenhuma parte da história ela se mostra feliz pela morte da mãe – é tudo muito mais profundo que isso, e essa complexidade está bem espelhada em todas as páginas do livro. Tudo é pouco linear, tudo é de difícil leitura e análise, escondido por detrás de dogmas, boas intenções e tantas outras ideias pré-concebidas da maternidade – e por isso seria muito difícil resumir tudo num sentimento tão “simples”.

    Aconselho muito – e em particular o audiobook.

     

    (este livro acabou de ser editado pela Lua de Papel, em português, sob o nome “Ainda Bem Que a Minha Mãe Morreu”)

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  • Uma ode ao meu irmão mais velho (e aos outros também, mas este em particular)

    A família sempre teve um papel preponderante na minha vida. Com uma personalidade e vida que não se coadunavam com grandes amizades, era muitas vezes o sangue  que ditava quem me era mais próximo. Na verdade, tudo se proporcionava nesse sentido: eu, muito adulta para a minha idade, escutava as conversas à mesa (e tentava entrar nelas) como gente grande – acabando por me distanciar dos outros miúdos, com brincadeiras pouco sérias e levianas; sempre estive rodeada por muita gente, tendo um núcleo familiar alargado, com irmãos e respetivos namorados com quem sempre me dei lindamente; e, indo para além da família direta, tinha uma relação estreita com tios e primos. Para além de tudo mais, sempre tive uma veia solitária, por isso a minha família era praticamente tudo o que me bastava para ser feliz. Este círculo invadia até a escola, pois duas das minhas primas estudaram comigo, na mesma turma, até à adolescência. Sempre juntas, tínhamos uma base que nos unia e que, principalmente entre os dez e os treze anos, chamavam à atenção dos que estavam à nossa volta, tanto crianças como adultos. Recordo quatro pontos em particular:

    1) Não éramos só as “três primas” – na verdade chegamos a ser seis primos na mesma escola. E quem ainda tem a memória fresca do liceu recordar-se-á bem do charme que é estar no fim da cadeia alimentar (vulgo: sétimo ano) e ver a malta do 12º (o topo da pirâmide), apontar e dizer: “aquele é meu primo”. Na loucura, até podíamos passar e dizer um olá – e só isso já bastava para sermos um bocadinho fixes e, claro, termos uma proteção extra no que aos problemas-de-recreio diz respeito. Isto com um primo. Agora imaginem seis. Éramos quase a família real.

    2) Outra curiosidade é que todos tínhamos o mesmo encarregado de educação – e todos éramos impreterivelmente chamados à atenção de cada vez que escrevíamos o nome dele nas nossas fichas pessoas. Não porque estivéssemos errados, mas porque a pessoa em causa tem duas vezes “Santos” no nome – uma feliz coincidência causada por um “casamento homónimo”, mas que levanta sempre questões.

    3) Outra das ações de charme que lançávamos era termos uma “música de família”. Foi uma coisa inventada há muitos anos pelo meu avô materno, que normalmente entoamos nos aniversários como forma de união. Foi passando de geração em geração e, de tanto ouvirmos, a música vai ficando no ouvido. Tem uma letra inventada – com uma espécie nova linguagem, cheia de onomatopeias estranhas – e que sempre causou muita curiosidade. “Como é que conseguem decorar isso tudo?”, perguntavam-nos vezes sem conta. Nem nós sabíamos – mas gostávamos de a mostrar aos outros, e toda a gente ficava pasmada como cantávamos, todas, a letra indecifrável de forma tão coordenada;

    4) Por fim, espantávamos toda a gente com os números da família (grandes e sempre em crescendo) e com as nossas reuniões familiares – primeiro porque éramos trinta e tal no Natal e depois porque nos juntávamos muitas vezes, algumas sob pretextos que já na altura não eram muito comuns, como a matança do porco ou a desfolhada do milho. Mas era para mim que vinha o destaque quando entrávamos mais em detalhe sobre o nosso núcleo familiar. Somos quatro irmãos (algo que na minha geração já não é assim tão normal) e eu sou a mais nova. Muito mais nova. E a jóia da coroa era quando, já sabendo o contexto dos meus colegas, lhes dizia que tinha um irmão que era mais velho que os seus pais. 

    E é sobre este último tópico que venho falar hoje.

    Quando nasci, o meu irmão tinha 22 anos. Os outros dois, apesar de mais novos, já eram também graúdos: 15 e 16 anos. Mas o meu irmão mais velho podia ser, efetivamente, ser meu pai. 

    Em muitas famílias – nas que têm sorte – há normalmente duas camadas de pais: os que são efetivamente pais e os “pais-pais”, os avós. É uma dupla camada de apoio, de ajuda à educação e, claro, uma duplicação do mimo. Eu, infelizmente, não tive isto: os meus avós maternos faleceram cedo e os paternos, embora ainda tenham durado até praticamente aos meus vinte anos, tinham um gap geracional que não permitia grandes proximidades ou brincadeiras. No entanto, e por um golpe de sorte incrível, eu tive, ainda assim, esta duplicidade parental – os meus irmãos. Eram eles que cuidavam de mim quando os meus pais não estavam ou não podiam – e faziam-no com uma responsabilidade e um carinho sem igual, muito por culpa de eu ter sido uma irmã tão tardia. Do ponto de vista meramente biológico, eu podia ser filha de qualquer um deles – e eles trataram-me e amaram-me como tal. 

    Podia achar-se que a diferença de idades nos acabaria por separar, mas a verdade é que isso nunca aconteceu. Até todos eles terem filhos, fingiam comigo: um levava-me ao cinema aos fins-de-semana, outra fazia os trabalhos de casa comigo enquanto eu chorava baba e ranho, outro dava-me bolas de futebol autografadas pelos jogadores do Porto e uma trotinete elétrica na altura em que ainda não eram comuns ou estavam na moda. Era mimada e educada por eles como se fosse, efetivamente, deles. E isso é uma dívida que eu terei sempre para com eles – e para com os meus pais, por me terem proporcionado tal sorte.

    Teria palavras simpáticas e de amor profundo para com os três, mas hoje dedico-as ao mais velho em particular. Porque hoje é um dia importante, pois festeja o seu 50º aniversário. E isso significa que está na terra, há meio século, uma pessoa deveras especial.

    Este era o irmão que, em conjunto com a sua namorada (hoje mulher, hoje minha irmã por osmose), me levava ao cinema com os meus primos; foi o que me levou ao meu restaurante favorito (e caro) quando os meus pais foram jantar fora com uns amigos; foi quem me permitiu ir com ele escolher o enxoval do seu primeiro filho mais velho, como se eu tivesse sequer de opinar; foi o que sempre me levou a sério e me deixou até, em muito tenra idade, embrulhar as loiças de sua casa quando se mudou. Também foi aquele que me disse vezes sem conta para não pôr os pés nos assentos quando entrasse no seu Opel (caso contrário teria de o aspirar), que me disse repetidamente que juntaria prontamente leite no iogurte sólido para que este virasse iogurte líquido quando o que eu pedia era um iogurte líquido (de compra!!!). Foi também ele que perpetuou, durante anos, uma espécie de bullying devido à forma como comia bananas e entrava nos automóveis.  (Todas estas últimas eu estou disposta a esquecer.) No passado, foi tudo isto.

    Hoje, é a primeira pessoa a quem ligo quando tenho um problema no carro. Ou em casa. Ou na fábrica (quer seja em questão de finanças, recursos humanos ou tecnologia). Hoje é a pessoa que me aquece o estômago quando a alma está mais triste e é um dos meus companheiros semanais de padel. É o meu braço direito no trabalho, a todas as horas e aflições. É um conselheiro e um amigo sem igual.

    O Zé Paulo é a pessoa mais consensual que eu conheço – de todas as pessoas que já conheci em toda a vida. Ainda estou para descobrir alguém que não goste dele – porque será algo digno de verdadeira análise. É o indivíduo mais requisitado de todos os tempos (porque não sou a única a ligar-lhe quando tenho um problema no carro, no frigorífico ou no computador) e tem uma paciência e uma disponibilidade sem igual para todas estas solicitações. É ponderado e calmo. Tem um grupo de amigos que me inspirada e mete inveja (daquela boa, se é que existe, não é Bambi?). E, no meio disto tudo, sempre arranjou tempo para as suas verdadeiras paixões – a mulher e os filhos, os carrinhos e os aviões e agora a mota.

    É uma inspiração – e, muitas vezes, a minha força. É uma das minhas pessoas. Uma das que amo, das poucas que verdadeiramente adoro. Que, ao contrário do que possa parecer, não tenho nem palavras para descrever.

    Parabéns, Zé. Sonho contar mais 50 na tua companhia. És a nossa sorte grande. 

     

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  • Chávena de Letras: “Os Sete Maridos de Evelyn Hugo”

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    Gostei deste livro, mas não o amei. Faltou “aquele bocadinho assim” – mas confesso que não sei qual é a falha, pois tinha tudo para dar certo.

    Esta foi a primeira obra que li da Taylor Jenkins Reid e não será certamente o última: a autora tem uma escrita fácil mas com peso em algumas passagens – uma gestão que a maioria dos autores não consegue fazer -, que nos conseguem marcar e dar um tom mais sério (e realista) ao livro. A personagem principal está lindamente construída: complexa, simultaneamente crua e polida, dura e real. Não sei se é fácil identificarmo-nos com ela (não é sempre uma personagem simpática), mas acredito que muitos gostassemos de ser como ela – quanto mais não seja pelas ganas que tem de viver a vida como sempre a quis.

    A forma que a autora arranjou para nos levar até ao final do livro é subtil, muito inteligente e, mais uma vez, gerida na perfeição: no fundo, estamos todos ali a virar páginas porque queremos conhecer a história dos maridos da Evelyn ou porque queremos saber o porquê de ser a Monique a “escolhida”? É uma premissa que vai pairando ao longo de todo o livro mas que não é o alvo direto da história… E isso só torna tudo mais intrigante.
    Apesar de se tratar praticamente de uma narrativa de personagem, que são normalmente obras mais lentas, este é um livro que se lê muito bem e rapidamente.

    Ponto negativo para a tradução: não tenho a comparação em inglês, mas há falhas notórias – já para não falar de muitas gralhas ao longo do livro. 

    P.S.: Foi a minha primeira leitura no Kobo! Whooo!

    Por fim, uma análise rápida que resume toda a história (para quem não gostar do mínimo levantar de véu, não leia esta parte): quão irónico é que, no meio de sete maridos, nenhum deles seja o amor da vida dela? E quantas Evelyn’s andarão por aí com o mesmo drama? E quantas estrelas de Hollywood, com aquelas vidas e romances recambolescos, não entrarão neste tipo de esquemas para salvaguardar o seu verdadeiro eu? Este livro deixou-me a divagar sobre o assunto.

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  • E livros para 2023?

    Espero que este ano seja recheado de livros. Depois de em 2022 ter conseguido reavivar este hábito, tenho esperança que estes próximos meses sejam de consolidação. Uma coisa é certa: não me faltam livros nem ferramentas. Haja vontade!

    O Miguel ofereceu-me um Kobo no Natal (para quem não é destas novas tecnologias, trata-se de um leitor de livros digital), por isso todas as desculpas que existiam para não ler à noite (a altura do dia em que de facto tenho tempo para o fazer) e não o incomodar tornaram-se inexistentes. E a verdade é que tem resultado: tenho lido antes de dormir e, quando acordo à noite com insónias, tenho-me deixado ficar na cama a ler… e não é que o sono tem voltado? Escuso de ir para o frio da sala e ligar a televisão para me embalar… é um mimo! O facto do Kobo ser leve e de ter opções de luminosidade muito baixas permitem ler em várias posições e sem nos ofuscar ou acordar demasiado. Tem sido muito bom. 

    O desafio agora é a gestão de leituras entre o Kobo e os livros físicos – o que se torna ainda mais difícil porque a minha adaptação ao leitor digital foi incrível, estou totalmente apaixonada. Se isto me faz sentir uma traidora do papel? Definitivamente. Mas que hei-de fazer? A verdade é que o Kobo resolve vários problemas: 1) as posições de leitura (um problema real para mim nos últimos tempos) são muito mais versáteis, porque o aparelho é muito mais leve que um livro e muito mais prático, sem folhas dobradas, badanas pesadas e etc.; 2) permite-nos ler nos tempos mortos, porque sendo leve como uma pena ando sempre com ele na mochila. Estou à espera de uma consulta? Leio. Estou a fazer tempo para ir buscar o meu irmão? Leio. Para além disso tem outras coisas boas, que para quem gosta de livros são difíceis de engolir, mas que são verdade: é muito mais amigo do ambiente (adeus, papel!) e também mais simpático para com a carteira, pois os preços são consideravelmente mais baratos (principalmente se lermos em inglês).

    É lógico que também tem desvantagens – a maior parte delas de origem emocional. Não tem o toque do papel, o cheirinho do papel, o peso do papel. Não é um livro – e isso não se troca. Perde-se a magia de uma livraria física, do vaguear pela loja ao encontro da nossa próxima leitura; de apreciar as capas, de folhear. Também não existe a variedade em ebooks que há nas versões físicas. Mas, para mim o pior de tudo, é que não se podem emprestar os livros. 

    No entanto acho que há lugar para tudo e não temos necessariamente de ser exclusivos de um único método de leitura. Tenho muitos livros físicos para ler (recebi muitos e bons no Natal!) e por isso é imperativo que consiga um equilíbrio entre o papel e o digital. Depois de meditar sobre o assunto cheguei a uma conclusão: no Kobo planeio ler livros grandes, em inglês, promoções imperdíveis e obras cujo interesse não deva ser generalizado (porque não os posso emprestar); em versão física comprarei tudo o resto – livros que não estejam disponíveis em versão digital, obras emprestadas ou que ache que vá querer emprestar ou aqueles que acho digno de serem guardados na estante. A minha intenção é ter o Kobo na mesinha de cabeceira e um livro no sofá; isto faz com que, eventualmente, vá ter de ler dois livros em simultâneo. Nunca o fiz e sempre achei que a minha cabeça ia dar um nó – mas estou neste momento a implementar este meu plano e, até agora, fiz zero confusão com as histórias que estou a ler, por isso creio que não vá haver problemas no futuro.

     

    Posto isto, acho que estão definidas as condições para um ano de boas (e versáteis) leituras. Sobre isto, acrescentar ainda quatro objetivos que tenho neste âmbito:

    – Como já disse no post anterior, quero ler 18 livros este ano. Estiquei a corda só para não me satisfazer com um livro por mês (que já é bom, mas pode sempre ser melhor);

    – Para isso, nada como voltar aos hábitos de criança – a meta é ler todas as noites, nem que seja uma única e singela página;

    – Quero experimentar “ler” um audio-livro e um livro de não-ficção – até podem ser a mesma obra, mas quero diversificar estilos (tanto na forma de ler como no conteúdo);

    – Por fim, três livros de leitura obrigatória para este ano – já ouvi falar maravilhas de todos e já os tenho na minha estante, pelo que se não os ler não terei nenhuma desculpa: “A Breve Vida das Flores”, “Uma Educação” e “A Lista de Leitura”.

     

    Vou reativar, na barra lateral do blog, os widgets que permitem que acompanhem as minhas leituras atuais e o meu desafio de leitura. E, claro, vou partilhando por aqui as opiniões do que for lendo. Por aí, o que têm para ler este ano?

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  • Meia dúzia de desejos para 2023

    Já passei por várias fases no que diz respeito a resoluções de ano novo. (Ou objetivos. Ou desejos. Não é tudo igual – escrevi-os do mais concreto até ao mais “esotérico” – mas, na prática, são coisas que gostávamos que acontecessem – quer sejam da nossa total responsabilidade na execução ou não). Alturas houve em que era produtivo para mim listar um sem-fim de metas para concretizar no ano corrente, sendo que as analisava uma a uma quando os 365 dias passavam; outras também existiram em que não ditei nenhum objetivo, pois a vida em si já estava a dar demasiado trabalho a resolver-se.

    Este ano escolhi um meio termo – seis desejos. Não é uma lista muito grande e a pressão para a executar também não é enorme (senão diria “objetivos”, essa coisa mais séria). Mas a verdade é que gosto de me balizar em quase tudo o que faço – e tiro prazer em trabalhar para ser e fazer melhor.

    Nesta lista não constam as coisas básicas como os desejos de saúde para mim e para os que me rodeiam ou trabalho; também não contam os objetivos que transitam do ano passado, como manter uma alimentação equilibrada e fazer exercício 5 vezes por semana. Então cá está a meia-dúzia de 2023:

     

    Ler 18 livros. Aumentei a fasquia em 6 livros relativamente ao ano passado, mas acho possível e exequível – se mantiver a genica com que estou agora, até seria facilmente ultrapassasável. Mas falarei sobre este tema num próximo texto.

     

    Aumentar os registos ao longo do ano – quer seja ao nível de fotografias, vídeos ou escrita. Os últimos anos têm sido de vivências poderosas, mas em que tenho monesprezado os registos futuros – algo a que sempre dei muita importância. 2021 foi o primeiro ano em que houve meses em que não publiquei nada aqui no blog, algo que consegui piorar em 2022, com três meses sem um único post; olho para a minha galeria no telemóvel, tenho dificuldade em encontrar uma fotografia minha decente e percebo que aquele aglomerado de imagens se resume a printscreens, questões de trabalho ou fotos que têm o único propósito de me lembrarem de alguma coisa num futuro próximo. Quando faço os apanhados do meu ano tenho sérias dificuldades em recordar-me do que fiz, do que vi, onde fui – porque não tenho registos. 

    Para além de mais fotos e vídeos (exclusão feita aos aniversários e ajuntamentos familiares, em que continuo sempre de máquina em punho), gostava de implementar uma ideia que vi algures: escrever um pequeno resumo no fim de cada mês – não só do que fiz e vivi, mas também um apanhado do meu estado de espírito naqueles dias. A verdade é que chegamos ao final do ano com a ideia de que tudo passou a correr – mas também não podemos culpar a memória por não se lembrar do que fizemos ao certo há mais de uma centena de dias. É bom saborear as coisas no momento em que as vivemos – mas será que se as registarmos não tendemos a perpétua-las, a desfrutar ainda mais delas? Eu sempre achei que sim – mas com a correria dos dias, a pressão do tempo e a falta de hábito tenho desconsiderado o poder das memórias no futuro. E gostava muito de mudar isso.

     

    Procrastinar menos – as redes sociais são um autêntico cancro na nossa gestão de tempo. Não sei o porquê de serem tão apelativas, mas basta um pequeno deslize na nossa concentração e, do nada, já lá estamos a fazer scroll, 95% das vezes sem qualquer tipo de proveito próprio – não aprendemos, não ficamos a conhecer nada de novo. O tempo passa e nada nos acrescenta – uma dupla perda, uma vez que tempo é coisa que normalmente escasseia e que coisas interessantes para ver e fazer há de sobra.

    Isto acontece-me ocasionalmente em casa, mas é um caso sério no trabalho. A minha função é maioritariamente intelectual – pensar para resolver problemas, pensar para antecipar problemas, pensar para optimizar os processos, pensar para motivar as pessoas. Pensar, pôr por escrito e arranjar forma de tornar tudo real… a parte prática, normalmente, já sai do meu controlo. E não há ninguém que aguente tantas horas a pensar – pelo menos de forma produtiva e útil. E a verdade é que, no meio de um trabalho qualquer, eu apercebo-me que estou a divagar para conseguir ter folga de pensar sobre determinado assunto. E o problema não é o tempo que estou parada – é a forma como o estou a (des)aproveitar. Por isso o meu objetivo é conseguir perceber que preciso de uma pausa e utilizar esse tempo em coisas que me acrescentem – utilizando-o para escrever posts, como estou a fazer agora, por exemplo. Ou a ler. Ou o que quer que seja que não implique redes sociais – o escape mais fácil do mundo, mas também o mais oco.

     

    Experimentar um restaurante novo por mês e tentar consumir mais cultura. Sei que não posso ser a única a quem a pergunta “então onde vamos almoçar?” faz urticária. Gosto de ir comer fora – mas não adoro. Mas uma das razões pelas quais gosto cada vez menos é o facto de ter de pensar onde ir. Um sítio é muito caro; noutro come-se muito; outro cheira a comida; noutro fomos mal servidos da última vez que lá fomos; e ao que sobra não nos apetece ir. E assim se esgota rapidamente uma lista de restaurantes. Nisto (e em muitas outras coisas) sou uma autêntica velhinha e tenho algum receio de experiementar restaurantes novos – mas gostava de mudar isso e de, assim, aumentar a lista de sítios para poder ir almoçar ou jantar fora. A meta é ambiciosa, mas não custa tentar. De resto, também gostava de ir mais ao cinema, ao teatro e a concertos – houve fases da minha vida em que ia a quase tudo isto, mas agora por preguiça, menor oferta ou forretice diminuí significativamente. Vamos ver como corre este ano.

     

    Fazer um esforço consistente para escrever mais. Um dia destes, à noite, tive a ideia maluca de escrever 300 palavras por dia, todos os dias. Lembro-me que era a métrica usada nos tempos de escola, algo que fazia em pouco mais de cinco minutos – mas não acho saudável ter essa pressão acrescida todos os dias em cima de mim, principalmente em alguém como eu, que põe pressão em tudo o que faz. Por isso, sem qualquer meta definida, gostava simplesmente de escrever mais; se conseguisse implementar a minha terceira medida para este ano e evitar procrastinação desnecessária, sei que era meio caminho andado. Mas o trilho restante sou eu – e a minha força de vontade – que tenho de percorrer. Vamos a dia 6 e isto está a correr bem – mas prognósticos só no final do jogo, como dizia o outro. E ainda faltam 359 dias para este acabar, por isso ainda me parece ser um pouco precoce dizer se estamos de facto em bom andamento.

     

    Gostava de ser mais consistente no piano – mas, tendo que escolher, a escrita tem prioridade no meu tempo. No piano sempre fui muito movida por objetivos – que no início era ir a todos os recitais com uma música nova. Mas depois apareceu a pandemia – e adeus musicais ao vivo! – e agora o número de espetáculos é muito mais reduzido, pelo que tendo a protelar a aprendizagens de novas peças porque não tenho nenhuma razão concreta para avançar com mais vontade. No final do ano fiz algum trabalho de forma a arranjar um tempo dedicado ao piano – que é uma das minhas grandes falhas – mas com as festas o hábito desvaneceu-se, pelo que tenho de voltar a fazer um esforço para treinar e para avançar, para não ter aquele sentimento de ficar para trás. Voltar a ter aulas presenciais seria muito positivo também – mas só a estabilidade no trabalho me permitirá eventualmente esse luxo.

     

    E por aí, têm objetivos? E sugestões de restaurantes aqui no Porto, para eu tentar completar os meus desejos? Grata!

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  • Chávena de Letras: “Sete dias em Junho”

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    Gostei muito, muito deste livro! É incrível como pode ser refrescante na literatura atual a ideia de que podemos ser nós próprios os inimigos da nossa felicidade. Que não é preciso entrarem outros na equação – amantes, vilões ou uma sociedade opressora – pois somos nós próprios que nos impedimos de avançar. E quão real é isso? Quantas vezes não somos nós – nós e os nossos demónios, os nossos medos, as nossas expectativas, o nosso contexto – a pôr um travão em algo que, provavelmente, nos faria feliz?

    Esta é a história de Eva e de Shane, o caminho que tiveram de percorrer para derrubar os seus obstáculos e – talvez mais desafiante e um passo muito desprezado no processo – perceber depois onde os arrumar de forma a que, mesmo derrotados, estes não os impeçam de continuar o seu caminho.

    Que bonita, esta obra de Tia Williams (e, já agora, que boa a capa da Topseller)!

    5 comentários em Chávena de Letras: “Sete dias em Junho”

  • O melhor do ano 2022

    Eu sei que 2022 já acabou, que toda a gente o quer ver pelas costas e que 2023 é o que está a dar. Mas a verdade é que fazer análises sobre o ano sem ele ter acabado parece-me sempre um bocadinho precipitado – é como fazer a crítica a um livro sem ler a última página. O que é que nos diz que não muda tudo ali, naquele pedacinho de papel? Morrem pessoas no último dia do ano. Ganha-se a lotaria ou o euromilhões no último dia do ano. Começam-se e terminam-se relações no último dia do ano. Por isso há que esperar, certo? Não vamos fazer como o Spotify, que a 30 de Novembro já está a fazer o resumo do nosso ano. Estou eu aqui a apregoar à importância de um dia e eles descartam um mês inteiro das suas contas. Um ultraje.

    À semelhança do ano passado, este ano decidi fazer um best of de tudo aquilo que me apetece e acho relevante partilhar. Há uns anos escrevia opiniões sobre tudo e mais um par de botas, por isso era fácil ir acompanhando aquilo de que gostava ou não; agora, como ando poupada nas palavras, penso que é uma boa ideia resumir tudo aquilo de que gostei num só post. Se para o ano não fizer um texto deste género será bom sinal – sinónimo de que voltei a escrever conforme gosto. Mas, até lá, contentamo-nos com este resumo de coisas boas.

     

    Podcast do ano

    – Livra-te –

    Comecei a ouvir podcasts em 2021, como vos contei no post de best ofs desse mesmo ano. No entanto, tudo o que eu seguia se esgotou – alguns, à época, já tinham acabado e eu ouvi tudo o que já havia para trás, outros foram findando entretanto (excepção feita ao Extremamente Desagradável, que na verdade continua a ser o programa que mora em primeiro lugar no meu Spotify).

    Na minha lista de podcasts mais ouvidos constam, para além da Joana Marques, o “Vale a Pena”, da Mariana Alvim (que eu já havia falado neste post), a seguir o “Livra-te” da Rita da Nova e da Joana da Silva, em quarto lugar o “Pijaminha de Cenas” da Ana Garcia Martins e do David Cristina e, por fim, o “Somos Todos Malucos”, do António Raminhos. Ouvi ainda um ou outro episódio do “Incríveis Conversas Banais”, da Catarina Raminhos. Os três primeiros são aqueles a que, neste momento, sou fiel – nos restantes escolho os episódios que me parecem melhor, tendo em conta os entrevistados e os temas em causa, que nem sempre me interessam.

    Mas porquê ser o “Livra-te” a minha escolha do ano? Porque o meu regresso ao mundo dos livros foi das melhores coisas de 2022 – e sinto que os dois podcasts sobre livros que comecei a ouvir me ajudaram muito a retomar a leitura. Diria que não é um podcast consensual nem muito organizado – mas é por ser orgânico que é assim. Como o ouço enquanto estou sozinha a tratar dos afazeres da casa, sinto que a Rita e a Joana são uma companhia; às vezes posso nem estar com muita atenção, mas tenho ali duas vozes familiares como pano de fundo, e isso deixa-me confortável. Isto para além do óbvio: conseguir apontar um monte de sugestões literárias, para além de algumas boas dicas (nomeadamente, por exemplo, em relação ao Kobo). 

    Passei a gostar ainda mais do podcast quando percebi que uma das vozes que estava a ouvir fazia parte da minha vida passada – e dos confins deste e doutro blog, sobre o Twilight. Foi muito engraçado ouvir a voz da Joana mais de dez anos depois de ler aquilo que ela escrevia e de uma série de trocas de comentários que tivemos. O mundo é mesmo pequenino, não é?

     

    Série do Ano

    – Wednesday –

    Não esperem neste texto grandes novidades ou pérolas escondidas. Fui tão mainstream como a maioria do mundo – e a prova disso é que hesitei nesta minha escolha entre “House of the Dragon” e “Wednesday”. 

    E porque é que escolhi a série do Tim Burton? Porque eu e o Miguel a vimos sem qualquer tipo de expectativas – gosto do realizador mas não sou fanática, acho que nunca tinha assistido a nada sobre a família Addams e não sou, de todo, adepta de terror. Vimos o primeiro episódio à experiência, com um olho meio fechado caso acontecesse algo horripilante, mas a verdade é que adoramos. A série tem partes muito engraçadas e bem apanhadas, uma linha condutora bem desenhada e um combo “atriz-personagem principal” brilhante. Acho que a Jenna Ortega nasceu para aquilo. Para quem gosta de um pouco de fantasia é uma escolha segura.

    “House of the Dragon” entregou aquilo a que se propunha (diria que com algumas falhas em relação a “Game of Thrones”, nomeadamente em termos de realização/CGI), mas esteve dentro das expectativas (que eram elevadas). 

    De resto, 2022 foi marcada por me ter estreado no universo Star Wars com o “Obi-Wan Kenobi” (que, surpreendentemente, gostei bastante). Vi também “Guilded Age” (gostei, mas também peca pelos cenários e outros “pormaiores”, embora vá melhorando), “The White Lotus” (estranho), “First Lady” (gostei), iniciei “The Crown” (muito lentooo), “Bridgerton” (fiquei agarradíssima) e “Emily in Paris” (fraca ao nível da história, mas óptima para ver na bicicleta). Se quisermos pôr os reality shows nesta caixa de séries – algo que também consumo bastante enquanto faço cycling (não me julguem!), tenho de acrescentar o “Love is Blind”, o “Soy Georgina” e o “Love on the Spectrum” (acho este último um mimo!). Para além disso, revimos a série toda de “Game of Thrones”.

     

    Documentário do ano

    – Harry&Meghan –

    Ao contrário do que fiz até aqui, não me vou alongar sobre este documentário, porque lhe quero dedicar um post e uma reflexão mais longa. Mas, sendo a minha escolha do ano, não é surpresa que gostei muito – mas acho que, embora tenha sido amplamente visto pelo mundo fora, faz mais sentido para um nicho como eu, que gosta muito de família reais. Vi-o numa perspectiva de entender o que se passa dentro de uma família deste calibre e não para saber cusquices sobre este casamento mediático – e acho que só assim se pode gostar mesmo deste trabalho que eles fizeram.

    Fora isso, este ano vi muitos documentários – quase todos eles em cima da bicicleta. Numa semana faço, em média, uma hora e meia a duas horas de treino – o que, parecendo que não, são episódios quanto baste. Vi “O homem mais odiado da internet”, “O nosso pai”, “Falsa vegana”, “Pray away: Preece anti gay”, “Histórias do desporto – a namorada que não existia”, “Sejam dóceis, rezem e obedeçam”, “A rapariga na fotografia”, “Winter on fire”, “O impostor do tinder” e “Crime na comunidade mórmon”. Todos de alguma forma chocantes ou com premissas um pouco inacreditáveis. Não acabei o “The Staircase” – é demasiado longo para aquilo que se propõe a contar.

     

    Música do ano

    – As it Was, Harry Styles –

    O que é que eu vos disse sobre ser mainstream? Pois, exato.

    Mas não há como negar: era a música com a vibe mais positiva do ano – e o que queremos são coisas que nos puxem para cima, que para baixo já chegam os dissabores da vida. Para além desta música, o meu Spotify regista no meu top 5 a “Watermelon Sugar”, também do Harry, a “Easy On Me” da Adele (apesar de gostar mais da “I Drink Wine”), a “Shivers” do Ed Sheeran e a “Talvez se eu Dançasse” do Miguel Araújo. Curiosamente não colocaria nenhuma das quatro no meu top, mas os minutos ouvidos não enganam. Nota especial para “Quero É Viver”, de Sara Correia, que me acompanhou em muitos momentos.

     

    Livro do ano

    – Sete dias em Junho –

    As críticas literárias são (e foram) a única coisa que nunca deixei de escrever, mesmo quando não publico nada aqui durante meses. Mas como não queria transformar este blog só em livros, ia deixando passar esses textos para conseguir ir intercalando com os outros conteúdos – que, muitas vezes, eram inexistentes, pelo que tenho as minhas reviews literárias todas nos rascunhos.

    Por isso, nos próximos tempos, vou libertar a opinião dos livros que li no ano passado – e do que li este ano, uma vez que ao terceiro dia do ano já acabei de ler um (vitória!). 

    Em 2022 li alguns livros que me desiludiram, outros dos quais gostei – mas poucos me marcaram. Aliás, escolher um já é difícil. Mas a ter de ser, é o “Sete Dias em Junho”, da Tia Williams. Não só porque gostei do que li, mas também pelas circunstâncias em que o li: no cruzeiro, enquanto tinha mar a perder de vista. Em breve deixo aqui o texto com a minha opinião mais detalhada.

     

    Foto do ano

    Esta não foi fácil. Tenho fotos das quais gosto muito da viagem que fizemos, mas quis pensar mais além. E escolhi esta, tirada nuns dias que passamos com os meus pais, no Algarve, em Setembro. Porquê? Porque não só me sentia feliz por ali estar mas também confiante no meu corpo – e isso, por incrível que pareça, aconteceu tão poucas vezes ao longo da minha vida… Ao dia de hoje, por exemplo, não me sinto bem na minha pele; sinto-me outra vez insatisfeita com o peso que tenho e da forma como me pareço. Mas passei uma série de meses feliz com aquilo que via no espelho – provavelmente o período mais longo da minha vida em que fiz as pazes com a minha imagem – e isso está bem presente na foto abaixo. Gosto muito dela.

    IMG_3518.JPG

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